quinta-feira, 16 de abril de 2026

Corrigir os erros de pedal

Uma situação que não tem nada a ver com bicicletas e pedalar me fez cair a ficha do porquê algumas pessoas continuam cometendo o mesmo erro enquanto pedalam. O mais comum é o uso incorreto das marchas, mas a lista de erros é extensa.
Partindo do zero, tenho a dizer que mesmo ciclistas experientes, e até mesmo alguns profissionais, fazem suas barbeiragens, cometem erros técnicos na forma levar a bicicleta. Errar definitivamente não é uma especialidade dos iniciantes.

Stress. A resposta é stress, por isto sua explicação cai no vazio. Você sai para pedalar com alguém que quer relaxar e sai fazendo besteira, tenta ajudar e não consegue. Sobrecarrega. Mudança de marcha, por exemplo, no meio do trânsito você diz, faz isto, faz aquilo, não faz isto, e um pouco mais à frente o ou a 'aluna' já esqueceu. Não esqueceu, a cabeça dele ou dela simplesmente teve que prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo, no trânsito (perigoso) e na sua orientação sobre a mudança de marchas (coisa chata!). Com certeza, para ele o trânsito é mais importante que a marcha correta (Uai? Está errada?).  

A maioria de nós, principalmente os homens, tem um problema de tico e teco com algumas coisas. Ou assobia, ou chupa cana, os dois juntos não vão. Mulheres ainda conseguem fazer mais de uma ao mesmo tempo. Mulheres, ainda por cima, conseguem ao mesmo tempo cuidar dos filhos, servir o almoço e pensar na reunião de trabalho, e, incrível, responder uma pergunta tua sobre o jogo de futebol. Parece que estou tirando sarro, mas não, é a ciência que diz que mulheres tem maior facilidade em administrar com a cabeça várias coisas ao mesmo tempo. Então vem a pergunta, por que elas têm mais dificuldade em aprender a mudar as marchas, dentre outras? Minha experiência diz: simples!, medo, ou senso de prioridade, o que é mais importante naquele exato momento que você está falando um monte de coisas? Se não é consciênte, de alguma forma é.

Ensinei inúmeras mulheres a pedalar e aprendi muito com elas. A maioria já tinha tentado e não conseguia. Comigo conseguiram. O segredo? Tirar o foco de tudo, só então dar uma orientação por vez, com o tempo que ela precisar para absorver com calma. "Vai, muda a marcha! Muda! Muda!" não funciona.

Estou falando mais sobre como corrigir os erros das mulheres porque via de regra elas são mais fáceis. Também por experiência de vida digo sem medo que homens... "Eu sei o que estou fazendo!" Eita orgulho masculino. 

Brincadeiras a parte, quer acertar a técnica de teu companheiro ou companheira de pedal? O primeiro passo é ir para um lugar tranquilo, com o mínimo de interferências externas possível. Segundo passo, preocupar-se com a ansiedade e o cansaço do aprendiz. Mudou a expressão, acelerou a respiração, para imediatamente. E não insista, dê um tempo para a ficha dele cair. 

E o mais importante: antes de dar dicas ou tentar corrigir erros, faz uma pesquisa para se certificar se o que você faz está de fato certo. Pedalar uma bicicleta está mais para ciência do que informação que você aprendeu no grupo de pedal. Checa, não custa nada, e os ganhos sempre são grandes. Lembre-se que entre profissionais a cadência de pedal mudou muito nestes anos - ciência pura. A postura na bicicleta também. Os músculos mais importantes, os treinos... Checa, que vale a pena.

Dois vídeos. O primeiro sobre pedalar, melhor, a ciência das diferentes formas de pedalar. Endossa o que falo sobre antes de dar dicas se atualizar. O segundo, pedindo ajuda para meu caríssimo (gente finérrima) Capivara, que dá uma explicação básica sobre como mudar as marchas. No vídeo ele dá uma dica que confesso não tinha pensando antes. Bravo Capivara.  






domingo, 12 de abril de 2026

Cris King, um rei dos rolamentos soberbos

A primeira vez que vi uma foto de peça de bicicleta feita em CNC, ou torneada por uma máquina digital de alta precisão a partir de um bloco maciço de alumínio de liga especial, fiquei maravilhado. A primeira vez que vi pessoalmente e pude até pegar com as mãos uma destas peças foi uma emoção inesquecível. Nascia ali um desejo que nunca se realizou, mas que confesso que continua desejo, ter uma bicicleta montada com estas obras de arte e tecnologia. Precisão, leveza, beleza, uma escultura funcional, perfeitamente funcional. Bricadeira cara, muito cara, fora de minhas possibilidades. Na época que descobri estas maravilhas, 1989, só o câmbio traseiro custava quase tanto quanto uma mountain bike que eu namorava e não pude ter, US$ 400,00. Convertidos para hoje, uma pequena fortuna. Guardei por muitos anos aquela (revista) Mountain Bike Action que veio com uma boa matéria sobre a Interbike Show, em Anahein, Califórnia, talvez a mais importante feira de bicicleta daquele início de MTB. Eu coloco aqui este link - https://mbaction.com/looking-back-30-years-ago-4/ - da edição de 1990, que tem umas fotos das MTB de então. Pelo que me lembro, no meio da revista também tem fotos do que eu falo.

Hoje é fácil encontrar peça de bicicleta em CNC e ficou muito mais barato. Vai lá saber que alumínio estão usando para baratear. Pedalei no fim de semana com um sujeito que a bicicleta dele tinha cubos que, creio, eram cópias chinesas estampadas e retrabalhadas, muito bem feitas, quase peças CNC puras. Para ver, maravilhosas; já para rodar disse ele que são ótimas. 
Hoje em dia falsificasse tudo, o famoso parece, mas não é.



