quinta-feira, 15 de abril de 2021

Pedalar na contramão diminuindo os riscos

Como escrevi no blog A escola, a bicicleta e a vida, pedalar na contramão é uma das situações mais perigosas que um ciclista pode ter, na verdade a segunda mais mortal. A primeira é impacto pela lateral que muitas vezes acontece exatamente porque o ciclista está pedalando na contramão e o motorista não o vê. 
Nossas cidades foram preparadas quase que exclusivamente para o automóvel. Como boa parte do desenho urbano que temos no Brasil é irregular, não quadriculado, é muito comum o ciclista, por razões óbvias, procurar encurtar caminho ou evitar subidas, optando por pedalar na contramão, o que infelizmente está se tornando cada dia mais normal. 
Por isto dou a contra gosto dicas de como pedalar na contramão diminuindo riscos.
Dica número zero é NÃO PEDALE NA CONTRAMÃO. O resto é "vai fazer besteira, faz bem feito, não se machuque!"
  • Lembre-se que você é invisível. Normalmente pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas estão olhando e concentrados no que vem na mão de direção, não num ciclista que vem do sentido contrário.
  • Sinalizar pouco vale na contramão porque a atenção dos outros está voltada para o outro lado 
  • Mesmo o mais habilidoso dos ciclistas não tem reflexo e capacidade de reagir para evitar uma colisão frontal ou o atropelamento de pedestres. Pedalar não é filme de ação ou vídeo game, é realidade.
  • O segredo de evitar um acidente é antecipar a situação, ou seja, ver à distância as alternativas de fuga ou parada para ter tempo de reagir. Vale para qualquer situação, conduzindo qualquer veículo, inclusive bicicleta 
  • Na contramão é o ciclista que tem que ver primeiro, portanto diminua a velocidade e redobre a atenção.
  • Calçada não é segura porque o ciclista só vê o carro saindo da garagem, por exemplo, quando está muito em cima ou já bateu. O mesmo para saída de pedestres.
  • Pedalando na rua olhe por onde os carros passam para ver onde é mais seguro. Por diversas razões os motoristas posicionam o trajeto mais a direita ou esquerda.
  • Todo motorista abre a curva, portanto numa rua sem movimento chegue na esquina devagar e pelo lado de dentro, de preferência
  • Pedale sempre antevendo um plano de fuga para poder ter tempo de desviar. 
  • Nunca pedale na contramão em ruas ou avenidas muito movimentadas e estreitas. 
  • Acidentes acontecem com frequência onde o condutor acredita que está tranquilo. 
  • Respeite o pedestre: ele não vê ciclista vinda na contramão.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

O comprador é responsável direto pela qualidade que compra

Terminei um texto assim:
Enfim; o mercado brasileiro, não só o de bicicletas, está cheio de distorções que permitem problemas sérios de qualidade. E o brasileiro não pesquisa a fundo, não reclama, aceita. E agora, no meio desta baderna que a pandemia nos colocou, ajudada pelo Governo Federal, a baixa qualidade rola solta. Abra o olho.

Revisando o texto veio o óbvio:
O comprador é o único responsável pela qualidade que recebe. O brasileiro pesquisa via de regra pelo preço, sem foco na qualidade, compra problema, não reclama, aceita como normal, gasta mais dinheiro para consertar ou joga fora; uma sequência de erros que prejudica não só ao indivíduo, mas a todos brasileiros.

Estamos muito longe do "quebra zero" que todos países socialmente justos vem buscando para valer. Quem tem um mínimo de cabeça e responsabilidade caminha a passos largos para zero quebras, defeitos, até por uma questão de sobrevivência num mundo globalizado cada dia mais competitivo. Quem não fizer o dever de casa está fora, ponto final. Ou seja, quem não entender este dogma vai empobrecer - ponto final - e não adianta reclamar. Quem não entender vira pária internacional, espero que brasileiro já tenha entendido o que isto significa.

Saia para a rua e veja quantas bicicletas pouquíssimo rodadas estão com aros e pedais que não são mais os originais. Quantas bicicletas foram modificadas ainda novas?
É uma vergonha culpar os importadores, fabricantes, lojistas ou vendedores porque eles respondem ao que quer o mercado: os compradores. Vamos falar a verdade, a responsabilidade única e exclusiva é de quem gasta o próprio dinheiro com qualquer porcaria.

Tenho profundo orgulho de ter sido o primeiro brasileiro a acionar via PROCON um fabricante por (14) defeitos congênitos de fabricação, isto logo após a criação do órgão estadual, Grupo Executivo de Proteção ao Consumidor, ou PROCON, isto no final da década de 80. Deu resultado. Dá resultado. Vale a pena fazer.

