terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Garfo rígido de alumínio com selo IMETRO? "É mesmo?"

Na minha 26 eu uso garfo rígido de alumínio, o que tem para vender. Se entrar na internet é possível que encontre mais opções, mas sou macaco velho e quero ver o garfo na mão, e tenho boa razão para isto. Como já tive que trocar alguns garfos e praticamente todos vieram desalinhados... só confio vendo com "estes'z'óios".

Eu entorno garfos? Não. Pode até acontecer, mas não foi o caso.

Tive que trocar garfos de suspensão que estavam com muita folga. Minha opção foi por garfos rígidos, primeiro de aço, que é o que tinha na época, agora de alumínio. Todos vieram de fábrica desalinhados, todos. Aconteceu o mesmo com o que instalei nesta bicicleta que estou pedalando, uma Trek 2008 freio a disco. Desta vez troquei a suspensão por garfo rígido de alumínio "made in Brazil", selo IMETRO. Na realidade três, todos vieram desalinhados, descentralizados, um deles com variação de caster (ângulo longitudinal), outro com apoio de freio a disco soldado desalinhado, mas todos com selo de garantia de qualidade IMETRO. 

Todos foram alinhados por mim, trazendo as duas pernas, ou espigas, para o centro, num processo lento e cuidadoso que só termina quando se larga a mão do guidão e a bicicleta segue sem a tendencia de fugir para um lado. Mais, só está realmente centrado quando você sente a bunda apoiada por igual no selim e no momento que você larga o guidão não há qualquer mudança de posição do guidão, por mais suave que seja. 

O primeiro tive que trocar porque um dia tive que tirar a roda dianteira, apoiei o garfo no chão, provavelmente sem mais cuidados, nada diferente do que teria feito e fiz toda minha vida com garfos de qualidade. Para meu espanto, quando fui colocar a roda a gancheira tinha fechado um pouco e o eixo não entrou. UPa! Upa! Upa!

O segundo consegui quase zerar o alinhamento, mas, neurótico que sou, procurei, procurei, procurei, até que achei um novo que pude medir na bicicletaria e estava muito próximo do zero - centro. 
  
Troca de novo. Este parecia que tinha futuro. Mas com o tempo a bicicleta começou a caranguejar. Uai? Acabei descobrindo que o garfo estava desalinhando sozinho. Caraca! Com selo IMETRO!

Então, vamos lá. Uma maquina pega os tubos e os dá a forma cônica de uma perna, ou espiga, de garfo. No caso destes garfos de alumínio o caster fica por conta do ângulo de soldagem das pernas, ou espigas, no canote de direção. Num garfo de aço se faz uma leve curva na ponta que serão soldadas as gancheiras. 
A soldagem final das pernas ao canote é feita num gabarito, que por lógica está zerado, ou centrado. Solda realizada, o ideal é esperar um pouco para tirar do gabarito assim o alumínio se acomoda. Mesmo assim o recomendado é que o garfo todo soldado e frio passe por um segundo gabarito para possível correção que é feita com martelo de borracha. E só então entregue à venda. 

Os detalhes: o alumínio usado tem que ser o correto para um garfo. O gabarito tem que ser zerado e checado periodicamente. A solta tem que ser realizada sob certos procedimentos e numa determinada órdem para manter o alinhamento e a resistência. Para quem não sabe, a Alfameq original fabricava bicicletas, garfos e peças com o alumínio correto para cada uma das partes, recebendo um tratamento final de envelhecido do alumínio, o que garante rigides e durabilidade. A saber, os garfos de BMX da Alfameq original foram eleitos os melhores do mundo por uma revista especializada dos Estados Unidos.

Voltemos aos que eu comprei agora. Guardo o direito de duvidar que usem o alumínio correto. Garfo zero KM desalinhado? Absurdo! Não, fato, pior comum, muito mais comum que se possa imaginar, inclusive em bicicletas saídas da caixa. Agora, o garfo sair de alinhamento com o uso? É nova para mim. Assustadora!