Virou tudo uma maluquice porque entrou no jogo as impressoras 3D, que ao contrário de uma peça CNC, esculpida a partir de um bloco massiço, o 3D imprime peças camada por camada até chegar a forma da peça, que depois pode ou não ter que ir para uma máquina CNC para o acabamento final. Para ter ideia da maluquise que está virando, na Bienal de Arquitetura apresentaram uma casa impressa em uma máquina gigante CNC. Sim, concreto impresso. Voltando às bicicletas, já contei que vi um vídeo sobre impressão 3D em titâneo. Hospício! CNC está cada dia mais trivial, mas ainda baixa escala.
Para se ter ideia da loucura que está virando tudo, já existem máquinas CNC pequenas, caseiras. Como assim? Sim, para instalar no seu quarto. Upa!


A diferença do que a Cris King fabrica é a qualidade e durabilidade, quase infinita. Com um detalhe para mim delicioso: Para alguns processos a Cris King ainda usa máquinas fabricadas nos anos 30 e 40. Para quem conhece, demonstra um cuidado incrível com manutenção, portanto precisão. Mais, qualidade é qualidade, não é propaganda, muito menos falácia. Por isto tiro meu chapéu para a Cris King.

Eu poderia ter tido? Provavelmente sim. Mas dificilmente teria estrutura emocional para segurar um roubo ou assalto. Perder uma obra de arte? Não dá, não aceito. 
Minha opção de vida é pedalar livre, sem preocupação. Ter uma bicicleta fora de série, muito, muito especial, só fora daqui em lugar seguro.  Lembrando que qualquer grande cidade do mundo tem alto índice de roubo de bicicletas.
Finalmente: colocar peças altamente sofisticadas num conjunto de quadro e garfo vagabundo beira um crime, com certeza é de uma burrice sem tamanho. 



quarta-feira, 8 de abril de 2026

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Borboleta sai do casulo

É com muito prazer que apresento a borboleta que acaba de sair do casulo que se prendeu à roda de minha bicicleta. Eu travei a roda e deixei a bicicleta parada por três semanas. E hoje vi o milagre da nova vida acontecer. Fiquei tão emocionado que não tirei os olhos do processo de rompimento do casulo e nascimento da borboleta, ou seja, não fotografei nem filmei. Mas aí estão as fotos do antes e depois. A que nasceu é a que está na folha da palmeira. A outra, que nasceu antes e não vi o processo, infelizmente tem as asas deformadas.






A transformação da lagarta em borboleta ocorre dentro da pupa (ou crisálida), um estágio de repouso onde o corpo se reconstrói. Durante dias ou semanas, a larva utiliza suas reservas para criar asas e novas estruturas. O esforço de romper o casulo é vital para expandir as asas e fortalecer o corpo para o voo

Mãe e filho numa elétrica morrem em ocorrência com onibus


Nos comentários:

'Não é natural que pais percam seus filhos', é uma dolorosa verdade. Acompanhei pais que perderam filhos e sei o grau de devastação emocional que causa. Ao pai, sentimentos, e os votos que encontre um caminho de paz interior. E aos mais próximos, ajudem, não se afastem mesmo quando bater a exaustão.

O tamanho do problema que estas elétricas vem causando é desconhecido porque muitas ocorrências não são relatadas, notificadas, oficializadas. Aliás, como é comum com tudo neste país. Quem está no meio da bicicleta e mobilidades vive tendo notícias sobre incidentes, acidentes e ocorrências causadas pelo mal uso das elétricas. A bem da verdade, boa parte dos ciclistas, os do arroz com feijão, estão para lá de irritados com o que vem ocorrendo, mas, como sempre, ninguém faz absolutamente nada para resolver. Só reclama da boca para fora, e do outro. O próprio umbigo? Não existe. Autoridades? Os de boa vontade e os que tentam resolver têm um inimigo monstruoso: tem lei que cola e tem lei que não cola. Fiscalização? O que?

Sobre mortes violentas: quem aqui, Brasil, realmente se interessa? Quem se interessa corre atrás.

Por que será que o Brasil tem um dos índices mais vergonhosos de fatalidades no trânsito e mortes violentas? A culpa é das autoridades, só deles? É mesmo?

Aqui, fora dos comentários da matéria:

Alguém se interessa pela verdade? Alguém se interessa pelo que realmente aconteceu? Não, respondo eu sem preocupação. Chegamos a esta baderna macabra que vivemos porque o outro sempre é o culpado. Vai continuar igual? Tudo indica que vai. De minha parte ainda tenho uma vã esperança que por um milagre caia a ficha que assim não dá.
Leiam com todas as letras: quem perde um ente querido, e aqui falo da dor brutal que nunca termina da perda de um filho ou filha, sofre a tortura duas vezes, na monstruosa perda e depois com o silêncio inepto de nossa sociedade. Os pais que perderam seus filhos tiveram que descobrir na porrada, e põe porrada aí, o que 'de fato' é a vida neste Brasil. Sei o que escrevo e assino em baixo, porque acompanhei três casos.
Alguém se interessa?

Não foi atropelamento. O termo atropelamento se aplica exclusivamente à pedestres. Bicicleta, elétrica ou não, é veículo. Esta diferença de definição parece besteira, mas definitivamente não é. Ou se coloca as coisas no seu devido lugar, ou lá na frente vai dar problema. O uso errado de termos da lei deforma dados estatísticos, que por sua vez influência no resultado final da busca pela segurança.