terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Canela ferida pela coroa: um pequeno corte, uma grande encrenca

Feriu? Arranhou? É coisa pequena? Acompanhe a evolução. Ficou estranho, o local ficou quente, vá direto para o médico.

Esta é minha história:
Quando destravei a bicicleta da grade ela se movimentou rapidamente e a coroa bateu com força na minha canela. Senti a dor, olhei para a canela, não vi nada demais, só um pouco de sangue, nada demais. Foram três pequenos cortes que quase não sangravam. Guardei a trava, subi na bicicleta e fui embora.
Quando cheguei em casa tomei um chuveiro, peguei uma escovinha com sabão e limpei bem os pequenos cortes. Só aí percebi que um deles o dente da coroa perfurou a pele e foi um pouco mais fundo. Escovei e desinfetei bem, como sempre faço. No dia seguinte quando fui repetir a limpeza fiquei assustado com o início de infecção que se espalhava rapidamente. Ficou claro que a coroa não só perfurou a pele, mas penetrou bem mais profundo do que imaginei.
Deixei a água correr e escovando suavemente até amolecer a casca que se formou, abri a ferida levantando o pequeno pedaço de pele que já estava preto. Mais escova com bastante sabão e água correndo. Água oxigenada, deixei secar, pomada de arnica. Repeti a operação mais duas vezes, uma a cada 12 horas. A ferida agora está normal, sem infecção.
Noite seguinte. Não, não está normal, a infecção voltou. A limpeza que fiz, cuidadosa como sempre, não foi suficiente. Só com lupa consegui ver a gravidade do corte que talvez tenha chegado ao osso. Nova limpeza, maiores e mais seguidos cuidados, Nebacetin na ferida, gelo na perna a cada 3 horas. Caso não reverta até amanha cedo vou a um pronto socorro.
Bom dia. Melhorou muito. Quase saiu do controle. O segredo, como sempre foi abrir a ferida e limpar fundo, o que sempre faço, só que desta vez o corte na pele era pequeno em comparação ao estrago que a coroa fez por dentro. 
Confesso que fiquei assustado. Um amigo teve um corte destes também na canela e achou que resolvia com água oxigenada e mertiolate, não acompanhou a evolução da infecção e quando parou no médico estava muito próximo de uma amputação. A infecção demorou meses para ser contornada. 

Antes de tirar o cadeado trave a bicicleta pisando na roda ou usando a perna para que ela não se movimente depois de solta. Parece besteira, mas acontece de parada bicicleta e ciclista até desmontado acabarem no chão. Os ferimentos podem ser sérios, de cortes aparentemente inconsequentes como o que tive ao guidão entrando na barriga, situação ocorrida com duas amigas, uma delas bem séria, terminando numa longa estadia em hospital.

Os piores tombos são os mais bestas e idiotas imagináveis. Bom ciclista é aquele que tem disciplina em qualquer ação e chega em casa são, salvo, livre, alegre e feliz.
Cuidem-se!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Sair atrás de ladrão de bicicleta

Dá para ir atrás de ladrão de bicicleta? Conforme a situação dá. Provavelmente não se foi você que perdeu a bicicleta e ficou a pé sozinho no meio da rua, mas se viu o assalto, não quer que a situação se repita, até por que a próxima vítima pode ser você, ir atrás é algo a se pensar. Só precisa saber a diferença entre reação e bancar o herói, que normalmente é uma burrice sem tamanho.

"Salve-se quem puder", "Problema dele", "Não se mete nisto", dentre outras são preferencias nacionais. O resultado é claro, está ai: Brasil, um dos países mais violentos do planeta. Baixa criminalidade decorre da vigilância e ação da própria sociedade, o que definitivamente nada tem a ver com encher de porrada ou sair dando tiro por aí.

Como reagir?

