domingo, 28 de junho de 2026

Flying Pigeon, ou, a velha holandesa da China

Mao Tse impôs a bicicleta na China. Sim, a bicicleta foi imposta aos chineses. Livros de história deixam claro que com o surgimento e a febre mundial do biciclo, aquela bicicleta de roda grande na frente e pequenina atrás, o único país que não aderiu foi a China. Um pouco depois de ter assumido o poder, Mao percebeu que precisava fazer a população se transportar com mais rapidez e com baixo custo, é a bicicleta foi imposta pela revolução cultural comunista. E aí entra a história da bicicleta que pedalou a China, ou o contrário, não faz diferença. 

Até hoje se pode comprar exatamente a mesma bicicleta que transformou a cultura chinesa. É cópia de uma Raleigh, o que confesso eu não sabia. É exatamente uma "old dutch", uma 'velha holandesa', um clássico mundial da bicicleta feminina de transporte.

O que me parece uma loucura é que obrigaram os chineses pedalar bicicletas próprias para o tamanho e altura de um europeu, pelo menos mais de 10 cm mais alto. Mas este absurdo foi comum em todo planeta, incluindo Brasil, e só mudou depois da chegada das mountain bikes.

No final do vídeo o narrador sai para dar uma volta com a Flying Pigeon pela cidade, e fica surpreso com a qualidade do rodar. Mas erra na forma de pedalar. Numa bicicleta destas, sem marcha e todas grandes, a saída do zero, do parado, deve ser feita muito aos poucos, quase não pondo força no pedal. É uma técnica de pedalar diferente da que estamos acostumados com estas bicicletas atuais, cheias de marchas e com rodas bem mais leves. Aprender a pedalar correto uma bicicleta destas é uma aula de preservação de energia. Sei porque já pedalei várias 'velhas holandesas' idênticas a estas e vou dizer com todas letras: é um tesão, puro orgasmo.

Abrindo as configurações do vídeo é possível ter a versão em português.

O detalhe do título está corretíssimo: "Comprei o veículo mais vendido da história". Não tenham a mais remota dúvida que é.


domingo, 14 de junho de 2026

Pedalar como uma lesma. QUE DELICIA!

Hoje saí com minha dobrável, que creio que seja a única sem marchas e contra-pedal que conheço por aqui, a única que vi. E saí pedalando feito uma lesma. Que delícia, cara, que delícia! Fazia muito tempo que não saia pedalando com calma, no ritmo que você vê a cidade, sente as ruas, cruza com calma, sente as pessoas, a vida, não se preocupa com nada, sabe que vai chegar a hora que chegar. Isto é pedalar, este é o real espírito da bicicleta, a calma, a velocidade na escala da vida sadia.

Infelizmente, infelizmente mesmo, vivo numa cidade muito agitada e por osmose acabei virando um agitado, um cidadão comum à loucura do trânsito, neurótico urbano, mesmo pedalando, mesmo que imaginado ou querendo estar pedalando com calma. Óbvio que estar pedalando é infinitamente mais tranquilo que dentro de uma lata de sardinhas, leia-se automóvel, mas não é passe automático para as melhores qualidades que uma bicicleta oferece.

Hoje de fato pedalei com calma. Pedalei no que de melhor a bicicleta me oferece, com calma, me sentindo bem, muito bem. Que delícia!

Nós nos acostumamos com o ruim; pura verdade. 

O que senti hoje é quase indescritível. Indescritível, parece um exagero, mas não é, não é mesmo. Perdemos a noção do que é naturalmente bom.

Homenagem de Renata Falzoni aos grupos de ciclistas


Ontem, sábado, 13 de junho de 2026, a ativista urbana, ciclista e vereadora Renata Falzoni fez uma bela homenagem para os mais de 100 grupos oficializados de ciclistas que saem para passear pelas ruas desta metrópole todas semanas, todos dias e noites, de segunda a segunda. A última lista que vi na Internet contava um pouco mais de 110 grupos oficiais e ativos. Na Câmara dos Vereadores foram homenageados 97 grupos, com mais de 600 pessoas presentes. Bela festa. 

O primeiro grupo oficial e organizado, o Night Bikers, criado pela própria Renata Falzoni, saiu da Praça Charles Miller, Estádio do Pacaembu, numa noite fresca de maio de 1988. Uns 30 foram pedalando para o Centro da cidade, muitos deles simplesmente desconheciam aquele pedaço da cidade. Ficaram maravilhados. O Centro acabou virando um dos passeios preferidos daquele início. Os passeios viraram moda tanto pela descoberta das mountain bikes, que eram uma deliciosa novidade, como pelo fascínio da descoberta da própria cidade, uma completa novidade para a maioria.

Engana-se quem acredita que demorou para que os passeios organizados saíssem do dito Centro Expandido e começassem a ser organizados em bairros ditos distantes. Não demorou muito e Luizinho da Trilha, da Zona Norte, já no início de 1989, tivesse o maior grupo da cidade, com mais de mil ciclistas parando o trânsito noturno impressionando e assustando motoristas e pedestres. Vi eles uma única vez, na Ponte das Bandeiras, e simplesmente não pude acreditar no que via. Não acabava de passar ciclistas, incrível.

