É voz comum entre as mulheres que homens são difíceis companheiros no pedalar. Tenho anos pedalando com todo público, principalmente mulheres, e assino em baixo a reclamação - pertinente - delas. Como Teresa D'Aprile disse na entrevista que ela e mais quatro meninas (senhoras - fala baixo se não me matam) deram para o canal Central do Pedal, homem é mandão, "...acelera, freia, vai!, faz a curva...". Eu próprio cansei de ver e ouvir os caras enchendo o saco de suas mulheres, namoradas ou amigas no pedal. Eu entendo, eu sei. O que Teresa sempre diz, nesta e em todas as entrevistas, está absolutamente certo, os caras são são chatos, um saco! Começando por mim - com a própria Teresa.
Se viram a divertida entrevista para a Central do Pedal das meninas (senhoras) do Saia na Noite, ouviram de Teresa sobre sua participação, aos 50 anos, na prova de Nove de Julho, uma merecida cortesia da organização. Teresa largou no fundão, queria só dar uma volta no circuito, em volta do Campo de Marte, Santana, pedalando atrás do pelotão feminino. Largaram as meninas, vi Teresa sair atrás, mas junto. O pelotão fez a avenida do Anhambi e dobrou para a av Braz Leme, com Teresa atrás, junto com as últimas. E, senta, que lá vem história. Neste acesso para a Braz Leme Teresa pegou uma tacha de sinalização (confessou que coçavao nariz) e foi pro chão. Logo chegou a ambulância. "A senhora está bem". "Estou. Tira mão de mim", se levantou, pegou a bicicleta, saiu atrás do pelotão e alcansou o fundão. Detalhe, todas as meninas de bicicleta de estrada e Teresa com uma Specialized Rock Hopper Comp com pneus 1.5, todo resto original. E uma diferença de idade de uns 20 anos ou mais velha. Só quem pedala para valer sabe o absurdo que Teresa fez. Para mim foi só mais uma das histórias - reais - que dona Teresa D'Aprile fez pedalando. Eu estava esperando ela chegar um pouco mais atrás das meninas do fundão, que para minha surpreza chegaram quase juntas com as do pelotão da frente e as vencedoras, e Teresa na cola, jána frente de algumas. Sorrindo, sangrando, arranhada, olhou para mim e bufando disse "Foi um tesão".
Sim, fui um chato, um saco para Teresa. Santo de casa não faz milagres. Pelo menos ensinei a mudar as marchas com precisão e manter a cadência correta para cada situação, aí ela beira a perfeição, mais, com uma força e capacidade física fora do normal. Pena que começou muito tarde, aos 42 anos. E pena que não se aprofundou. A culpa não é só minha.
De minha parte fico triste porque fui um saco. Ela nega, mas eu reconheço, sei meus erros e minhas irritações improdutivas com ela, a ineficiência das minhas dicas mal faladas, mal dadas, mal ensinadas. Funcionou com muitos, mas santo de casa... Teresa foi uma égua puro sangue que não aceitou derrota - ao seu jeito. Os inúmeros homens que ela fritou pedalando - literalmente - que o digam.
Solto este texto como um educador, e como educador coloco com todas letras: não é o outro que não aprende e faz certo; é você que não sabe ensinar. Isto vale não só para mulheres, mas todo e qualquer companheiro de pedal iniciante ou não. Mulheres, por diversas razões, costumam sofrer mais.
Tenha paciência. Saiba olhar, ver, entender, e estabelecer um passo a passo. Aliás, para começar se pergunte: onde é o que faço errado? Todos nós fazemos, todos erramos, e a maioria não reconhece seus próprios erros. Por que o outro não pode errar, ter seus limites?






