segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Final do Campeonato de Pista em Indaiatuba. Quem viu? Quem soube?

As fotos a seguir são da final do Campeonato Brasileiro de Pista realizado no Velódromo de Indaiatuba. Pergunto: Quem soube desta final? O que aconteceu? Pergunto: Quem sabe o resultado da final da Copa Libertadores da América disputada em Barcelona, Espanha?

Na arquibancada do velódromo de Indaiatuba tinham umas 100 pessoas, se tanto. Ok, estive lá na sexta-feira, dia das semifinais, mesmo assim... Provavelmente nas finais que foram disputadas no sábado devia ter mais público, mesmo assim...

"Brasil, o país do futebol". Para começar, não somos mais o país do futebol no cenário mundial. Tem muito país melhor que o Brasil. Somos respeitados, nada além disto. 
Aqui dentro só se fala e ouve sobre futebol. Os programas de rádio e TV tem como chamativo a palavra "esportes", mas esportes pode ser traduzido em futebol e só. De vez em quando sai um espirro sobre outro esporte e pronto, basta, de volta ao futebol. Por pior que seja o campeonato... futebol!

Quantos ciclistas temos circulando no dia a dia deste país? Já tivemos 40 milhões não faz muito, segundo levantamento oficial, hoje devemos ter um pouco menos porque muitos migraram para a motocicleta, mesmo assim todos dizem que o veículo mais usado no Brasil deve ser a bicicleta. Tem muito mais gente pedalando que jogando futebol, isto é certo. E o que é divulgado sobre ciclismo esportivo? Zero. Triste!

Ver uma prova de pista é emocionante, até para quem não entende. As disputas são intensas do princípio ao fim. É das provas de ciclismo mais divertidas, se não a mais divertida de se ver. Falta divulgação não por falha dos organizadores, mas por que a população só quer ouvir falar sobre futebol. Cai bem aquela velha frase "futebol, o ópio do povo". Pura verdade. 
Descubra outros esportes. Quem descobriu definitivamente não se arrependeu. 
A bicicleta está na alma do brasileiro. 






segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Pneus abiscoitados no uso urbano, um contrassenso

Pneu com biscoitos grandes e separados, próprio para uso esportivo na terra, é uma opção normal e aceita por quem pedala na cidade, mas isto está mudando. Dependendo do desenho da banda de rodagem e dos biscoitos não faz nenhum sentido pedalar com eles no meio urbano. Aliás, a bem da verdade se não for em competições muito específicas não vale a pena seu uso na nem na terra. 
Não sei de onde o povo tirou que usar pneu com biscoito no meio urbano é mais seguro, dá mais aderência, mas chuto que tenha a ver com corridas de automóvel, da F1, Fórmula 1, uma paixão nacional. De fato, a 300 km\h e na busca do menor tempo possível faz toda diferença usar pneu liso no seco ou com biscoitos no molhado, mas pedalando uma bicicleta a 25 km\h não faz. No meio urbano, com piso firme, regular, e até em estrada de terra batida, pedalar com biscoitos grandes e separados não faz sentido. Dependendo da qualidade da borracha e do desenho da banda de rodagem, que é o que realmente importa, biscoitos podem até diminuir a aderência e a segurança do ciclista. 

Quanto mais suave roda o pneu, mais fácil roda a bicicleta e menor o esforço do ciclista, portanto maior a segurança. O ideal para pedalar no asfalto e até na terra batida é um desenho quase liso, com pequenos sulcos para escoamento da água e sujeira, como areia, e que o centro da banda de rodagem seja contínuo. Repito: biscoitos grandes e separados para ciclista amador é ruim em todos sentidos. Mais, os ciclistas do mountain bike profissional estão usado uns pequenos biscoitos que fazem pouca diferença no rodar da bicicleta.

