O discurso publicado aqui está correto, não tenham dúvidas. Mas faz décadas que é repetido e os resultados são pifios, a prova disto está no número absurdo de acidentes e fatalidades que temos no Brasil. Então, o que não está funcionando? Simples, óbvio: esqueceram ou nunca se deram conta do público para quem falam. Há uma falha de comunicação, eu direi inaceitável. Se faz aquele decrépito erro de colocar uma sumidade na lousa de uma classe de adolescentes. A aula será brilhante, mas absolutamente inócua para os estudantes. Isto se não resultar em aviãozinhos e bolas de papel voando em meio a risinhos e comentários jocosos. Quem já deu aula, quem já trabalhou com pessoas com alguma deficiência, e incluo aqui os superdotados com sua dificuldade de comunicação, quem já ensinou traumatizados, sabe que a pedagogia é outra, é muito específica. Mingau quente se come pelas bordas. Qual é o ponto crítico? Como abordá-lo? Qual o próximo passo? Quando se deve ir para perenizar o próximo ensinamento? Quando e por que é recomendável dar um passo atrás? Falar em equipamentos de segurança para uma população que sequer tem dinheiro para manter os freios e as luzes funcionando corretamente é dar um tiro no pé. Que tal descobrir qual a principal razão de acidentes e trabalhar só nela? Que tal ganhar confiança deste grande público de motociclistas (e incluo ciclistas)? A melhor regra de comunicação é aquela onde você sabe para quem vai falar em primeiro lugar, para só então falar o que o outro consegue entender. O contrário é um desastre. Nossos P.A.s, Pronto Atendimentos, que o digam.
Escola de Bicicleta correio
sobre bicicletas, perguntas, respostas da Escola de Bicicleta; e algo mais.
segunda-feira, 18 de maio de 2026
quinta-feira, 14 de maio de 2026
Giro d'Italia, sul-americanos vencem. Nenhum brasileiro na nesta e noutras provas clássicas
Argentinos, uruguaios, equatorianos, colombianos e venezuelanos, ciclistas de ponta vindos de países com uma população muito menor que a brasileira; todos pedalando na ponta de provas de ponta no mundo ciclistico. No Giro D'Italia, uma das três provas ciclisticas mais difíceis e prestigiadas do mundo, sul-americanos destes países não só participaram, como já venceram inúmeras vezes. Este ano já vencenram um uruguaio e um venezuelano.
População dos países, dados ~2024: Argentina - 46 milhões; Uruguai - 3.4 milhões; Equador - 19 milhões; Colombia - 53 milhões; Venezuela - algo em torno de 30 milhões. Número aproximado de usuários diários mais esporádicos da bicicleta no Brasil: ~40 milhões. Se todos estes países sul-americanos, que têm uma população em idade de uso da bicicleta bem menor que a de usuários no Brasil, conseguem ter ciclistas de ponta em equipes de ponta na Europa, por que nós não conseguimos?
Brasileiros nestas provas? Difícil de lembrar. Na história destas três provas tradicionais, Tour, Giro e Vuelta, até onde sei, uma única vitória foi com Mauro Ribeiro, faz muito muito tempo. De lá para cá quantos brasileiros foram convidados por equipes para participar nestas provas?
Por que? Como tive e continuo tendo, agora menos, contato com o pessoal que foi, é, esteve e está no meio do ciclismo profissional, infelizmente tenho a dizer que sobrou boa vontade por parte de alguns para fazer o ciclismo esportivo ficar vivo. Sim, ficar vivo, continuar existindo. Lembrando que de boa vontade o inferno está cheio, mas complementando que boa parte dos que lutam pela bicicleta não merecem o inferno, talvez uma bronca pelo amor incondicional pela bicicleta. Rapidamente: negócio é negócio, amor é amor; se quiser ir a falência misture as coisas. Fato é que o ciclismo no Brasil tem um problema crônico de administração e de falta de pragmatismo.
Tenho a dizer que a bagunça comecou bem lá atrás, quando num passado distante a bicicleta e o ciclismo no Brasil tiveram um sutil toque mafioso misturado a um oligopólio pragmático voltado para o "meu", e creio que me entendem. Esta forma de levar um esporte não foi nem é uma exclusividade do ciclismo, mas um mal arrasador comum a boa parte dos esportes olímpicos e profissionais deste país. O país do futebol que o diga, pode apostar nisto.
Outro fator, que já citei várias vezes, é a falta de interesse do cidadão brasileiro pelas conquistas, muitas heroícas, de alguns esportes e esportistas. Mais, caem no esquecimento com uma rapidez brasileira.
Triste.
