quarta-feira, 24 de julho de 2013

Não sentir frio

Hoje é um dos dias mais frios da história de São Paulo. Ontem de madrugada voltei para casa pedalando com uma sensação térmica de 1 C, sem luvas. As mãos congelaram. No começo do ano passei uma situação semelhante, um pouco pior, em Londres. Fui obrigado a entrar numa loja especializada em equipamento esportivo para inverno e lá descobri que há uma luva para cada ocasião, chuva, pouco frio, muito frio com chuva, frio absurdo... Eu vestia uma luva de couro, um pouco apertada. Do vendedor veio a lição que vale para todo o corpo: Luva não pode ser apertada ou diminui a circulação, o que é muito pior no frio.

Roupas mais largas mantem uma camada de ar entre o tecido e a pele que ajuda a manter a estabilidade térmica. No caso do uso da bicicleta também é importante que a roupa respire.
Que tecido? Vai de cada um. Eu prefiro os tecidos naturais em contato com o corpo. Mas um bom suéter em tecido técnico, próprio locais com grande contraste de temperatura entre o dia e noite, é uma ótima opção, talvez a melhor. É relativamente fácil de encontrar mesmo aqui no Brasil em casas especializadas em camping e aventura; custa barato, dobrado ocupa pouco espaço, é resistente, seca rápido. Infelizmente só encontrei em cores escuras, o que para um ciclista não é recomendável. Neste caso é recomendável usar um corta um corta vento em amarelo brilhante para ser visto pelo trânsito.

Demorei para descobrir que um gorro que possibilite cobrir as orelhas e a nuca é ótimo. Cachecol também funciona maravilhosamente bem, dando estabilidade térmica. A dupla gorro e cachecol faz milagres. Proteja a cabeça e boa parte do problema do frio estará resolvido.
O grande segredo é ter as pontas do corpo aquecidas. É lógico que cada um tem uma parte do corpo mais sensível ao frio. Ontem, com 8 C, um senhor cruzou por mim calçando sandálias... É importantíssimo ter o pé respirando para evitar frieira, mas não precisa exagerar. Meia quente não é meia muito grossa, mas meia em tecido que aqueça e respire. Aquecer e respirar o corpo – sempre!

Hoje há vestimentas para praticamente todas as situações e climas, mas nem sempre temos a mão o que é necessário. Ontem fez 6 C no Acre! Dá para imaginar o que a população local passou? Praticamente ninguém tem casaco, suéter, nem faz ideia de como ficar quente com soluções simples. Relativamente fácil. Saco de lixo sobre a camiseta. Não resolveu. Jornal debaixo da camiseta. Nunca o plástico em contato direto com o corpo por que isto vai gerar suor e esta umidade vai gelar mais ainda.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

norma para transportar bicicleta dentro do carro


MPode-se, pela legislação vigente, transportar bicicleta dentro do carro?
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M
boa tarde

Mesmo tendo acabado de fazer uma proposta de revisão do CTB, Código de Trânsito Brasileiro, confesso que vou ter olhar de novo para ver se há algo a respeito. Mas duvido que tenha algo neste sentido. Há o Art. 109 (Art. 109. O transporte de carga em veículos destinados ao transporte de passageiros só pode ser realizado de acordo com as normas estabelecidas pelo CONTRAN) que fala sobre norma CONTRAN, se é que há alguma. Se há é coisa nova eu duvido que as Policias Rodoviárias tenham vontade de aplicar. Vou tentar saber se o CONTRAN baixou algo neste sentido e se tiver escrevo. Viaja tranquilo que ninguém Policia Rodoviária tem ocorrência bem mais importantes para cuidar e eles sabem bem o que é prioritário. Duvido que parem alguém por transportar a bicicleta dentro do carro (a não ser que o ciclista queira leva-la ano colo, o que sei que alguns fanáticos tem uma vontade louca de fazer).

