Argentinos, uruguaios, equatorianos, colombianos e venezuelanos, ciclistas de ponta vindos de países com uma população muito menor que a brasileira; todos pedalando na ponta de provas de ponta no mundo ciclistico. No Giro D'Italia, uma das três provas ciclisticas mais difíceis e prestigiadas do mundo, sul-americanos destes países não só participaram, como já venceram inúmeras vezes. Este ano já vencenram um uruguaio e um venezuelano.
População dos países, dados ~2024: Argentina - 46 milhões; Uruguai - 3.4 milhões; Equador - 19 milhões; Colombia - 53 milhões; Venezuela - algo em torno de 30 milhões. Número aproximado de usuários diários mais esporádicos da bicicleta no Brasil: ~40 milhões. Se todos estes países sul-americanos, que têm uma população em idade de uso da bicicleta bem menor que a de usuários no Brasil, conseguem ter ciclistas de ponta em equipes de ponta na Europa, por que nós não conseguimos?
Brasileiros nestas provas? Difícil de lembrar. Na história destas três provas tradicionais, Tour, Giro e Vuelta, até onde sei, uma única vitória foi com Mauro Ribeiro, faz muito muito tempo. De lá para cá quantos brasileiros foram convidados por equipes para participar nestas provas?
Por que? Como tive e continuo tendo, agora menos, contato com o pessoal que foi, é, esteve e está no meio do ciclismo profissional, infelizmente tenho a dizer que sobrou boa vontade por parte de alguns para fazer o ciclismo esportivo ficar vivo. Sim, ficar vivo, continuar existindo. Lembrando que de boa vontade o inferno está cheio, mas complementando que boa parte dos que lutam pela bicicleta não merecem o inferno, talvez uma bronca pelo amor incondicional pela bicicleta. Rapidamente: negócio é negócio, amor é amor; se quiser ir a falência misture as coisas. Fato é que o ciclismo no Brasil tem um problema crônico de administração e de falta de pragmatismo.
Tenho a dizer que a bagunça comecou bem lá atrás, quando num passado distante a bicicleta e o ciclismo no Brasil tiveram um sutil toque mafioso misturado a um oligopólio pragmático voltado para o "meu", e creio que me entendem. Esta forma de levar um esporte não foi nem é uma exclusividade do ciclismo, mas um mal arrasador comum a boa parte dos esportes olímpicos e profissionais deste país. O país do futebol que o diga, pode apostar nisto.
Outro fator, que já citei várias vezes, é a falta de interesse do cidadão brasileiro pelas conquistas, muitas heroícas, de alguns esportes e esportistas. Mais, caem no esquecimento com uma rapidez brasileira.
Triste.







