terça-feira, 18 de dezembro de 2012

comprar bicicleta de criança


A primeira pergunta que se deve fazer é se a criança que vai ganhar a bicicleta vai conseguir frear esta mesma bicicleta. Na maioria das bicicletas infantis e infanto-juvenis fabricadas e vendidas no Brasil a resposta é não, não vai conseguir, pela simples razão que o sistema de freio montado é igual ao usado para adultos, portanto impróprio para o tamanho e força da mão da criança. Ou então o sistema de freio é todo pequenino, mas simplesmente não freia. Não conseguir parar a bicicleta é a causa de acidente mais comum entre crianças.

Não me lembro de ter visto lá fora bicicleta de criança com freio na mão. A maioria tem freio contra pedal, o que obriga a criança a parar com os pés no pedal, o que é a forma correta de parar. Ou seja, primeiro para a bicicleta, depois coloca os pés no chão. Educa a criança a ficar na bicicleta, evitando que ela tente parar colocando os pés no chão em movimento, o que é tombo na certa. Outra vantagem de freio contra pedal é que frear é mais gradual e realizado pela roda traseira, ou seja, a bicicleta não capota de frente. Infelizmente no Brasil é praticamente impossível encontrar bicicleta de criança com freio contra pedal.

Uma geometria do quadro “dócil” é outro fator importante. Há muita bicicleta barata que é toda estranha e tem um ângulo de caixa de direção praticamente em pé, muito agressivo , que comprometem equilíbrio e a dinâmica do rodar. Bicicleta infantil deve ser projetada para facilitar o equilíbrio e corrigir os erros do mini ciclista.

Não preciso dizer que qualquer ponta ou área cortante é perigosa mesmo para uma criança que seja cuidadosa. O material tem que ser resistente, não pode quebrar, soltar, ou vai criar perigosas pontas cortantes. Lembre-se que crianças largam a bicicleta..., melhor dizendo, jogam a bicicleta quando mamãe grita “olha o sorvete...”

Todas as bicicletas de criança que vi nos Estados Unidos e Europa eram muito robustas, a maioria pesada, praticamente inquebrável. Já vi a durabilidade destas bicicletas e digo que valem a pena por que não acabam. Fico feliz quando vejo um pai inteligente que gasta com qualidade para os filhos. Uma boa bicicleta custa muito menos que levar o filho para o pronto socorro por falha mecânica da bicicleta.  

Última dica: rodinhas deseducam e não são tão seguras como alguns creem. É fácil entender. Basta ir aos parques e ver as crianças capotando por causa das rodinhas. São tombos tão ruins ou piores que sem rodinhas. Bicicleta sem rodinhas obriga a criança a ter limites. Melhor: ensina a importância do equilíbrio.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Rota Márcia Prado 2012

Mesmo estando meio fora de combate devo participar da Rota Márcia Prado 2012. Tomem como um rito de iniciação - ao prazer de pedalar grandes e lindas distâncias. Vale cada metro. Paticipem.
Mais informações e inscrição em: http://www.ciclobr.org.br/noticias/4o-passeio-cicloturistico-rota-marcia-prado.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Projeto de lei para diminuir impostos das bicicletas

Este é um e-mail de pedido de informações via http://www.abciclovias.com.br de
Willian Garcia <
willian.garcia@camara.gov.br>

Bom dia
Sou assessor jurídico do Deputado Federal Paulo Pimenta e estou em busca de material para elaboração de estudo sobre a vantagem do uso das bicicletas para melhorar a qualidade de vida no Brasil.
O Deputado é autor do PL 4199/2012 que desonera as operações com bicicletas, suas partes, peças e acessórios, do pagamento do IPI, PIS e COFINS, no intuito de fomentar a indústria e expandir o uso da bicicleta como meio de transporte.
Estamos também em contato com a ABICOBI-ASSOC BRASILEIRA DA IND E COM DE BICICLETAS, para que junto com as entidades possamos levantar a bandeira da inclusão da bicicleta como meio de transporte alternativo.
Fico a disposição para quaisquer esclarecimento e no aguardo de informações para elaborarmos um documento oficial que deverá ser encaminhado à Presidência da República.
Atenciosamente
Willian Garcia

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Willian

bom dia

Estou copiando uma série de nomes, alguns ainda em cópia oculta, que devem ajudar no processo.

Parabéns pela ótima iniciativa

Informo que está começando mais uma batalha para evitar que se faça besteira pesada em nome da indústria nacional (certificação de qualidade IMETRO para todos importados) e que, pelo que se pode crer até aqui, visa em especial afetar os importados, o que é dar um tiro no pé do setor e de todos projetos relacionados ao uso da bicicleta que agora começam a se tornar realidade. Proteger o nacional é o desejado, matar os produtos que fazem a melhor propaganda é burrice aguda. Já fizeram isto no passado e o resultado foi um desastre.