Quantos brasileiros acionaram o Código do Consumidor contra defeitos (congênitos) das bicicletas, de peças e acessórios? Qual é índice de acidentalidade (e mortes) em consequência de falha mecânica das bicicletas vendidas no Brasil?

quinta-feira, 25 de março de 2021

travar corretamente blocagem Shimano, blocagem com trava especial das Trek antigas e a de selim

O número de ciclistas até experientes que travam a blocagem errado é grande. Travar a blocagem girando a alavanca estraga as gancheiras, principalmente em quadros de alumínio. 
A forma correta de travar a blocagem de selim é a mesma



 






terça-feira, 23 de março de 2021

Tirar um racha pedalando: lições para o prazer e a segurança

Milão - Sanremo é uma das prestigiadas provas pré temporada de ciclismo, algo em torno de 270 km. A chegada em Sanremo é uma longa descida em zig-zag já dentro da cidade seguida de um trecho plano. O pelotão da ponta veio todo junto descendo rápido. Num determinado momento os ciclistas, uns 20 ou 30, relaxaram um pouco, diminuindo a velocidade para se estudar, trocar ideias, entender melhor o como seria aquela chegada, colocando no tabuleiro as peças do jogo de xadrez que normalmente acontece. Aproveitando que todos estavam distraídos o ciclista da Trek Jasper Stuyven deu uma forte escapada, que demorou a ser respondida. Demorar para o ciclismo pode ser um tempo bem pequeno, mas que pode fazer toda diferença. Escapada numa descida? Sim e determinante para a vitória. 
Terminada a descida e já sendo perseguido Jasper entra num longo plano onde o pelotão tem imensa vantagem de trabalhar o vácuo, em outras palavras, ser mais rápido e pedalar com menos esforço. Visivelmente colocando todas suas forças para manter-se à frente Jasper engata mais uma marcha, perceptível até pela TV, a cadência cai, num grande esforço consegue voltar a sua cadência e seguir mais rápido, mesmo assim vai aos poucos perdendo terreno. Um holandês dá uma escapada do pelotão, consegue chegar até Jasper, que tem a inteligência de diminuir seu ritmo e entrar no vácuo do holandês, e recobrar o que lhe resta de energia. Nos 700 metros finais o pelotão se aproxima rápido, Jasper olha seguido para trás, sai do vácuo do holandês no momento exato e ganha a prova no limite do limite de suas forças. Brilhante! Cruza a linha de chegada com o pelotão enfurecido a dois metros, se tanto.

Quem já pedalou com um ciclista profissional sabe que a brincadeira é outra. A comparação está mais para a de um Chevette tentando acompanhar um Porsche Carrera Turbo. Agora, entre iguais a brincadeira de tirar racha não só pode como é divertida, e acontece com muita frequência. Mais, é divertida e dá para aprender muito sobre técnicas de ciclismo. Para quem gosta mesmo de pedalar, gosta de estudar, aprender, ter conhecimento, estas brincadeiras (rachas) ensina muito como pedalar seguro no meio do trânsito. Sempre relembrando meu amigo Clovis Anderson que me ensinou: "Ciclismo é a arte de preservar energia". Este é o segredo para a vitória, no caso do ciclista comum o caminho para evitar acidentes.

Como brincar de ciclista. Falei brincar. As dicas a seguir servem e muito para melhorar a segurança de quem só pedala em ciclovias:
  • preserve sua energia para poder usá-la no momento necessário
  • aprenda a controlar a ansiedade para preservar (muita) energia
  • acelere sua cadência (e a bicicleta) suavemente mesmo que seja numa aceleração brusca.
  • use as marchas, mantenha uma cadência suave, sem trancos na musculatura ao trocar as marchas
  • entenda corretamente a situação em que você está; olhe o entorno, avalie o que dá para fazer
  • ação correta depende da forma e em que momento agir
  • muito cedo é um erro; muito tarde dançou; acertou o tempo ganhou
  • o bom resultado sempre está em si próprio e não no que o outro é ou pode fazer
  • autorespeito, conhecer seus limites