  • Para quem não quer se envolver diretamente ligar imediatamente para a Polícia e dar a melhor descrição possível do ocorrido, do criminoso e do local exato do crime, se possível para onde o criminoso está indo. 
  • Se quiser reagir na hora o faça a distância, de preferência sem ser percebido pelos ladrões ou assaltantes. Se você foi a vítima, fique calmo, não reaja, deixe o ou os ladrões se afastarem. Se possível e procure acompanha-los de longe, meio quarteirão de distância, sendo o ideal uns 100 metros, quarteirão inteiro. E só faça isto se tiver certeza absoluta que no caso de ser percebido e houver reação por parte deles você terá tempo e forças para fugir. Se ele assaltou uma bicicleta de estrada e você está numa bicicleta básica provavelmente não conseguirá fugir. Se você tem 40 anos e pouco treino e o ladrão tem 16 e é sarado você também não escapará de uma reação. Portanto pense bem. Inteligente mesmo é seguir até entender para onde ele está indo ou foi, e aí ligar para a Polícia dando informações.
  • Fazer B.O., o que infelizmente a maioria não faz. B.O. é peça fundamental para que a Polícia tenha conhecimento das ocorrências, faça estatísticas e possa atuar com conhecimento, antecipação e inteligência.  
  • Uma ótima forma de reação é não comprar o que tem preço completamente fora da realidade. E denunciar o que não faz sentido. 
Roubo de bicicleta parece um crime menor, mas definitivamente não é. Alimenta uma violência muito maior por que sustenta a base da piramide do crime. Tem que reagir? Sim, tem que reagir. Com inteligência, de preferência preservando sua própria integridade e sem sair dando tiros por ai. Deixe isto para a Polícia.

Equidade depende da vigilância e ação correta de cada um e de todos, independente da ideologia ou religião. Ir atrás, reagir, denunciar, pegar, julgar com inteligência, condenar e fazer pagar pelos delitos sem abusos e com sabedoria é o que diferencia países socialmente justos. O contrário cria abismos sociais. Bang bang provou-se improdutivo desde o faroeste, e isto faz tempo, muito tempo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Final do Campeonato de Pista em Indaiatuba. Quem viu? Quem soube?

As fotos a seguir são da final do Campeonato Brasileiro de Pista realizado no Velódromo de Indaiatuba. Pergunto: Quem soube desta final? O que aconteceu? Pergunto: Quem sabe o resultado da final da Copa Libertadores da América disputada em Barcelona, Espanha?

Na arquibancada do velódromo de Indaiatuba tinham umas 100 pessoas, se tanto. Ok, estive lá na sexta-feira, dia das semifinais, mesmo assim... Provavelmente nas finais que foram disputadas no sábado devia ter mais público, mesmo assim...

"Brasil, o país do futebol". Para começar, não somos mais o país do futebol no cenário mundial. Tem muito país melhor que o Brasil. Somos respeitados, nada além disto. 
Aqui dentro só se fala e ouve sobre futebol. Os programas de rádio e TV tem como chamativo a palavra "esportes", mas esportes pode ser traduzido em futebol e só. De vez em quando sai um espirro sobre outro esporte e pronto, basta, de volta ao futebol. Por pior que seja o campeonato... futebol!

Quantos ciclistas temos circulando no dia a dia deste país? Já tivemos 40 milhões não faz muito, segundo levantamento oficial, hoje devemos ter um pouco menos porque muitos migraram para a motocicleta, mesmo assim todos dizem que o veículo mais usado no Brasil deve ser a bicicleta. Tem muito mais gente pedalando que jogando futebol, isto é certo. E o que é divulgado sobre ciclismo esportivo? Zero. Triste!

Ver uma prova de pista é emocionante, até para quem não entende. As disputas são intensas do princípio ao fim. É das provas de ciclismo mais divertidas, se não a mais divertida de se ver. Falta divulgação não por falha dos organizadores, mas por que a população só quer ouvir falar sobre futebol. Cai bem aquela velha frase "futebol, o ópio do povo". Pura verdade. 
Descubra outros esportes. Quem descobriu definitivamente não se arrependeu. 
A bicicleta está na alma do brasileiro. 






segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Pneus abiscoitados no uso urbano, um contrassenso

