Voltando para casa, vento em popa, pedalando rápido (para quem sou hoje), passa por mim uma bicicleta de estrada, as que hoje ganharam nome 'in', speed, amarela, de cromo molibdênio, clássica, garfo cromado, e no tubo inferior a marca: "Moser".
- Uau! Uma Moser! Cara, que chique!, gritei eu e o ciclista diminuindo a pedalada confirmou, uma Moser de verdade. E emparelhamos. Uma Moser provavelmente do final dos anos 80, creio 88 ou 89, cachimbada, com shifter nos manetes, mas ainda com adaptador de cabos no lugar das alavancas de câmbio no tudo inferior originais, algo que começou a desaparecer das bicicletas de estrada a partir do lançamento do Shimano STI/Dual Control em 1990. Que bicicleta!
- Eu queria mesmo uma Caloi Eddy Merckx, mas não consegui. Um dia entrei na bicicletaria do Alberto que me disse que tinha este quadro que ninguém queria, que estava encalhado. Eu quis e ele montou para mim; disse Antônio.
E viemos tendo uma ótima conversa, ele, muito gentil, diminuiu a velocidade para me acompanhar. Quase chegando na minha rampa de saída pergutei seu nome e quando disse o meu ele me perguntou se eu era da Bicisport, revista onde escrevi entre 1988 e 1990. Elogiou minhas matérias e eu, em tom de brincadeira, dei um tadinha nas costas dele e disse que só louco gostava daquilo. Ele não entendeu bem.
Um pouco mais a frente nós separamos. Boa gente. Deveria ter convidado para futuras pedaladas. Muitas histórias para contar, as dele.
Cheguei em casa e mais uma vez me recriminei por sempre jogar com um humor de fio de navalha. No caso, um comentário sobre meus textos na Bicisport, que não faz muito reli e confesso que não gostei nem um pouco. Com o bom papo com Antônio passei a pensar o porquê do sucesso daqueles meus textos. Tenho até algumas teorias iniciais. Preciso reler tudo e pensar. A única certeza, eu mudei, e como. E mudou tudo, principalmente as bicicletas e os ciclistas.
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