Fui dos primeiros (1982) a gritar pela construção de um setor de bicicletas nacional de qualidade que gerasse segurança para usuários, empregos e transformasse o Brasil num global player. Dentre as propostas de então estava a óbvia e sensata desoneração do setor, o que atende à lógica mais primária e ao desenvolvimento social do país. Brasil pode ser bem forte nas bicicletas básicas. O resto do setor, os produtos mais sofisticados, hoje é global, fora de nosso interesse, até porque no mercado interno representa muito pouco.

É crucial que qualquer proposta leve em consideração todo o setor, não só alguns. Ou tudo vai para frente, ou seguimos na mesma, mais barato, mas na burra mesmice. O ditado “de boas intenções o inferno está cheio” se encaixa com perfeição no setor de bicicletas. Por favor, ouça todos.

Me coloco a disposição

Arturo Alcorta
Escola de Bicicleta
www.escoladebicicleta.com.br

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Medo de pedalar na av.Paulista

É uma causa bem difícil pra este país onde a noção de cidadania ainda está p/ ser desenvolvida. Mesmo já começando a perceber algumas mudanças, mas eu ainda continuo com medo de pedalar por aqui. Como moro perto da av. Paulista, tenho medo de pedalar por aqui. Hoje mesmo falei com um ciclista que disse que esta região é perigosa, costuma acontecer muitos acidentes. Por enquanto eu só tenho pedalado nos parques c/ bikes alugadas.
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M
bom dia

Em seu questionamento você repetiu mais de uma vez que “tenho medo de pedalar aqui (av. Paulista, próximo de sua casa)”. Olhe para a cidade, olhe para a liberdade, não fique olhando para as restrições que os meios de transporte motorizados obrigam ao passageiro viver. Bicicletas oferecem a liberdade de ir para onde quiser, fugir de avenidas, conhecer uma cidade que o automóvel esconde.

Sobre os perigos da bicicleta: qualquer veículo é perigoso quando mal conduzido. O local pode ser mais ou menos complicado, mas a diferença mesmo está na condução.

Atualmente há muito novato, além dos "eu sou o bom", pedalando fazendo besteira. Dai o número de acidentes estar alto. Um amigo, Tobias, me chamou atenção para que o pessoal está sentindo um certo orgulho em ter acidentes, como se fosse um rito de passagem; o que infelizmente é a realidade.

Só para te avisar: os maiores índices de acidentes da cidade ocorrem dentro dos parques e nos fins de semana. Ai, pedalar em parque (ou ciclo faixas) é muito mais perigoso que pedalar em interno de bairro. É lógico que pedalar no meio dos ônibus não é recomendável, mas nos fins de semana você tem bairros maravilhosos e calmos logo ali, próximo de sua casa.

Para terminar: bicicletas de aluguel em parque, que normalmente são modelos muito básicos e baratos, costumam ter uma qualidade ruim. O dia que você se sentar numa bicicleta de qualidade e sair pedalando em ruas tranquilas vai se sentir muito melhor, mais confortável, mais segura. Vai descobrir que bicicleta e pedalar não é o que você pensa agora.

sábado, 20 de outubro de 2012

ciclista invísivel














L
altura: 1,50m
cidade: São Paulo
UF: SP

Uso a bicicleta para ir ao trabalho e a faculdade. Pedalo em qualquer rua ou avenida, mas estou cansada porque os motoristas sempre dizem que não me veem.

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L

E você de fato é praticamente invisível. Infelizmente ciclistas não são visíveis para a maioria dos motoristas, tanto porque motoristas não estão acostumados com a bicicleta e o ciclista, como porque você é uma ciclista particularmente baixa. Com 1,50m de altura e pedalando, portanto com o corpo inclinado para frente, a área de visível fica muito pequena no meio dos carros. Esta condição piora muito quando há trânsito porque qualquer carro, mesmo os pequenos, que passe por você vai torná-la invisível para outros motoristas e motociclistas. Mesmo um motociclista, no meio do trânsito em movimento, é difícil de ver.

Outro ponto importante é que os motoristas das grandes cidades, onde o uso da bicicleta está crescendo, ainda não se acostumaram a ver ciclistas. Este é um processo normal e muitas vezes não dá para culpa-los por não ver. Há uma razão simples para que isto aconteça: qualquer condutor com prática acaba treinado para dar respostas automáticas a estímulos, como placas, semáforo, movimentação de outros veículos, obstáculos, enfim, um grupo básico e não muito numeroso de estímulos. O cérebro acaba selecionando quais são as respostas automáticas, ou reflexos, mais importantes e frequentes. O que não é comum para o cérebro é deixado num segundo plano e muitas vezes sequer é “percebido” pelo motorista. É o que está acontecendo atualmente na relação dos motoristas com os ciclistas.