A história dos pneus foi regrada pelo uso urbano até o surgimento do mountain bike nos Estados Unidos no meio da década de 80. O MTB (mountain bike) cresceu muito por causa das competições e seus heróis, o que levou uma massa de iniciantes a ir para a terra se divertir. Virou chique ter uma MTB com perfil de terra, ou seja, ter pneus cheios de biscoitos. Mais um menos a mesma coisa que ter uma SUV, ótima para o campo, mas que nunca sai da cidade, um contrassenso.
A Specialized começou e teve sucesso como fabricante de pneus e quando foi para o MTB logo introduziu no mercado o Ground Control em 1989, um pneu abiscoitado, excelente, um dos melhores que experimentei, o que levou o mercado todo a uma concorrência pesada. Specialized saiu ganhando os primeiros campeonatos de MTB, o que fortaleceu mais ainda seus produtos, incluindo seus ótimos pneus. Cada fabricante tinha seu próprio pneu, suas próprias verdades, praticamente todas voltadas para uma prática de MTB esportivo, num marketing de MTB profissional, até nos produtos mais básicos. OK, as bicicletas básicas vinham com pneus com desenho mais urbano, mas com um sonho de MTB daqueles cheios de aventura, terra, barro, derrapagens, descidas perigosas...
E surge o mítico campeão John Tomac, muito forte, de técnica refinada, que gosta de usar um pneu muito abiscoitado. Logo será colocado no mercado um modelo com sua assinatura, o Farmer John. Não foi sucesso de vendas, mas por força de concorrência influenciou vários fabricantes, incluindo a Levorin brasileira que inicia  a fabricação de uma cópia (?) que vira o carro chefe de praticamente todas as bicicletas básicas e baratas fabricadas no Brasil. Era um pneu pesado, todo abiscoitado, de baixa pressão, 36 libras, que rodava mal, deformava e furava com certa facilidade, mesmo assim, provavelmente pelo preço, vendeu como água até pouco tempo.

Voltando à história dos pneus MTB, em 1991 a Specialised lança a RockHopper Comp primeira MTB para iniciantes do esporte com 24 marchas (Suntour) e pneus direcionais, ou seja, com desenhos diferentes na frente e atrás. O da frente com biscoitos mais próximos um do outro direcionados no sentido do rodar maior aderência nas curvas, e o de trás com biscoitos maiores e mais separados para melhor tração e frenagem na terra ou barro. Funcionavam maravilhosamente na terra, no asfalto só o da frente fazia algum sentido. A partir daí o mercado vai se transformar, as bicicletas MTB para iniciantes se sofisticam e os pneus vão ficar mais inteligentes, vão rodar mais fácil, vão ser menos motocross.
Surgem os pneus ditos mistos, com o centro da banda de rodagem contínuo para um rodar mais macio, agradável e rápido em terrenos firmes, incluindo terra. A diferença no pedalar para um abiscoitado é grande. 
Hoje a configuração direcional só é usada em competições profissionais, mas com um desenho da banda de rodagem menos agressivo do que no passado, e mesmo estes pneus têm biscoitos menores para melhorar o rendimento do ciclista.

Me ocorreu escrever esta pequena história, que talvez tenha incorreções, mas serve como referência, porque neste fim de semana pedalei no asfalto com um pneu semi profissional muito abiscoitado, típico dos velhos tempos, e fiquei espantado como trepida, como é impróprio para uso urbano, como é ruim no asfalto, e como deve ser lento também na terra. Não teria sido minha opção sequer em competições de MTB, sempre preferi pneus mais rápidos. E porque quando me lembro dos Levorin estilo Farmer John sinto arrepios.

Pedalar no molhado e na chuva

Pedalar na chuva ou com piso molhado demanda uma técnica diferente. Mais que o cuidado, o importante são os detalhes.
Não preciso dizer que o número de ciclistas pedalando na chuva é menor que no seco, mas tem aumentado muito. Creio que sei a razão para este aumento: com a menor chuva o trânsito piora muito e as viagens são intermináveis, mas para o ciclista o tempo de viagem continua praticamente o mesmo. Se não tiver vento forte dá para chegar praticamente seco, basta pedalar com calma, devagar, e estar com a capa correta. Não acredita? Será que todo europeu, nas cidades onde chove muito, chega encharcado no trabalho? Não, não chega. Dá para pedalar na chuva, basta fazer direito. E é divertido, lava a alma.