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Roubo de bicicletas no parque, Ibirapuera
Comentários
Roubo de bicicletas é problema sério em todas grandes cidades do mundo, e não é diferente aqui. O número de roubos de bicicletas na cidade de São Paulo já é uma questão que deveria ter estar sendo tratada com atenção faz um bom tempo, e vem aumentando. Dois pontos, o primeiro é a má vontade das autoridades em registrar roubos de bicicletas, que ao que parece ainda é considerado um crime menor ou algo assim. O segundo é para mim tão ou mais grave, é o não relatar o crime porque demora, há má vontade dos policiais, não dá em nada... Não comunicar um roubo ou assalto pelos devidos meios legais é assinar em baixo que a "violência faz parte".
Roubo de bicicletas é um dos sustentáculos de uma rede de crimes muito mais sérios. Os Países Baixos, ou a popular Holanda, trata o problema como uma das principais políticas de Estado. NYC, L.A., Paris, Londres, e inúmeras capitais do mundo têm políticas específicas contra o roubo de bicicletas, e o fazem porque aprenderam que não é só uma bicicleta, mas envolve outras questões macro econômicas que fazem muita diferença para a administração geral da cidade.
Cadeados ou travas têm graus diferentes de resistência ao roubo, que hoje vai de 1 a 12. A trava da foto do Estadão é nível 4, se não me falha a memória. Lá fora e entre os da área da bicicleta os mais frágeis são conhecidos como "chama ladrão". Creio que seja de conhecimento geral que os parques de São Paulo são os locais preferidos dos ladrões. Nem que me paguem deixo minha bicicleta de poste parada e travada no Ibirapuera. Bicicleta de poste: uma bicicleta feia para estacionar em qualquer lugar, que não interessa a ladrões, a mais comum em Amsterdam, por exemplo.
Na Internet tem vários filmes mostrando o tempo de roubo em NYC de uma bicicleta que usam diferentes tipos de travas. Vale a pena ver. O da foto está por volta de 10 segundos para o ladrão sair pedalando.
Ou nós, brasileiros, passamos a relatar roubos e assaltos, fazer B.O., ou vai ficar muito pior do que está. Em termos práticos, afirmo que nossos dados provam que já vivemos uma guerra civil, e do jeito que vai pode piorar e muito.
Às autoridades, bicicleta parece, mas não é um brinquedo barato que não faz diferença. Espero que entendam isto antes que a brincadeira vire uma enxaqueca infernal na cabeça de vocês. Ela está aí. Não importa se custa meros R$ 500,00 ou R$ 200 mil. O que está por trás é muito sério.
sexta-feira, 24 de abril de 2026
Esse sou eu. Ou quase
Meu pai tinha uma habilidade para consertar, resolver e criar soluções que nunca tive, mas dentro de meus limites me esforcei, bastante. Tive mais vitórias que derrotas. O sabor de ver algo funcionando bem é incrível, mais ainda quando volta a funcionar.
Sim, trocar uma peça para ter o problema resolvido rapidinho tem lá suas vantagens, mas batalhar para entender o que acontece enriquece não só o lado consertador, mas a forma de ver e pensar tudo na vida.
Há uma batalha contínua com o pragmatismo. Sim, quando parar, quando entender que não vale a pena, que perdeu. Perdeu?
Meu caro, uma das frases mais importantes que ouvi veio na entrevista do principal CEO daquele momento, faz anos:
Quem não sabe perder jamais saberá ganhar.
Vale a pena consertar? Sim, com certeza, por diversas razões. Conserte! Entenda. Informe-se. Mas controle-se, seja prático, busque um caminho sensato junto ao seu pragmatismo.
Fica aqui minha inveja e minha homenagem a três amigos: o gênio Nelson JNA, Thiago Maga, e Luiz Scoo, três que se encaixam bem no que o vídeo descreve. Quero citar um mais, lembro perfeitamente a figura, não o nome, um dos mestres da gambiarra... Regis, lembrei.
Nelson construiu uma vida profissional onde pode 'brincar' com suas ideias.
Regis, habilidosíssimo, não teve a mesma sorte. Os imbecis que o contrataram foram incapazes de ver seu potencial, ou o colocaram para escanteio por inveja ou medo. A derrota dos imbecis foi flagorosa. Ele seguiu sua vida. História muito comum num país onde os espertalhões fazem grande sucesso.
A todos os conservadores, a todos os heróis da gambiarra, a todos inventores, tiro meu chapéu curvando a cabeça em profundo respeito.
Tivessem os brasileiros entendido e respeitado estes, teríamos um outro Brasil, como temos onde o país deu certo. Obrigado a todos vocês.
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Corrigir os erros de pedal
domingo, 12 de abril de 2026
Cris King, um rei dos rolamentos soberbos
quarta-feira, 8 de abril de 2026
Fogo no Velódromo do Rio
Desta vez foi o Velódromo do Rio.
Nunca vi pegar fogo em estádio de futebol. Por que será?



