terça-feira, 18 de agosto de 2020

21 marchas = 7 x 3 = 14 marchas

Com o mountain bike, a partir de 1989, a relação de marchas quase padrão passou a ser a 48/38/28 no pedivela com 7 marchas com 16 / 28 na catraca, o que permanece até hoje em boa parte das bicicletas básicas. Das 21 marchas 7 relações se repetem, ou seja, sabendo usar todas marchas, trabalhando câmbio dianteiro e traseiro, se tem 14 variações de relação. 

Fácil de explicar: A relação de uma catraca de 7 marchas tradicional é 11-13-15-18-21-24-28 dentes; o pedivela tem 48/38/28; dividindo as relações do pedivela pelas da catraca se obtêm a relação completa das 21 marchas:
Com a coroa 48 engatada: 1,71 / 2,00 / 2,28 / 2,66 / 3,20 / 3,69 / 4,36
Com a coroa 38 engatada: 1,35 / 1,58 / 1,80 / 2,11 / 2,53 / 2,92 / 3,45
Com a coroa 28 engatada: 1,00 / 1,16 / 1,33 / 1,55 / 1,86 / 2,15 / 2,54

A sequência completa das 21 marchas é: 1,00 / 1,16 / 1,33 / 1,35 / 1,55 / 1,58 / 1,71 / 1,80 / 1,86 / 2,00 / 2,11 / 2,15 / 2,28 / 2,53 / 2,54 / 2,66 / 2,92 / 3,20 / 3,45 / 3,69 / 4,36. Ou deveria ser, mas não é.
 
Acontece que para conseguir esta sequência é necessário ficar mudando as marchas do câmbio dianteiro e traseiro juntos e ao mesmo tempo, algumas vezes pulando da coroa 48 para 38, da 48 para a 24, da 38 para a 24; e subindo e descendo marchas do câmbio traseiro. Como dá para ver na sequência completa das 21 relações, 7 relações praticamente se repetem porque a diferença entre elas é tão pouca que a pernas não sentem. Sabendo como usar uma bem coroa tripla você acaba tendo uma bela sequência de 14 marchas, mas requer técnica refinada e cuidado na troca de marchas. Enfim, uma confusão pouco prática para a maioria.
Tem a opção mais barata das 20 marchas, 10 marchas atrás e duas coroas na frente, uma relação mais simples de ser usada que com coroa tripla. Geralmente a diferença das duas coroas é lá pelos 20 dentes o que reduz o número de relações repetidas.
A solução veio com os novos câmbios que têm 11 ou 12 marchas com uma relação que pode chegar a 11 / 53 atrás, o que dispensa as duas coroas no pedivela. O ciclista só tem que usar um passador de marchas, o da direita, o que facilita a condução da bicicleta. O escalonamento das marchas acaba atendendo bem a maioria dos ciclistas.

Outra questão é que o trocar de marcha no câmbio dianteiro, principalmente nas MTB, demanda suavidade ou pode engastalhar, não conseguir a troca de marchas, ou ainda travar a corrente, mesmo em bicicletas caras ou profissionais. Mesmo assim fico com a coroa dupla por necessidade de uma redução maior.

Como curiosidade, Ritchey lá por 1990 já dizia que o futuro seria de 12 marchas. Na época achávamos uma loucura. 
Talvez o futuro esteja no câmbio de movimento central, mas está bem no começo de seu desenvolvimento, mesmo sendo uma tecnologia que vem de antes de 1900. Agora os problemas maiores são preço e peso, mas provavelmente vão ser resolvidos. O peso até que não é tanto assim.

Se quiser ir a fundo neste tópico de uma olhada no https://www.sheldonbrown.com/gain.html

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