Eu que sou uma besta e estou estragando os garfos? Sou de uma geração que se a bicicleta quebrasse você ficava sem ela. Comecei o MTB com uma bicicleta que se espirasse ela desmontava, e nunca desmontou. Uma coisa que sou é cuidadoso, muito cuidadoso. Tenho plena consciência que aos 70 anos um tombo vai demorar muito para consertar, a bicicleta e mais ainda eu, isto se consertar. Prefiro continuar pedalando.    

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O ladrão é mais esperto e experiente

Tive um vazamento em casa e chamei o (santo) Antônio, um faz tudo das antigas, aqueles que resolvem de vez, trabalham sem alarde e quando saem deixam tudo em ordem, não dá nem para perceber que passou por aqui. Antônio já veio várias vezes e sabe que quando eu o chamo deixo o portão aberto para ele entrar. Hoje é dia de feira, e como sempre faço quando saio para fazer as compras, deixo o portão destrancado certo que ninguém vai entrar. Pois bem, Antônio chegou de moto, passou por traz de mim sem me ver, estacionou a moto, entrou no corredor, tocou o celular para avisar que estava lá. Ouviu o celular tocar e concluiu que eu estava na feira. Verificou e consertou o vazamento e quando terminou saiu para a feira, que é na porta de casa, me avisar que o problema estava resolvido. Tomei um susto. Não vi nada, nem ele chegando, entrando ou saindo de casa. 

No começo do MTB, lá pelo começo dos anos 90, um de meus amigos foi fazer uma prova no Rio de Janeiro. Na segunda-feira marcou um chope no calçadão de Copacabana com seus amigos cariocas. Passou uma boa trava na bicicleta e num poste que estava a uns 10 metros de onde eles estavam sentados, inclusive uns de frente para a bicicleta. Quando terminaram o chope olharam e a bicicleta não estava mais no poste. Por incrível que possa parecer, o ladrão soltou as placas com nomes de ruas e tirou a bicicleta com trava e tudo por cima do poste. Ninguém viu.

Um dos feirantes contou que tem uma bicicleta boa, mas que não pedala mais porque um amigo pedalando uma bicicleta igual a dele sofreu um assalto, com espancamento, perto da casa dos dois, numa das avenidas mais movimentadas de São Paulo. O assaltante surgiu do nada. Ouvindo a conversa estava o manobrista do estacionamento, a quem eu ajudo, que tem uma bicicleta muito simples, das imunes a roubo. Sempre repito para ele não trocar a bicicleta porque mais que os assaltos, roubam bicicletas com facilidade. Por isto holandes costuma ter uma tranqueira para o dia a dia.

Sobre assaltos, sempre repito o que aprendi com um investigador que conheci faz muito: "Assaltante e ladrão vão onde tem muita mercadoria disponível. Ele não vai ficar numa rua deserta esperando alguém passar. Ele vai onde tem um monte de ciclista ou bicicletas estacionadas".

Ladrão que é ladrão é invisível. Tua propriedade some, você não sabe como, quando e por que. Some. Para ladrão de verdade, os profissas, o sujeito estar por perto não importa, porque ele sabe quando o cara está em outro planeta. Com a loucura do celular virou brincadeira. 

Há uma regra antiga para dificultar roubos: estacionar a bicicleta em lugar onde o ladrão não consiga identificar o dono ou se alguém está vendo. Num vidro ou espaço aberto de uma loja ou bar, por exemplo, de preferência perto. Ladrão precisa ter alguma certeza que não será visto e identificado. E precisa saber também em quanto tempo ele leva para soltar e desaparecer com a bicicleta. 

A verdade é que a única garantia, se é que é há qualquer garantia, é ter uma bicicleta que não seja interessante para o ladrão, ou assaltante. De resto, tem ladrão e assaltante que é profissa, que dificilmente será pego. No caso dos assaltantes, quanto mais tranquilo for, menor a possibilidade de acabar mal.

