sábado, 4 de fevereiro de 2017

Fiapo de cabo dentro do passador de marchas

Tenho uma Haro Flighlight de uns 15 anos que é uma das melhores bicicletas que tive na vida. Tem um grupo Shimano STX de 8 marchas que é preciso, seguro, delicioso. 
Um dia começou a trocar as marchas sem precisão. Chequei o cabo traseiro e vi que estava desfiando na ponta dentro do passador de marchas. E ai fiz uma besteira sem tamanho: cortei o cabo muito próximo a ponteira. Por que foi um erro? Porque encheu de fiapos de cabo o mecanismo do passador. Achei que tinha conseguido retirar todos fiapos. Ledo engano e cegueira de velhice, na ordem que bem entendam. Montei o cabo novo, lubrifiquei tudo, fiz o primeiro ajuste e fui para rua fazer o ajuste fino. Funcionou. Passados uns dias as trocas de marchas começaram a enlouquecer, num momento imprecisas, noutro normal, noutro não engatava alguma marcha específica... Se tinha tirado todos os fiapos de cabo do passador o problema deveria ser outro, quem sabe a corrente nova, quem sabe engrenagens desgastadas, ou alinhamento do câmbio, roldanas presas, arreia nos conduítes.. Chequei tudo, quase enlouqueci. Até a hora que decidi abrir a caixa do passador de marchas e olhar o mecanismo com uma lupa - e lá estava ele, o último fiapo grudado na graxa. Retirado o fiapo, resolvido o problema. De volta às trocas macias e precisas. 

Moral da história: a ponteira do cabo de cambio começou a desfiar? Tira o conduíte e corta o cabo longe da ponteira, uns 10 cm de onde está desfiado. É praticamente impossível sobrar, ou ficar invisível, um fiapo de 10 cm no meio de qualquer engrenagens.

PS.: só use cabo de câmbio em inox da melhor qualidade possível. Os da Shimano são ótimos. As trocas de marchas serão muito mais precisas e a durabilidade... Bom, desta Haro estavam rodando faz 15 anos.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

pequena história da Specialized no Brasil

Sabe me dizer o ano da specialized/caloi no brasil? 1996? 1997?
V.G.

Specialized começou a operar no Brasil com os irmãos Drangër, Roberto e Luiz, em 1989 e o negócio foi muito bem sucedido devido a massiva venda via Brasif / Free Shop. Em 1992 foi efetivado um acordo com a Caloi que passou a fazer a importação e logo em seguida a produção das Hard Rock, ainda com a Imporparts dos Drangër. Creio que em 1994 os Drangër saíram da operação que passou a ser só Caloi. Uns anos depois a marca passa para a Pedal Power ou a importadora deles e só então acontece a entrada definitiva da marca no Brasil.
Good Bike 1990, primeiro test drive da Specialized.
Specialized Cactus Cup, 1992, tenda principal
Specialized Cactus Cup 1992. Roberto e Luiz Dranger

 


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Bicicleta muito tempo parada e trocadores de marchas emperrados

Mais uma vez recebi uma bicicleta dos anos 90, no caso 1994, com os trocadores Acera de 8 marchas meio emperrados. Olhando a bicicleta fica claro que ela ficou jogada muito tempo em algum canto. A bicicleta está perfeita, roda suave, é precisa, mas as trocas de marchas não funcionam como deveriam. Você aciona o botão para uma marcha mais pesada e só depois de um tempo é que a troca de marcha acontece. 
A maioria das bicicletaria vai dizer "Revisão completa, troca de pneus que são muito velhos e vão estar ressecados. (e o golpe final) Estes passadores de marchas não funcionam mais". Não é bem assim. 
Começando pelos passadores de marchas. Se estiverem lentos ou mesmo meio emperrados podem ter jeito. Aliás a maioria tem jeito. Como? Saia para pedalar e fique trocando as marchas sem parar, sobe, sobe, sobe, sobe... sobe a marcha, desce, desce, desce... desce a marcha, até o passador voltar a funcionar. Pode demorar um tempinho até ele voltar a funcionar perfeitamente, mas normalmente volta. Caso esta operação não tenha resolvido por completo espirre um pouco de WD 40 ou similar dentro do passador, no mecanismo, e repita a operação que descrevi acima. Dificilmente os passadores não vão voltar a funcionar perfeitamente.
Eu não troco um Shimano Acera daquela época, década de 90, por um novo. Tive o mesmo problema numa de minhas bicicletas, demorou um pouco para voltar ao normal, mas valeu a pena, as trocas de marchas são ótimas e estes trocadores vão durar muito, muito mesmo.
"E os cabos, a graxa velha não prende e atrapalha as trocas de marchas?" Pode até acontecer, mas é muito difícil. Normalmente a graxa de passadores é que deixam a troca de marchas lento. 