terça-feira, 16 de março de 2021

Saco plástico para transportar qualquer coisa numa bicicleta

Não importa se você usa mochila ou alforjes, é crucial transportar tudo em sacos plásticos, de preferência cada grupo de coisas em um saco plástico específico. Remendo, cola, espátulas e ferramentas num saco; capa de chuva e bomba noutro; casaco, camisa, máscara, óculos em outro saco, e assim por diante tudo separadinho. Exagero? Definitivamente não; precaução e das boas, seja para proteger da chuva, da poeira ou de outras situações que só vivendo para entender. Saco plástico pesa quase nada, tem em vários formatos, espessuras, resistências e cores. Todo mundo recebe compras em sacolinhas e algumas delas valem ouro para o bom ciclista; duram, duram, duram...
Recomendo o uso de saco plástico para proteger até naqueles alforjes ou mochilas que são estanques à água ou poeira. São os que você enrola a abertura para fechar. Ciclista vive em ambiente aberto e a possibilidade de ter que abrir a mochila ou alforje ao ar livre é grande, e aí o estanque vai pro brejo. Se tudo estiver devidamente nos seus sacos plásticos só vai molhar ou empoeirar o que você tem que pegar. 
Recomendo sacolinha de loja ou comércio bom, que são mais grossos e duram mais. Envelopes plásticos de compra pela internet costumam ter grande resistência, só precisa ter cuidado ao abrir quando recebeu a encomenda para não estragá-los. Prefiro cortar com tesoura porque se decolar vai ficar grudento. Já vi Renata Falzoni usando sacos plásticos de ração dos cachorros, mas tem que lavar antes não só para tirar o resíduo, mas principalmente o cheiro. São ultra resistentes, mas não dobram ou amassam facilmente, o que é chato, se não um problema. Uso estes sacos de ração só para situações muito específicas. 
Nas minhas mochilas tenho sacolinhas com quase uma década de uso. E em casa tenho mais uns tantos sacos dos bons caso tenha que lavar os de uso ou trocá-los. Ou ainda levar mais coisas que o normal. Usar sacola plástica de qualidade para colocar lixo é um crime. Aliás, sacola plástica é um crime em si. Se ainda é inevitável, pelo menos faça o melhor uso possível delas. Confesso que sou neurótico neste sentido e me orgulho. Mais, lembrando, já catei muita sacola boa jogada na rua e trouxe para casa. Sacola plástica no bueiro é "o" crime.  
Sacos de lixo e sacolas de supermercado são frágeis e duram pouco, de qualquer forma recomendo sempre ter umas 3 ou 4 dobradinhas no fundo da mochila para trazer as compras sem pegar novas sacolas, que repito são o crime ambiental. Toda vez que usá-las cheque para ver se não estão furadas ou rasgadas, o que é fácil de acontecer. E nunca leve muito peso ou compras pontiagudas que possam cortar e derrubar tudo no chão. Quem já teve suas compras espalhadas no meio do asfalto com o trânsito desviando sabe a raiva que dá e o que dói no bolso.
Vão olhar estranho para você quando começar a tirar sacolinhas dobradas da mochila. Não se importe, ache graça e explique. Simples: funciona. Simples: é inerente ao uso correto da bicicleta.

sexta-feira, 12 de março de 2021

bagageiros e alforjes


Sou de uma época que o que tinha era o que tinha e ponto final. Quem não conhece esta frase é porque é novo. Significa, no caso do bagageiro, que nas bicicletarias só se encontravam dois modelos; um muito simples, de desenho delicado, chique, de feito de arame de aço em perfil redondo cromado, em forma de L invertido, com dois refletores atrás. O segundo também era um L invertido, mas feito em tubo de aço grosseiro, pesadão, sem graça, feio. Comprei o bonito, com desenho que é chique até hoje. Os atuais são bem mais resistentes. 
Fui para o Centro e numa tradicional casa especializada em caça e pesca comprei um alforje fabricado em tecido cordura, uma lona malha grossa em algodão, dita militar. Estava pronto para minha primeira viagem no pedal. Tudo aparafusado, preso, amarrado e lá fui eu.
A viagem foi curta, algo em torno de 50 km de casa, rodada em asfalto bom, sem buracos, mesmo assim tive que parar no meio do caminho para dar um jeito no bagageiro que já tinha entortado e no alforje que escorregara para trás e batia nos raios. Na volta para casa, 100 km depois, o alforje teve que ser remendado nos fundos. Mas, como disse, era o que tinha e ponto final.

Hoje as opções são inúmeras, tanto de bagageiro quanto de bolsas, alforjes, até malas especiais para bicicletas, alguns com travas facílimas de prender e soltar do bagageiro. A qualidade varia conforme o preço, a qualidade ou o ego do comprador. 
O ponto de partida é o quadro de bicicleta que vai ser colocado o bagageiro. Deve estar bem definido o uso que se fará, que tipo de carga será transportada e que peso total terá quando em plena carga. 
O correto posicionamento do bagageiro deve ter a base, a parte de cima, paralela ao chão. Um pouquinho inclinado para frente tudo bem, para trás vai dar problemas sempre. 
Quanto mais baixo o centro de gravidade melhor, portanto evite bagageiro que fica alto, longe do pneu. 
Se vai usar alforje evite bagageiros em V ou L porque o alforje, por mais que esteja preso, vai se movimentar e bater nos raios. 
Antes de comprar o bagageiro teste com o alforje cheio e bem preso para ver se seus pés não batem no alforje quando pedala. 
Outra dica é que o bagageiro tenha ponto de fixação na traseira para refletor e ou lanterna.
Não recomendo os bagageiros que vão presos no canote de selim, nem para pesos leves, porque saem de posição com facilidade.

