Ontem, no final do passeio, água de coco, dei com uma menina parada ao lado com uma Kona 26 ano 2009. Eu babei na bicicleta. Quase topo de linha, inteirinha, muito bem conservada, fucionando perfeitamente, pneus um pouco gastos, prova que já foi bem rodada.
- Estou pensando em trocar ela por uma 29, disse ela. Afirmação clássica.
- Não faça isto. É uma Kona, você não vai conseguir uma bicicleta com a mesma qualidade.
- Mas eu preciso trocar os pneus (?). Então é melhor trocar por uma 29. (Upa!) Pensei em comprar uma Specialized, terminou ela.
Eu parto desta conversa.
Kona é uma marca canadense de bicicletas, de excelência, tenho a dizer. Babo nas Kona, e só não tenho uma porque... boa questão, por que? Ok, são um tanto rígidas para mim. Tenho desde a adolescência tenho problemas de coluna e preciso de quadros que tenham resiliência que suavize minhas dores. Konas são rígidas, muito precisas, com uma resposta incrível, e com fama de indestrutíveis. A menina deixou que eu desse uma voltinha com a Kona dela e fiquei mais ainda alucinado com a bicicleta.
Eu trocaria aquela Kona por uma bicicleta atual, qualquer que seja no mesmo nível? Nunca! "Mas é 26" dirão. Melhor ainda, além de rodar maravilhosamente bem, interessa menos aos ladrões e assaltantes. Mais, aquela Kona é 2009, ainda de uma época que as bicicletas eram feitas para durar, durar, durar... Trocar por uma atual que é feita para vender? Nunca!
Já contei aqui que Luiz Dranger perguntou ao Mike Sinyard, o criador e então dono da Specialized, se deveria trocar a bicicleta por uma nova. Sinyard foi muito claro: não troque, porque bicicletas com a qualidade da sua nunca mais serão fabricadas.
Posto isto, reconheço que este texto é a repetição de outros que postei. Não importa, vale sempre lembrar. Então vou aos detalhes.
A menina, linda por sinal, é alta. A Kona é correta para ela, o que não é comum para mulheres altas porque elas costumam ter um cavalo, ou tamanho das pernas, muito alto. A Kona, maravilhosa, é perfeita para meus 1.83 m., o que ficou claro quando fui dar uma voltinha. Está equipada com Shimano Deore de ponta a ponta, funciona com uma precisão deliciosa. Pneus? Eu nunca trocaria aqueles pneus "gastos" ou "carecas", não me lembro como ela se referiu a eles. Vão rodar ainda muitos anos, e rodam maravilhosamente bem, melhor que os atuais.
Uma das meninas com quem estava pedalando tem uma Trek um pouco mais antiga que a Kona em questão, também 26. Deve ser 2003, ou por ai. Está com os pneus originais, Bontrager, e só agora, naquele passeio, o pneu traseiro tem que ser trocado porque deformou um pouco, provavelmente por excesso de pressão. Não fosse isto ainda durariam anos. Pneus mais velhinhos tem que ser calibrados com uma pressão um pouco mais baixa por precaução. O limite é 65, como neste caso, coloca 45 que está ótimo, ou 40, melhor ainda. Ou seja, duraram mais de 20 anos, e com cuidado durariam mais 5 ou 10 anos, e vou dizer, muito bem rodados. Pneus que se vendem hoje vão durar isto? Definitivamente não creio.
A calhordice que a menina não entedeu, mas disse nas meias palavras, é que algum malaco de loja quis fazer uma venda, empurrar uma Specialized. Espero que ela tenha ouvido minhas palavras e visto minha baba caindo da boca quando olhava para a maravilhosa Kona. Infelizmente não sei quem é a menina, mas se ela tiver ideia de girico e decidir vender a Kona, eu quero! Espero que não venda.
O sonho de consumo continua sendo uma "Specialized". Não meu. Explico. Specialized é uma marca maravilhosa, talvez com a história mais brilhante destas últimas décadas. Fabricou bicicletas e peças incríveis em todos níveis, das básicas às top, mas faz certo tempo que teve que rever princípios em relação as bicicletas básicas e médias, e já não há mais a diferença gritante que havia no passado. As top de linha é uma outra história, são top. O resto entrou na concorrência, quando não pior que a concorrência. Specialized, as normais, vendem porque tem o nome gravado na cabeça do povo. É uma opção? Sim, mas agora nada mais que uma opção, a não ser que se vá para as caras, daí é uma boa ou ótima opção.
O que quero dizer com isto, repetindo mais uma vez, é que não se iluda com nomes ou diz-que-disse. Vale para tudo.