Bom, já que citei a troca dos pneus, vamos lá. É lógico que envelhecem e ressecam, mas não vale a pena trocar assim sem mais nem menos. Encha os pneus com bomba de mão e coloque a pressão mínima, normalmente 40 libras. Rode com eles e veja como se comportam. O cuidado que se deve ter é não colocar pressão alta e evitar calibra-los numa bomba de posto de gasolina. As câmaras? Tive várias que duraram mais de 20 anos. Quando o conjunto pneu / câmaras está muito ressecado é porque a bicicleta ficou exposta ao sol ou em local muito quente. Provavelmente o selim também deve estar seco, rasgado, quebradiço. Triste! Ai é melhor pensar numa revisão completa.

Bicicletas dos anos 90 são bicicletas de uma época de ouro. A qualidade desta época no geral era primorosa. Eram feitas para durar, durar, durar... Não troque nada, não vale a pena. Só troque se não tiver jeito mesmo.

Tire o pó, encha com cuidado os pneus e saia pedalando. Ela deve funcionar maravilhosamente.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Pequeno exemplo de qualidade - Swatch



Meu Swatch caiu no chão e soltou o ponteiro de segundos. Coisa raríssima em qualquer relógio e principalmente nos relógios desta marca, feita ´para o dia a dia de muitos desaforos. Fui a uma loja da Swatch, falei sobre o problema e eles disseram que como o relógio era praticamente novo, portanto na garantia, e que seria trocado por um novo bastando apresentar a nota fiscal. É óbvio que joguei fora a nota fiscal e garantia exatamente deste Swatch. A dos outros, mesmo com garantia vencida, estavam em casa. Voltei à loja, avisei que tinha perdido a garantia, mesmo assim pedi que o relógio com defeito fosse enviado para a fábrica. A atendente recebeu o relógio e anotou na nota de serviço “em garantia, porém perdida”. Avisei que estava consciente que sem a nota de compra não tinha qualquer direito. Estava querendo que o controle de qualidade da Swatch entendesse as razões do defeito. Menos defeito, menos descarte, menos danos ambientais...
Passado um tempo recebi uma mensagem pelo Whatsapp pedindo que fosse à loja para receber um relógio novo.
Qual a moral desta história: Qualidade. Ponto! Precisa mais?
Swatch: produzem relógios divertidos, simples, funcionais, quase individualizados e que funcionam por muitos anos, décadas, perfeitamente, e tem um preço honesto.
No meu caso, provavelmente como em casos semelhantes, a Swatch fez o que o bom senso recomenda: assumiu o problema e agradou o cliente. É assim que deveria ser com tudo. Só através da qualidade, e o que aconteceu foi um ótimo exemplo de qualidade, é que vamos fazer tudo melhor, viver melhor. Qualidade, ponto!

Infelizmente esta não é a regra. Bom exemplo oposto a esta situação que passei com o Swatch vem, no geral, do mercado de bicicletas no Brasil. Quantas bicicletas são vendidas? Quantas dão defeito? Quantas apresentam defeitos ridículos? Quem assume os defeitos, principalmente nas bicicletas mais baratas? Normalmente o comprador. Deprimente. O mercado comprador aceita má qualidade, simples e deprimente.
Ninguém duvida que bicicleta é um veículo, portanto não pode apresentar qualquer defeito ou problemas de funcionalidade. Tem que funcionar perfeitamente por uma simples razão: segurança do ciclista. Ninguém parece preocupado.
Infelizmente é dificílimo, quando possível, o diálogo com os fabricantes de bicicletas no Brasil. Não culpo só eles. A maioria dos compradores e usuários das bicicletas se recusa a pensar com qualidade. Fazendo isto sacaneiam com a bicicleta, com os ciclistas, com a cidade, com o planeta..., sacaneiam os próprios sonhos e desejos.

Repito o que falei e escrevi milhão de vezes: uma bicicleta com um mínimo de qualidade tem que durar no mínimo uma década de uso intenso. É lógico que se tem que fazer manutenção, trocar corrente, sapata de freio, pneus, lubrificar, coisas básicas, mas defeito, mal funcionamento, isto não pode acontecer, e não acontece numa bicicleta que tenha qualidade. E numa bicicleta honesta, de qualidade, não acontece, ponto!
A única saída que temos para este planeta é o povo entender que ou temos qualidade em tudo ou temos qualidade em tudo. Vale principalmente no Brasil, país sem menor pendor para a qualidade. Qualquer outro caminho é suicídio coletivo. Não é difícil entender o porque, mas se fosse necessário enumerar razões este artigo nunca acabaria. Acredito que até os problemas políticos, ideológicos, religiosos, e outras esquizofrenias mais que estão incendiando o planeta, praticamente desapareceriam com a aplicação de qualidade. Qualidade, simples.