Já perdi uma bicicleta na porta de supermercado, mesmo assim vou na boa fé que não vai acontecer novamente. Estupidez pura, tenho que mudar. Aliás, depois do fantasma Antônio...

Outro dia, um panaca todo paramentado e com uma triatlo bem cara, se recusou a encostar a sua nas nossas, que seria seguro, e deixou a dele encostada numa porta de garagem fora do alcance e virada para onde um profissa teria facilidade de sumir. Aliás, sumiria fácil fácil porque a bicicleta estava direcionada para a descida. E o panaca enterrou se no celular. Confesso que tive uma vontade louca de brincar com a burrice dele, mas panaca histérica é que não falta e duvido que encarasse tudo como uma bronca inesquecível.

E aqui entramos num ponto crucial para todos, não só os ciclistas: vivemos um momento no qual todos perdemos a noção de limite, da linha que não se deve ultrapassar. Até na bandidagem havia um "código de honra", ou código de conduta, um limite da asneira que o sujeito podia fazer. Não existe mais. A barbárie corre solta, muito em parte porque a polícia não consegue mais investigar tudo o que ocorre, muito menos chegar nos responsáveis, e menos ainda prende-los.

Nunca mais saio de casa e deixo o portão aberto, mesmo que seja para comprar verduras na barraca que fica na porta de casa. Antônio provou mais uma vez que minha atenção numa coisa transforma o essencial em invisível.  

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Troca todo sistema de marchas?

Estou bem espantado com as conversas que tenho ouvido sobre como as bicicletarias estão propondo manutenção para seus clientes. O discurso "a corrente está gasta. Precisa trocar tudo (corrente, toda a relação de marchas, cabos e conduites, quando não os trocadores também)" Esta conversa fiada vem de muito, mas parece que agora emplacou de vez. Pior, o pessoal aceita sem pensar nem piscar.
Mais pasmo ainda com o relato de proprietários de bicicletas sobre a naturalidade com que os proprietários das bicicletas sorrindo gastaram fortunas "para manter a bicicleta em ordem". 
Pior, tenho ouvido relatos de ciclistas que entre amigos ciclistas se gabam de ter gasto fortunas em manutenção "preventiva" e limpeza da bicicleta. Uau! Que chique! Nunca pensei.

Manutenção preventiva? 

É claro que a Shimano, ou outro fabricante qualquer, recomenda a troca completa quando é constatado o desgaste ou defeito de alguma peça ou componente além do que é definido por eles próprios. Sacanagem? Sim e não. Sob os olhos da lei, não, não é sacanagem, mas precaução para evitar processos judiciais. Se aqui no Brasil é difícil dar problema, nos Estados Unidos qualquer coisinha pode resultar numa brincadeira muito muito cara para o fabricante. 

A forma como as bicicletarias estão trabalhando têm a ver, em parte, com medo de processo, e muito em parte com esta nova geração de ciclistas pensarem no pedalar como status social. Um dos proprietários de bicicletaria com quem conversei contou que um ciclista queria porque queria que se trocasse as pastilhas de freio que ainda tinham mais de meia vida, ou, muitos, mas muitos km mesmo de pedal pela frente. Foi duro convencê-lo que não era necessário. "... mas na outra bicicletaria me disseram que precisava..."  

Corrente gasta é o que mais pega. Existem ferramentas para medir corrente, medida de desgate máximo que é definido pelo fabricante da corrente. Concordo, o ideal é trocar quando se passou do limite. Sim, mas trocar a corrente, não todo o sistema como estão empurrando as bicicletarias. Tenho boas razões para acreditar que as peças velhas não acabem no lixo, mas isto é outra história, e afirmo com todas as letras que não há má fé ai. Um bom mecânico vai colocar para rodar por um bom tempo ainda, e aqui estou falando de mim mesmo que tem várias peças de bicicletas recolhidas do lixo, literalmente. 