Técnicas de pedal no molhado:
  • começou a chover ou a molhar encosta bem de leve os dedos nos freios e continua pedalando para uniformizar a frenagem. Os primeiros metros no molhado são os mais perigosos porque é muito fácil travar as rodas. Encostando os dedos nos freios o aro molha por igual, limpa as gorduras e sujeiras, o que diminui a possibilidade de travamento. Aliás, esta operação deixa a frenagem muito mais suave, o que é ótimo no molhado.
  • seja suave no freio e nas mudanças de direção 
  • prenda bem o capuz da capa na cabeça para não atrapalhar sua visão
  • sinalize muito bem e com antecedência suas intenções, mudanças de direção ou frenagem. Faça isto para os motoristas, motociclistas e ciclistas
  • com chuva a visibilidade de todos, em especial a dos motoristas e motociclistas, diminui muito. Os espelhos laterais ficam menos visíveis. Guarde mais distância dos outros e tome mais cuidado em as reações. Um segredo é olhar para roda dianteira dos carros e motos para saber onde eles vão
  • os pedais escorregam mais, o chão também. Parece bobagem, mas não é. Pedale com suavidade, acelere devagar, suba colocando força nos pedais aos poucos.
  • cuidado para não cobrir o back light ou farol com a capa, o que é frequente.
  • evite passar sobre tampas metálicas e tome cuidado com pintura de solo. Algumas pinturas vermelhas de ciclovias são muito escorregadias. 
Sobre aderência e pneus:
  • pneu com biscoitos é projetado para uso na terra. Para uso urbano, no asfalto, não garante aderência como a maioria pensa. Pode até diminuir a aderência, dependendo o desenho dos biscoitos e borracha. Biscoito no asfalto só faz a bicicleta ficar mais lenta e jogar água para cima.
  • um bom pneu urbano é praticamente liso e tem um discreto desenho em recortes que desviam a água para os lados, melhorando a aderência
  • qualidade da borracha do pneu é que faz a diferença na aderência. Mais, borracha de qualidade roda melhor e fura menos 
Jamais se esqueça: Ciclismo (o bom ciclismo) é a arte da suavidade. No molhado mais suavidade ainda.

sábado, 17 de novembro de 2018

Quase um estacionamento fechado

Quero ir pedalando ao Parque Ibirapuera para ver a Bienal de São Paulo, mas não dá. Só dá se eu quiser voltar com duas bicicletas para casa. A probabilidade de uma bicicleta ser roubada dentro de qualquer parque paulistano é alta. Todo mundo sabe, inclusive o pessoal da Prefeitura e Secretaria Responsável, e não se toma qualquer medida. O correto mesmo seria o Parque do Ibirapuera ter um estacionamento para bicicletas fechado, mas como o parque todo é tombado isto não vai acontecer. Uma saída poderia ser estes paraciclos (fotos) que vi em Montreal que prendem com segurança quadro e as duas rodas, bastando usar um único cadeado ou trava U lock. Dificulta bem.
Não sei como será a lei de tombamento em relação a se construir um estacionamento de bicicletas no subsolo de um dos estacionamentos, o que o tornaria invisível e não interferiria com a obra tombada de Niemeyer. Custa dinheiro e ai... Ainda não temos a consciência para fazer cálculo de custo / benefício pensando "gastamos no estacionamento subterrâneo para as bicicletas, ganhamos na qualidade ambientas e de público, diminuímos os carros.... Custa agora, os benefícios indiretos não só pagam como valem a pena". Estamos aprendendo, ainda vamos chegar lá.
Os grampos amarelos que hoje estão instalados por toda a cidade, incluindo nos parques, são bons, mas pouco ou nada impedem o roubo. 


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Quando forma e função perde para a moda, o status

A forma segue a função; Louis Sullivan, arquiteto.

Resultado de imagem para safety bicycle 1885No fim do século XIX os fabricantes de bicicleta chegaram a conclusão que era muito mais sensato uniformizar o desenho das bicicletas. A partir daí o tamanho das rodas passou a ter um certo padrão, o que facilitou e diminui muito custos de fabricação de toda a bicicleta, não só das rodas. E os quadros passaram a ser em "diamante", o desenho clássico das velhas bicicletas masculinas. Neste ponto os fabricantes desembarcavam no bom senso da equação forma e função.Nos anos 60 o planeta decide se voltar para o sistema métrico, uma uniformização não só do sistema de medidas, mas de todo setor produtivo.
Resultado de imagem para schwinn MTB 1985A partir da metade dos anos 80 Shimano se impõe no mercado o que força a mais uma uniformização, eu diria racionalização, no setor das bicicletas, o que trouxe para a imensa maioria dos usuários da bicicleta inúmeros benefícios, principalmente uma melhora substancial na qualidade nas bicicletas populares.