 
O que recomendo é que a bicicleta esteja bem acomodada e presa à carroceria por uma corda elástica ou outro qualquer. Não precisa de CONTRAN para esta precaução e usar o bom senso. Em caso de acidente, ou mesmo de uma movimentação brusca do carro, é sensato ter a bicicleta presa. Evite ter pontas, como o guidão, principalmente perto da cabeça. E tê-la presa é bom para a própria bicicleta.
 
Estou copiando algumas pessoas para ver se alguém sabe sobre novidades.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Custo e pavimento ciclovia

NOME: A
Mensagem: Qual é o melhor pavimento para ciclovia e quanto custo o km construído?

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A
boa tarde


Quanto maior a aderência e drenagem do material melhor. Qual?

Um professor de pavimentação deu uma boa explicação sobre o assunto: “Asfalto”. Junto com a respondeu seco, recheada de sorriso e seguido de um breve silêncio. “Há vários tipos de asfalto, para vários tipos de uso, carga, aderência e graus de drenagem. Um asfalto usinado para máxima drenagem supera a drenagem de todo tipo de pavimento, até mesmo bloquete”. E terminou: “Bloquete, ou outro elemento qualquer feito em peças ou blocos especial para cargas (pesos) leves (como pedestres e bicicletas), precisa ser assentado num solo muito compactado, o que faz com que a drenagem seja mais lenta que de um bom asfalto drenante. O que precisa é calibrar a usina (de asfalto)”.

Já pedalei em vários locais que tem este tipo de asfalto e a diferença de drenagem é muito grande. Ele chupa a água, não retém poças, tem alto nível de aderência mesmo molhado. É ótimo. A maioria das ciclovias tem sido construídas em concreto, que é barato, mas drena mal e conforte a mistura pode ser bem escorregadio.

Também deve ser dada atenção especial para a tinta que se vai usar sinalização horizontal. Caso o órgão de trânsito obrigue a pintura de toda ciclovia em vermelho, como diz ou recomenda o CTB (acho desnecessário), é preciso procurar especialistas no assunto. Andaram experimentando umas tintas novas e algumas não funcionam. A que foi aplicada na ciclovia Pinheiros foi um desastre, provocando inúmeros acidentes por baixíssima aderência quando molhada. Até ciclistas profissionais acabaram no chão – e em linha reta!

Quanto a custo de quilômetro linear, não sei responder. Os custos variam uma barbaridade pelo Brasil afora. E precisa ver o que estará incluído no projeto. R$ 900 mil com projeto ou só obra? Se for com projeto vai ser pouco por que topografia custa muito. Se tiver que fazer obra, principalmente movimentação de solo, também. Sinalização horizontal e vertical de qualidade custa muito, muito mais que um leigo possa acreditar.

O custo de uma ciclovia vai depender de uma série de fatores, mas principalmente da capacidade de simplificação do projeto. Quanto menos sonho, utopia, mais fácil de conseguir realizar.

O mais fator importante é saber assumir certos riscos. Imaginar que existe segurança perfeita para o ciclista além de ser grande besteira normalmente mata o projeto.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Bike fit: onde termina a tabela e as regras

Álvaro tem 1,80m, cinco centímetros a menos do que eu. Eu pedalo uma híbrida tamanho 21, bicicleta de estrada 58. Minhas bicicletas ficam quase pequenas para o Álvaro, mesmo ele sendo mais baixo. Porque? Simples: ele tem pernas e braços mais longos, e pés maiores que os meus. Álvaro usa uma híbrida XL (extra large – extra grande) com o selim muito alto para mim. Está testando minha bicicleta de estrada, mas com o selim uns 10cm mais alto que a da posição estabelecida para mim pelo reverenciado mestre Eduardo Puertolano. Ele vai ter que encontrar uma bicicleta de estrada 58 ou talvez até 59.

Patrícia, uma bela descendente de libaneses, com seus 1,70m, tem pelo menos uns dois centímetros a mais de perna do que eu. Um dia fiquei do lado da bicicleta dela e assustei com a altura do selim. Pernas longas é comum entre mulheres altas; assim como pernas e braços curtos em orientais. Definitivamente não somos todos idênticos.