Um sistema de troca de marchas é composto basicamente por corrente, relação de marchas dianteira e traseira, cabos e conduites, trocadores. A pergunta a ser respondida é "por que não está funcionando bem" - se for o caso. E a resposta virá - se for o caso - da inspeção de cada uma das partes do sistema. O que está acontecendo, e repito, faz muito, é mais ou menos "furou o pneu, Eu recomendo trocar toda a suspensão e freios".

Para finalizar, já li, vi e ouvi de vários especialistas daqui, dos Estados Unidos e Europa, que não é recomendável desmontar e montar a bicicleta para mantê-la em perfeita condição de uso, pela simples razão que aumenta a possibilidade de surgirem problemas que até então eram inexistentes na bicicleta. Ciclistas normais precisam entender que há uma diferença enorme entre as necessídades de um ciclista profissional e um amador, o que se reflete na condição de uso da bicicleta. Lembrei agora de um pequeno detalhe: mesmo em equipes profissionais de ponta, mesmo em condições não ideias, como pegar trechos molhados ou com um pouco de poeira, a bicicleta é limpa, e pronto. Limpeza, a seco, com escovinha e paninho, eventualmente uma lubrificação de corrente, quando realmente necessária. Esta neurose desmedida de "cuidar da bicicleta", "bicicleta perfeita", e outros discursos mais, são ótimos para qualquer coisa, menos para a qualidade do pedalar, para um ciclismo de verdade. 

Eu fui o responsável por receber e cuidar de Stive Tilford e Ted Turner, do Team Specialized MTB que veio para cá em 1992, São Paulo, para participar de provas. Eles tinham a sua disposição uma oficina de ponta, reconhecida aqui e nos EUA, para fazer qualquer manutenção, mesmo que fosse a noite. No sábado eles treinaram debaixo de um temporal horroroso. Levaram suas bicicletas para o hotel, eles próprios limparam, e no dia seguinte foram para competição. O único problema que deu foi o hotel mandar a conta das toalhas utilizada, que ficaram imprestáveis até para pano de chão. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Indústria de ponta? Por que uma bicicleta pode custar tanto?

O que é uma indústria de ponta? Ou para que serve? "É o setor responsável pelo desenvolvimento de produtos e serviços de alta tecnologia", diz uma pesquiza. E eu coloquei a pergunta 'para o que serve?' porque tem quem só consiga vê-la como criadora de produtos sofisticados para a classe A. Sim, quem olha por este lado tem lá sua razão porque um produto de ponta, para valer, custa caro, muito caro, por diversas razões, mas principalmente porque só pode ser produzido envolvendo inteligencia e mão de obra muito especializada.

Por que uma bicicleta pode custar tanto? Não só escala de produção baixa, mas materiais usados raros e caros, transformação destes materiais complexa, mão de obra diferenciada, e, porque não dizer, clientela também diferenciada, que pode pagar ou paga sem pensar. Indústria de ponta, para valer, tem em seus custos detalhes que vão muito além dos custos de produção. Pesquisa, por exemplo.

A equipe olímpica de ciclismo de velódromo da Inglaterra usou em 1992 a Lotus Sport Pursuit Bicycle, ou Lotus Type 108, um modelo em monocoque de fibra de carbono, aerodinâmico, desenvolvido com auxílio inclusive da equipe Lotus de F1. Foi publicado que as primeiras 16 fabricadas custaram U$ 1 milhão - da época e na época um valor completamente absurdamente alto. Anos mais tarde o modelo foi colocado em produção, o que para a história da bicicleta interessa menos que as mudanças introduzidas: uso de fibra de carbono e necessidade de estudos aerodinâmicos. Monocoque para bicicleta acabou abandonado.


Time Bicycles é, faz muito, uma marca topo de linha no mundo das bicicletas. São maravilhosas. O vídeo sobre a linha de produção deles é um dos disponiveis sobre a fabricação de bicicletas de ponta. 
O vídeo sobre a produção da Bastion Cycles, um dos brinquedinhos mais sofisticados e caros do mercado, é impressionante. Eu nunca tinha visto e não fazia ideia de como funcionava uma máquina de corte das laminas de titânio para construção 3D de peças, no caso os cachimbos.