No mesmo evento da Câmara foi lançado um folder e um mapa interativo. Também foi apresentado o Projeto de Lei para incluir no calendário oficial da cidade o "Dia Municipal dos Grupos de Pedal".

A bem da verdade Renata fez uma homenagem aos grupos e foi homenageada com uma demorada salva de palmas, assobios e gritos "Renata, Renata, Renata..." Mais que merecido. Renata de fato fez muita diferença, teve e segue tendo uma importância crucial para a bicicleta e os ciclistas, dentre outras.

Teresa D'Aprile, fundadora em 1992 do Saia na Noite, o primeiro grupo oficial de mulheres ciclistas urbanas de São Paulo e Brasil,



sexta-feira, 12 de junho de 2026

Mais uma vez, de bunda de fora

Selim de bicicleta é selim de bicicleta. Por melhor que seja nunca será uma poltrona fofinha frente a TV. Os selins de hoje são deliciosos em comparação aos de antes de 1988. Mudaram muito com a chegada do MTB. Quem pedalou qualquer bicicleta das décadas de 80 para trás sabem bem, mesmo os com mola. Não faço ideia de como aguentei viajar pedalando sentado no selim de minhas Caloi 10, um plástico duro com uns 3mm de espuma, e o da Cruizer, um muito pouquinho mais confortável (confortável?). Não faço ideia de como conseguia sentar para dar aula depois de ter pedalado de minha casa até a escola com um Barra Forte feminina. 

Hoje tem selim para cada bunda, para cada tipo de bicicleta, para cada percurso,  para cada esporte ou lazer. De vez em quando aparece algumas 'invencionisses' que juram ser a solução para todos males do selim. A última é a reinvensão de um selim que os dois apoios, direito e esquerdo da bunda, se movem e acompanham o movimento do corpo. Bom, não é exatamente uma novidade porque a primeira patente creio que tenha sido feita antes dos 1900 nos Estados Unidos. Se fosse tão 'bão' assim todo mundo estaria usando.

Meu pai me deu, todo orgulhoso, um selim 'bundão', aquele com molas e da largura de uma poltrona. É gosado ir daqui para ali perto pedalando num deles, mas se for um pouco mais longe doi tudo. Enfim, não é o tamanho, a largura ou as molas, mas um que se adapte ao formado da bunda do usuário e que atenda o que ele vai fazer com a bicicleta. 

O oposto do selim bundão são os usados por profissionais de ciclismo de estrada que são finininhos, duros feito pau, sem acolchoado, levíssimos. Custam uma fortuna. Não faço ideia de como eles, os pró, aguentam pedalar horas a fio. A bermuda acolchoada? Até conhecer e acompanhar o ciclismo profissional CDF eram só os bons alunos. 

Bom, eu sou um simples mortal com bunda calejada, mas dentro de meus limites, ou dos limites de minha bunda. Que seja. Meu problema é outro. Pedalo com roupas normais, ou, não pedalo com roupa de franga, bermuda acolchoada e etc... Me atrapalho com a bermuda de ciclista. Eu sei, sei, mas que seja, esta não é a questão.

Ontem tirei a calça jeans e vi a luz cruzando os fundilhos... mais uma vez. Uau! puiu? Não, felizmente só descosturou. Eu ia ficar bem chateado se tivesse puido porque é um jeans preto, lindo, dos bons. Este ano já tive que descartar duas bermudas que puiram no rabo. Antigamente eu seguia pedalando até ficar de bunda de fora, mas criei vergonha, sempre faço uma inspeção para ver como está o tecido, e bem antes de rasgue lavo e dou para os carroceiros, que vão usá-la ainda por muito tempo. Perdi a conta de quantas calças e bermudas já doei. 

Uma vez cheguei na piscina que nadava com frequência e meus amigos passaram a manhã gozando da minha sunga. Só fui entender quando tirei a sunga para voltar para casa. Passei a manhã toda na piscina de bunda de fora e os malditos não me avisaram. Depois rimos muito da história. Simples, sempre ia pedalando vestido com a sunga, que por sua vez já estava bem usada. A Flora, que nadava junto, viu minha bunda ao vento, juntou o pessoal e a gozação não teve fim. Felizmente não fui pego pelo salva-vidas, também meu amigo, que tiraria um sarro sem tamanho e me expulsaria da piscina.

Mas não foi a pior. Indo para um jantar um pouco mais formal, não só a calça rasgou, como quando eu parei no sinal o selim entrou dentro do rasgo e fez o resto do serviço. No jantar me perguntaram porque eu não tirava o casado amarrado na cintura. Tanto encheram que mostrei. A gargalhada foi geral. Óbvio que foi a conversa central do jantar. Na despedida ouvi "Não vai pegar um resfriado na bunda e espirrar pelo ..."