Procure, veja, converse, busque referências antes de definir sua compra. Bagageiro e alforje parece uma compra trivial, mas não é bem assim. Taí um assunto cheio de detalhezinhos que fazem muita diferença.

Nesta foto se vê os alforjes ainda presos com a cinta amarela pelo centro. Como o movimento normal do pedalar meus pés raspavam nos alforjes além de tocar os raios. A bicicleta era muito simples, básica, custou 300,00 Euros. O bagageiro em V carregou por longa distância os aproximadamente 25 kg, mas é necessário ressaltar que tudo funcionou bem porque o asfalto era lisinho e eu tomei muito cuidado. Aqui no Brasil, com as irregularidades que temos, duvido que iria tão longe.  

Mudei a posição das cintas amarelas e prendi os alforjes pela frente para evitar que meu pé raspasse neles ao pedalar e que eles girassem para dentro tocando nos raios. Outro detalhe é a ótima lanterna / refletor que faz parte do bagageiro. Repito; funcionou direito porque o asfalto é liso, sem buracos, e eu tomei muito cuidado. 

Sem improviso; bicicleta, bagageiro e alforjes corretos para o uso que fiz. Uma simples corda elástica para diminuir vibrações normais num terreno acidentado, o que diminui muito a possibilidade dos alforjes saírem de posição. Bagageiro com estrutura lateral em LV para evitar que os alforjes toquem os raios; múltiplo ajuste nos apoios, inclusive na angulação da haste que fixa na gancheira.
Foram 180 km de terreno bem acidentado num sobe e desce a milhão sem qualquer problema.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

os arranhados de uma linda Rockhopper Pro 1989

Luis de Beto Dranger conseguiram a representação da Specialized no Brasil e já em 1989 começaram a receber as primeiras bicicletas, dentre elas uma Rockhopper Pro, toda Deore DX, tamanho 18 verde folha levemente metálica com letras em laranja, linda de morrer. Virou a bicicleta do Beto. Em 1990 a Halls - Schick, patrocinadora das primeiras provas hiper organizadas de MTB em São Paulo, decidiu promover uma prova show em Recife, melhor dizendo, na Praia de Boa Viagem. Enfiaram num ônibus uns 25 ciclistas e eu, que conhecia Recife e Olinda e acabei sendo uma espécie de guia e responsável pelo grupo.
Sempre fui muito cuidadoso com as bicicletas dos outros, mesmo com as bicicletas que me foram entregues para teste de revista. Quando o Beto disse que eu iria com a Rockhopper, primeiro não acreditei, não quis, ele insistiu, e depois de muito sim e não jurei cuidados especiais, traze-la de volta perfeita, etc... e tal. Não acreditava, pedalar uma Rockhopper Pro era um sonho.
Na hora de colocar as bicicletas no portamalas do ônibus expliquei para todos que a linda (Rockhopper) era emprestada e que iria separada das outras para voltar intacta, já que não tinha dinheiro para reparar qualquer dano. Todas as bicicletas foram encaixadas milimetricamente uma grudada na outra na transversal do ônibus; e a Rockhopper foi cuidadosamente presa apoiada nas rodas das outras bicicletas, presa no sentido longitudinal do ônibus, sozinha, separada, intocável, longe de qualquer perigo.
Chegamos no hotel de Recife depois de uma longa e cansativa viagem. Foram abertas as portas do porta-malas, eu a frente de todos para tirar a linda com todo cuidado. E logo depois de ser destravada a porta do porta-malas a chave de roda caiu no chão. Ouvi o som metálico repicando no asfalto e olhei com cara de idiota. Abriu-se por completo a porta e vi a pintura da Rockhopper arruinada. Todas as outras bicicletas chegaram intactas.
No dia seguinte fizemos a corrida, ou o que quer que tenha sido aquilo no meio da areia. Que seja. Voltamos para o hotel, descansamos e o pessoal quis pedalar por Recife e chegar até Olinda, minha linda Olinda. Na cabeceira da ponte que liga Boa Viagem com a av. Agamenon Magalhães tive que proteger um ciclista que não foi visto por um motorista e acabei no asfalto, melhor arrastando na areia que a noite não vi. Mais arranhões na linda. Lei de Murphy, se pode dar errado porque vai dar certo? 
Quando cheguei em São Paulo quis morrer ao devolver a bicicleta. Beto deu risada, tirou um sarro, não se importou.

Um pouco depois Luís teve que ir até a Specialized em Morgan Hill, California, então a sede da empresa. Levou um pedido especial de um amigo que queria restaurar um Stumpjumper: os adesivos originais. Falou com Mike Sinyard, o criador e dono da Specialized, que de bate pronto respondeu:
- Diga ao seu amigo que faço bicicletas para serem usadas, não para serem olhadas. 

Assunto encerrado.