A história de Álvaro é interessante como lembrete que regras são boas para orientação, mas não são a verdade definitiva. Para alguém com 1,80m ‘provavelmente’ a bicicleta, mountain bike ou híbrida, deveria ser tamanho 20; e no caso das de estrada ‘provavelmente’ 57. Álvaro “brigou” com praticamente todas as bicicletarias que quiseram seguir a risca a tabelinha de tamanhos dos fabricantes e sites. Acabou comprando uma XL que casou perfeitamente com seu corpo. Agora está à procura de uma bicicleta de estrada na qual se sinta bem.

Na Escola de Bicicleta temos consciência e respeito pelas diferenças. Sabemos que, para tudo há uma regra geral, um norte, mas que é crucial ficar atento às diferenças. Diferenças reais, não psicológicas. Um oriental (fato real) que tem 1,65m que usa uma mountain bike tamanho 22 e se recusa a testar ou mesmo ouvir que o melhor seria uma tamanho 17 é puro problema psicológico. Um dia o corpo vai cobrar a teimosia.

Nossa tabela e nossas recomendações: http://escoladebicicleta.com.br/medidaseuso.html

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Carga tributária das bicicletas no Brasil

Arturo, comente sobre a carga tributária Imposto de Importação, IPI.PIS.COFINS, e a sistemática de Substituição Tributária do setor de bicicletas e peças: acima de 50%.

Além disso o governo aumentou em 2012 o Imposto de Importação de Bicicletas para 35%, Pneus de bicicletas para 25% e Câmaras de Ar para 35%.

Temos mais de 30 Projetos de Lei parados no Congresso Nacional que propõem a redução dos impostos IPI, PIS/COFINS, sem tramitação.

Amargamos medidas de antidumping que aumentam o custo da importação de  Pneus desde 1997 e Pedivelas desde 2008.

É inadmissível que o mesmo governo que incentiva a mobilidade por bicicleta, taxa seus produtos de forma absurda.

Ana Lia de Castro
Diretora Executiva
    

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Res: [UCB-ASS] Dados sobre bicicletas no BR


 
Data: quarta-feira, 3 de julho de 2013 11:41
Assunto: RES: [UCB-ASS] Dados sobre bicicletas no BR

 

Arturo, fazia tempo que não lia uma analise tão verdadeira sobre o mercado de bikes e as suas entidades representativas (?).  Humildemente acrescento, nenhum deles realmente conhece o mercado. Quantos deles já viajaram pelo Norte e Nordeste, visitando lojas, distribuidores e pequenas montadoras, além de fabricas de peças? É, existem fábricas de peças no interior do Norte e Nordeste.
Nós temos percebido que os consumidores desta regiões, estavam mudando os seus hábitos de compra. Saindo da variável preço.  Estavam buscando produtos de maior qualidade, o que é possível em função das importações de marcas como Specialized. Com a nova relação dólar x real no cambio, creio que afetará esta tendência. Nos grandes centros, a bicicleta fixa também vinha ganhando espaço. Até pelo seu charme.
Nos eventos que temos promovidos, constatamos casos de proporção de 2 ou 3 bikes por residencia, caso de Rio da Ostras, no Rio. Mas, lá é praia...
Também concordo que a crise que vem por ai, poderá alavancar o consumo e o uso da bike, até por questão de economia. A grana vai ficar curta. No entanto, precisamos mostrar para os fabricantes e comerciantes como usar a favor este quadro da economia.
Abraços,
Osmar Silva

Res: [UCB-ASS] Dados sobre bicicletas no BR

André e Peters
bom dia

Estou em São Paulo e tenho, ou melhor tinha contato com ABRADIBI, ABRACICLO e ANTP.