Pneu com biscoitos grandes e separados, próprio para uso esportivo na terra, é uma opção normal e aceita por quem pedala na cidade, mas isto está mudando. Dependendo do desenho da banda de rodagem e dos biscoitos não faz nenhum sentido pedalar com eles no meio urbano. Aliás, a bem da verdade se não for em competições muito específicas não vale a pena seu uso na nem na terra. 
Não sei de onde o povo tirou que usar pneu com biscoito no meio urbano é mais seguro, dá mais aderência, mas chuto que tenha a ver com corridas de automóvel, da F1, Fórmula 1, uma paixão nacional. De fato, a 300 km\h e na busca do menor tempo possível faz toda diferença usar pneu liso no seco ou com biscoitos no molhado, mas pedalando uma bicicleta a 25 km\h não faz. No meio urbano, com piso firme, regular, e até em estrada de terra batida, pedalar com biscoitos grandes e separados não faz sentido. Dependendo da qualidade da borracha e do desenho da banda de rodagem, que é o que realmente importa, biscoitos podem até diminuir a aderência e a segurança do ciclista. 

Quanto mais suave roda o pneu, mais fácil roda a bicicleta e menor o esforço do ciclista, portanto maior a segurança. O ideal para pedalar no asfalto e até na terra batida é um desenho quase liso, com pequenos sulcos para escoamento da água e sujeira, como areia, e que o centro da banda de rodagem seja contínuo. Repito: biscoitos grandes e separados para ciclista amador é ruim em todos sentidos. Mais, os ciclistas do mountain bike profissional estão usado uns pequenos biscoitos que fazem pouca diferença no rodar da bicicleta.

A história dos pneus foi regrada pelo uso urbano até o surgimento do mountain bike nos Estados Unidos no meio da década de 80. O MTB (mountain bike) cresceu muito por causa das competições e seus heróis, o que levou uma massa de iniciantes a ir para a terra se divertir. Virou chique ter uma MTB com perfil de terra, ou seja, ter pneus cheios de biscoitos. Mais um menos a mesma coisa que ter uma SUV, ótima para o campo, mas que nunca sai da cidade, um contrassenso.
A Specialized começou e teve sucesso como fabricante de pneus e quando foi para o MTB logo introduziu no mercado o Ground Control em 1989, um pneu abiscoitado, excelente, um dos melhores que experimentei, o que levou o mercado todo a uma concorrência pesada. Specialized saiu ganhando os primeiros campeonatos de MTB, o que fortaleceu mais ainda seus produtos, incluindo seus ótimos pneus. Cada fabricante tinha seu próprio pneu, suas próprias verdades, praticamente todas voltadas para uma prática de MTB esportivo, num marketing de MTB profissional, até nos produtos mais básicos. OK, as bicicletas básicas vinham com pneus com desenho mais urbano, mas com um sonho de MTB daqueles cheios de aventura, terra, barro, derrapagens, descidas perigosas...
E surge o mítico campeão John Tomac, muito forte, de técnica refinada, que gosta de usar um pneu muito abiscoitado. Logo será colocado no mercado um modelo com sua assinatura, o Farmer John. Não foi sucesso de vendas, mas por força de concorrência influenciou vários fabricantes, incluindo a Levorin brasileira que inicia  a fabricação de uma cópia (?) que vira o carro chefe de praticamente todas as bicicletas básicas e baratas fabricadas no Brasil. Era um pneu pesado, todo abiscoitado, de baixa pressão, 36 libras, que rodava mal, deformava e furava com certa facilidade, mesmo assim, provavelmente pelo preço, vendeu como água até pouco tempo.