Até a metade dos anos 90 maioria das bicicletas era fabricada com tubos de de aço ou cromo-molibdênio. O surgimento das Klein, em especial, fabricadas com tubos de alumínio de diâmetro umas duas vezes mais grosso que os de cromo-molibdênio iria transformar o setor da bicicleta para sempre por uma série de razões, uma em particular raramente é citada: num tubo grosso a marca da bicicleta fica mais visível e isto faz uma senhora diferença nas vendas. A saber, Klein é uma marca de alta tecnologia e fabricação limitada, que de uma certa forma revolucionou o uso do alumínio nas bicicletas. Na época eram levíssimas, maravilhosas de pedalar. Provavelmente nunca imaginaram aquilo fosse dar nisto.
Resultado de imagem para Klein MTB 1989E ai mesmo as bicicletas baratas fabricadas em aço começaram a ter os diâmetros dos tubos aumentados não só para parecer com as bicicletas de alumínio, que eram tidas como modernas e mais leves, como para expor melhor a marca do fabricante. O diâmetro maior do tubo de alumínio se deve às suas propriedades mecânicas. Aço é mais resistente o que permite tubos que se obtenha a mesma resistência com tubos mais finos. Quando se aumenta o diâmetro de um tubo de aço para parecer com um tubo de alumínio o que se tem é um acréscimo de peso, o que é ruim para o ciclista, mas bom para a venda, bom para o fabricante. O ciclista compra porque acha bonito, chique, ou que vai ganhar status entre os amigos.

Resultado de imagem para mtb com aro aeroComo a maioria dos compradores de bicicleta é leigo acabam comprando gato por lebre. A história dos tubos grossos foi só o começo do abandono do melhor em nome do status que vende. Depois vieram os aros "aéro" de parede mais larga, portanto mais pesados, o que deixa a bicicleta mais lenta e pesada para pedalar. Um aro de parede simples e fabricado em bom alumínio quando bem centrado é tão resistente quanto um aéro, mas muito mais leve. E o fator aéro, ou seja aerodinâmico, não tem nenhum valor para ciclistas normais porque são pouquíssimos que conseguem manter uma velocidade onde a aerodinâmica faça alguma diferença. Enfim, enganação. O que vale mesmo é o status do nome do fabricante bem estampado no largo aro. Para o fabricante é ótimo. E já faz tempo embarcamos nos quadros com desenhos hidroformes, o que demanda processos de fabricação sofisticados que provavelmente só se justificam em bicicletas para esportistas e profissionais.
Imagem relacionadaHoje o mercado de é feito de marcas, de modas e status, não só o de bicicletas. Muito da inteligência contida na equação forma e função foi deixado de lado. O lado bom é que num país tão apegado ao status, com uma larga tradição do "sabe com quem está falando", isto vende, o que tem aumentado muito o número de ciclistas pedalando, principalmente entre a classe média e alta.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Recuperar uma bicicleta parada há muito

Ontem mais uma vez me pediram para recuperar duas bicicletas que estavam jogadas há muito na garagem. Estavam meladas pela poluição dos escapamentos, uma tristeza, e com pneus vazios. São bicicletas simples, básicas, mas plenamente usáveis. Dá raiva vê-las nesta condição. Infelizmente temos mais bicicletas jogadas nas garagens que rodando.

É muito difícil encontrar uma bicicleta que com certos cuidados não dê para sair rodando. Pneu cheio, vai estar dura, as marchas não vão passar como devem, os freios vão arrastar no aro, mas vai rodar. Recomendo limpar a bicicleta com pano úmido com água ou um removedor diluído até para não sujar mão e roupa nos passos seguintes.