Números de segurança no trânsito mostram que quanto mais ciclistas circulando na cidade maior é a segurança individual de cada um dos ciclistas; ou seja; quanto mais ciclistas, mais comum é a situação para motoristas, portanto mais treinado e alerta está o cérebro, e mais visível se torna o ciclista no trânsito.

Voltando ao seu caso, o que se recomenda é que você sempre pedale com roupas claras e chamativas; evite ficar colada a qualquer carro, e principalmente sinalize o que pretende fazer. Sinalizar com mão e braço esquerdo faz muita diferença. E a noite saia sempre com lanterna traseira e farolete. Evite usar luzes que piscam, porque elas confundem mais que ajudam.
 
Terminando: reclamar dos outros piora a nossa segurança. Procure entender o que aconteceu, de preferência com neutralidade. Provavelmente irá tirar conclusões que melhorarão sua segurança

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Monarks e outras paixões: restaurar e comprar outras

Nome: Adenilson
Idade: 41 anos
Cidade: Manhuaçu
UF: MG
replyto:
adenilsonamaral@hotmail.com
Mensagem: Desde criança gosto muito de bicicleta. Fui ter a primeira quando eu tinha cerca de 12 anos de idade. Era uma Caloi com assento no quadro, freio contra pedal (Um luxo para época). Depois eu tive uma Monark 1977 roxa (um espetáculo inigualável !!) Depois comprei uma Monark Barra Circular 1990, novinha. E assim fui comprando, andando e revendendo. Hoje tenho uma Monark 1966 restaurada, uma Monark Barra Circular 1982, uma Monark mountain bike (das primeiras com 18 marchas), 03 mountain bikes modernas (GTS M5, VICINITECH e MONACO). Estou restaurando uma Monark Ipanema. Em breve vou adquirir uma Monareta para restaurar. Para concluir, eu vislumbro que apesar das várias opções que temos hoje para comprar uma bicicleta moderna, entendo que no brasil existem milhares, talvez milhões de pessoas que adoram as bicicletas antigas da Monark, principalmente as barras circulares produzidas nas décadas de 1970 a 1990. Sei que o custo para produção de uma bicicleta no padrão antigo é alto, mas porque ninguém ainda teve a ideia de reeditar e lançar RÉPLICAS das bicicletas Monark antigas e colocá-las a venda pela internet, por exemplo. A fábrica poderia lançar a réplica de um modelo anual a cada ano. Alguém poderia fazer um estudo de mercado nesse sentido. Pode ter certeza que se for colocada a venda uma réplica da Barra circular 1977 e 1982 eu compraria o mais rápido possível. Chego a sonhar em ter muito dinheiro para tentar bancar uma empreitada dessas. Um abraço.
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Adenilson
bom dia

Modelos parecidos com a Monark Barra Circular foram produzidos até bem pouco tempo. Talvez ainda sejam, o que é difícil saber porque o Brasil tem uma quantidade imensa de pequenos e médios fabricantes de bicicletas que só distribuem suas produções regionalmente. Não faz muito tempo cheguei a ver uma destas cópias, azul, sendo vendida aqui em São Paulo.

O mercado brasileiro de bicicletas é muito complicado para alguém querer fabricar cópias de modelos fora de produção. Não temos esta tradição.

Nos Estados Unidos, onde o mercado é muito grande e o americano realmente preza este tipo de coisa, e na Europa, há quem fabrique reproduções de forma artesanal e sob encomenda. Normalmente fabricam biciclos (peni farting ou bone shaking), aquelas bicicletas com roda grande na frente e pequena atrás, e alguns triciclos ou quadriciclos sociáveis. São muito caros.

Estou copiado Valter Busto, responsável pelo Museu de Bicicletas de Joinville, que talvez possa ajudar.

Arturo Alcorta
Escola de Bicicleta
www.escoladebicicleta.com.br

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

NY Times e o não uso do capacete na Europa

http://www.nytimes.com/2012/09/30/sunday-review/to-encourage-biking-cities-forget-about-helmets.html?emc=eta1&_r=0

Reginaldo o outro dia me disse sobre uma palestra da por um Europeu: "Se nós falamos isto ninguém escuta. Se um estrangeiro fala, todo mundo (mundo dos brasileiros) vem ver". Pura verdade! Triste!