Voltando à história dos pneus MTB, em 1991 a Specialised lança a RockHopper Comp primeira MTB para iniciantes do esporte com 24 marchas (Suntour) e pneus direcionais, ou seja, com desenhos diferentes na frente e atrás. O da frente com biscoitos mais próximos um do outro direcionados no sentido do rodar maior aderência nas curvas, e o de trás com biscoitos maiores e mais separados para melhor tração e frenagem na terra ou barro. Funcionavam maravilhosamente na terra, no asfalto só o da frente fazia algum sentido. A partir daí o mercado vai se transformar, as bicicletas MTB para iniciantes se sofisticam e os pneus vão ficar mais inteligentes, vão rodar mais fácil, vão ser menos motocross.
Surgem os pneus ditos mistos, com o centro da banda de rodagem contínuo para um rodar mais macio, agradável e rápido em terrenos firmes, incluindo terra. A diferença no pedalar para um abiscoitado é grande. 
Hoje a configuração direcional só é usada em competições profissionais, mas com um desenho da banda de rodagem menos agressivo do que no passado, e mesmo estes pneus têm biscoitos menores para melhorar o rendimento do ciclista.

Me ocorreu escrever esta pequena história, que talvez tenha incorreções, mas serve como referência, porque neste fim de semana pedalei no asfalto com um pneu semi profissional muito abiscoitado, típico dos velhos tempos, e fiquei espantado como trepida, como é impróprio para uso urbano, como é ruim no asfalto, e como deve ser lento também na terra. Não teria sido minha opção sequer em competições de MTB, sempre preferi pneus mais rápidos. E porque quando me lembro dos Levorin estilo Farmer John sinto arrepios.

Pedalar no molhado e na chuva

Pedalar na chuva ou com piso molhado demanda uma técnica diferente. Mais que o cuidado, o importante são os detalhes.
Não preciso dizer que o número de ciclistas pedalando na chuva é menor que no seco, mas tem aumentado muito. Creio que sei a razão para este aumento: com a menor chuva o trânsito piora muito e as viagens são intermináveis, mas para o ciclista o tempo de viagem continua praticamente o mesmo. Se não tiver vento forte dá para chegar praticamente seco, basta pedalar com calma, devagar, e estar com a capa correta. Não acredita? Será que todo europeu, nas cidades onde chove muito, chega encharcado no trabalho? Não, não chega. Dá para pedalar na chuva, basta fazer direito. E é divertido, lava a alma.

Técnicas de pedal no molhado:
  • começou a chover ou a molhar encosta bem de leve os dedos nos freios e continua pedalando para uniformizar a frenagem. Os primeiros metros no molhado são os mais perigosos porque é muito fácil travar as rodas. Encostando os dedos nos freios o aro molha por igual, limpa as gorduras e sujeiras, o que diminui a possibilidade de travamento. Aliás, esta operação deixa a frenagem muito mais suave, o que é ótimo no molhado.
  • seja suave no freio e nas mudanças de direção 
  • prenda bem o capuz da capa na cabeça para não atrapalhar sua visão
  • sinalize muito bem e com antecedência suas intenções, mudanças de direção ou frenagem. Faça isto para os motoristas, motociclistas e ciclistas
  • com chuva a visibilidade de todos, em especial a dos motoristas e motociclistas, diminui muito. Os espelhos laterais ficam menos visíveis. Guarde mais distância dos outros e tome mais cuidado em as reações. Um segredo é olhar para roda dianteira dos carros e motos para saber onde eles vão
  • os pedais escorregam mais, o chão também. Parece bobagem, mas não é. Pedale com suavidade, acelere devagar, suba colocando força nos pedais aos poucos.
  • cuidado para não cobrir o back light ou farol com a capa, o que é frequente.
  • evite passar sobre tampas metálicas e tome cuidado com pintura de solo. Algumas pinturas vermelhas de ciclovias são muito escorregadias. 
Sobre aderência e pneus:
  • pneu com biscoitos é projetado para uso na terra. Para uso urbano, no asfalto, não garante aderência como a maioria pensa. Pode até diminuir a aderência, dependendo o desenho dos biscoitos e borracha. Biscoito no asfalto só faz a bicicleta ficar mais lenta e jogar água para cima.
  • um bom pneu urbano é praticamente liso e tem um discreto desenho em recortes que desviam a água para os lados, melhorando a aderência
  • qualidade da borracha do pneu é que faz a diferença na aderência. Mais, borracha de qualidade roda melhor e fura menos 
Jamais se esqueça: Ciclismo (o bom ciclismo) é a arte da suavidade. No molhado mais suavidade ainda.