Encha os pneus com bomba de mão e de uma voltinha na garagem mesmo para ver como ela está funcionando. Pneus normalmente enchem mesmo quando ficaram parados muito tempo. Se restar um pouquinho de ar na câmara ela não deve estar furada. Antes de encher: bico de câmara sempre perpendicular em relação ao aro ou vai cortar. Se não estiverem, com o pneu vazio segure com uma mão no aro e outra no pneu e rode lentamente até o bico ficar perpendicular. 
É importante levar em consideração que um pneu que ficou vazio muito tempo sofre deformação, portanto, com uma bomba de mão vá colocando pressão aos poucos olhando como ele volta à forma. É comum o pneu sair do aro em algum ponto, mas basta recoloca-lo e continuar enchendo. Pare de encher ainda com o pneu meio mole, com pressão suficiente só para um breve teste.

Como está a corrente? Se ela estiver solta, lubrificada, não faça nada. Vai estar um pouco dura, mas com algumas pedalas volta ao normal. Se estiver presa ou passe um WD 40 ou, melhor, uma gota de óleo fino em cada elo. Caso necessário segure com um pano e mexa até soltar. Vai dar para experimentar a bicicleta. Se a corrente estiver completamente travada a coisa toda está muito feia e só vai ser resolvida na bicicletaria.

Há uma possibilidade que as marchas não funcionem como devem e os freios fiquem roçando os aros. Se forem de boa qualidade, Shimano por exemplo, a graxa vai estar mais grossa, mas com uso volta ao normal, pode acreditar. É uma questão de paciência, talvez demore um pouco, mas volta. Se continuarem chatos é possível que o problema esteja nos cabos e conduítes, mas também dá para resolver com jato de WD 40 dentro do conduíte. Feito isto, enche um pouco mais os pneus e sai para pedalar.

Freios: Cantilevers ou "V" brakes trabalham tendo o boss como eixo. Se estiverem travados basta uma gota de óleo em nos parafusos dos boss e pronto. Mexa o freio com a mão e vai entender o que falo. Depois de lubrificado cada parafuso basta ficar mexendo para lá e para cá os quatro braços das sapatas de freio que soltará. 

Limpeza, encher pneus, checar corrente, rodar na garagem; caso necessário um pouco de paciência com câmbio e freios; e pronto, você tem a bicicleta de volta.

Bicicletas importadas ou de boa qualidade só com o encher o pneu vão sair rodando meio durinhas, mas rapidamente voltam ao normal. Bicicletas básicas são bem mais chatinhas e demandam boa dose de paciência e carinho, mas também voltam ao normal.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Garfo torto nunca

Tem diminuído o número de bicicletas circulando com o garfo torto, o que é uma ótima notícia, muito melhor do que possa parecer a princípio. Revela que os ciclistas estão bem mais sensíveis a qualidade do rodar da bicicleta por um lado e que diminuíram os choques frontais, ou seja, os ciclistas aprenderam a pedalar com mais segurança.
Não faz muito tempo era impossível fazer uma análise destas porque era comum bicicletas saírem de fábrica com garfos desalinhados. Durante alguns anos esta foi uma regra, e não era pouco. Os garfos chegavam a estar quase um centímetro fora do alinhamento correto. É fácil ver. Olhando por trás a bicicleta principalmente quando está rodando as rodas apoiam no chão uma para cada lado. O correto é que a roda da frente fique escondida pela roda traseira. Não é só uma questão estética, mas de segurança. Em alguns casos é impossível largar o guidão porque a bicicleta dispara para o lado. Para o ciclista este rodar torto pode levar a dores na coluna, ombro, braço ou mãos.
Garfos fabricados com material impróprio, muito mole, ou com tubos de diâmetro aquém do recomendável também entortam fácil, "indo para trás", o que muda o comportamento da bicicleta deixando-a menos estável. Alguns garfos não precisam sequer de pancada para deformar, o que é um absurdo.

O pior tombo que um ciclista pode sofrer é a quebra do garfo. O ciclista enfia a cara no asfalto sem tempo de qualquer reação. Não adianta capacete porque o impacto será na face ou, muito pior, no maxilar. Afundamento de maxilar é causa de inúmeros óbitos de ciclistas. Conheço vários casos de ciclistas que quebraram maxilar e dentes e tiveram que passar por tratamentos longos, caríssimos, e mesmo assim nunca mais voltaram ao normal. Com garfo não se brinca. Mantenha a frente de sua bicicleta sempre em perfeita condição de uso, principalmente o garfo.