A diferença de números ocorre por que as entidades tanto não sabem direito quantas há, como pela diferença entre elas. ABRACICLO é órgão dos fabricantes. ABRADIBI leva em consideração as bicicletas montadas. Ninguém sabe ao certo qual é o tamanho do mercado das bicicletas montadas (talvez o Osmar da Cyclo Magazine), até por que infelizmente parte do mercado é completamente informal. Completamente informal significa que tem fabricante que sequer tem CNPJ. Ouvi que é mais de 35%, com uns poucos falando em 50%, o que provavelmente é hoje um exagero. Pode ter sido no passado, mas agora não creio.

ANTP provavelmente dá números da ABRACICLO, que está em praticamente todas as reuniões da Comissão de Bicicletas.

Não havia me lembrado do SIMEFRE, que também representa parte do setor de bicicletas.  

Osmar um dia, faz muito tempo, me disse que tínhamos (então) mais de 150 marcas nacionais de bicicletas no mercado brasileiro.... Quem já viajou por ai sabe que se encontra coisas incríveis rodando...

Quem conhece o setor e pode ter isenção diz que é provável que os fabricantes oficiais não divulguem exatamente números corretos de produção. Porque? Dizem que por causa da produção na Zona Franca de Manaus e seus impostos ‘mágicos’.

Fato é que o setor nunca esteve tão confuso. E provavelmente vai ficar pior com o dólar subindo. Aqui em São Paulo já se ouve sobre cortes em bicicletarias importantes. Não sei como está o setor de bicicletas básicas, mas como dependem muito de importação provavelmente não devem estar nos melhores dias.

Quantas bicicletas tem no Brasil? Não creio sequer em 1 bicicleta/3 habitantes. Acho que é menos.

Sobre o percentual de 7%: Pesquisas e senso no Brasil trazem um grau acentuado de erro por que muitas respostas são dadas com uma vergonha social associada. Precisa ver como é feita a pergunta sobre o modal de transporte. Para quanto per cento da população pedalar é vergonhoso? Quantos responderam moto ou carro no lugar da bicicleta? Já ouvi dentro da Câmara dos Vereadores de São Paulo que na periferia da Zona Leste, onde a bicicleta é muito usada para trabalho, o pessoal fala mesmo é sobre o carrinho. O resto é “necessidade" que não deve ser comentada...

Resta saber se com a crise monstruosa que o Brasil está entrando como vai ficar o crescimento do uso da bicicleta, que a meu ver vai acelerar mais ainda. É uma ótima oportunidade para todos nós. 

abraços
Arturo

De: André Geraldo Soares g'
Data: quarta-feira, 3 de julho de 2013 02:08
Para: ucb-associados@googlegroups.com
Assunto: Re: [UCB-ASS] Dados sobre bicicletas no BR

Dados,
Camaradas, obrigado pelo auxílio (incluindo o Peters, lá no Facebook).

Algumas das indicações eu já possuia, mas queria ver se alguém tinha algo mais novo (além de aproveitar para instigar o debate).

Realmente, precisamos de pesquisa no BR.
Vejam o que foi indicado e o que eu encontrei:

FROTA:

- A Abraciclo fala em 1 bici para cada 3 habitantes, mas chega ao resultado de 70 milhões (mas 196 milhões/3 = 65) aqui http://goo.gl/y789b; já aqui fala diretamente em 65 milhões http://goo.gl/lslSQ
- Já a Abradibi fala em 80 milhões aqui http://www.abradibi.com.br/mercado.html
- Nessa notícia do começo de 2012 que cita a Abraciclo fala em "mais de 70 milhões": http://goo.gl/WIeFz
- Nessa notícia que cita a ANTP no final de 2102 fala em 70 milhões: http://goo.gl/Ytu7O

PERCENTUAL DE USO:
- No IPEA, está dividido por regiões; me parece que foi feita uma média simples (será mesmo?) e deu 7% no BR; ver na página 4 em http://goo.gl/iOcWc; ano de 2010

andré soares
--
=.....................Associados da UCB.....................=
=...............UNIÃO DE CICLISTAS DO BRASIL................=
=................www.uniaodeciclistas.org.br................=
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