O mundo da alta tecnologia é facinante, não só para quem gosta, mas para leigos. Teresa, do Saia na Noite, ficou maravilhada com o vídeo sobre a fabricação dos Bentley, automóvel de altíssimo luxo onde, junto com alta tecnologia, entra na produção artesões que tem uma qualidade de trabalho de uma precisão para mim inexplicável. 

A fabricação das bicicletas de ponta está baseada na precisão em todas as etapas do processo, funcionários com alta qualidade de resultados, e um sistema de controle final apuradíssimo. Outro dia vi um documentário sobre uma tradicional e respeitadíssima fábrica de pedais japonesa, que trabalha ainda com metodos tradicionais de produção, mas com precisão de 0,01 mm. A diferença para uma fábrica como a da Time é muito grande, mas o resultado pode ser resumido na disciplina de seus funcionários. Os eixos de pedal são ajustados um a um por dois funcionários, o primeiro faz um ajuste que até pelo vídeo é possível ver ser mais preciso que o usual do mercado, e um segundo funcionário faz um micro ajuste para que o pedal gire completamente livre. Numa fabrica moderna quem dá este ajuste é uma máquina. Os funcionários ajustadores são mágicos artesões, que só vendo pessoalmente para entender.

Se um dia tiver a oportunidade, entre numa bicicletaria de ponta e peça dois cubos de roda, um normale outro de alta tecnologia. Sim, cubo de roda, não me pergunte porque chamamos de cubo o conjunto eixo, rolamentos, bacia e cônico, montados num cilindro com pontos para fixação dos raios. Simplesmente não é um cubo, mas se diz cubo de roda. Vai entender.
Voltando, peça para comparar dois cubos de roda, um normal com um ponta de linha. Gire o eixo na mão. Vai descobrir o que é precisão, tecnologia de ponta, fabricação de qualidade ou alta tecnologia. Se for de alta tecnologia para valer haverá uma enorme diferença no peso.

Quanto pesa uma Time? Ou uma bicicleta profissional? Não vi, mas provavelmente deve estar por volta do limite de peso dado pelas regras de competição oficiais da UCI, 6.8 kg.
Peso faz diferença? Sim, bastante, mas não é só o peso, o atrito faz muita diferença. Reduzir peso e atrito nas e das rodas dá muito mais resultado do que reduzir o peso geral da bicicleta trocando peças não móveis. 




Diminuição de peso só é possível com tecnologia pura, ou a redução do peso acaba comprometendo a resistência. Já vi teste de bicicleta de 3.4 kg, que não demorou muito para ter uma peça quebrada. 

  


https://youtu.be/iAYM9AkqbAE?si=9vwOM-y9HmE1N-sF

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Sobre a "Carta Aberta à Comunidade Ciclista - Princialmente a quem usa a Ciclovia Rio Pinheiros

"Sobre a "Carta Aberta a Comunidade Ciclista - Principalmente a quem usa a Ciclovia Rio Pinheiros
Com muita tristeza começamos a semana trazendo um posicionamento necessário"





Não copiei o que publiquei neste Instagran. Quando fui copiar, não dava mais. Vou comentar na mesma linha de pensamento.

O problema que se tem na Ciclovia do Rio Pinheiros, e diga-se de passagem não só lá, vem de longo tempo. Primeiro foi o Pelotão da Morte nas marginais, depois o mesmo dentro da USP Butantã, e agora esta nova geração de (ditos) ciclistas muito agressivos. A bem dizer, antes do Pelotão da Morte já aconteciam situações com ciclistas normais, de rua, que de certa ocorreram de forma semelhante aos que quem se reclama hoje. Ou seja, o problema vem de muito longe.
De certa forma estes ciclistas, ou melhor, esta forma de ciclismo, de uso da bicicleta, ganhou força e se estabeleceu muito em razão do apoio que tiveram no passado do movimento da bicicleta, quando os que reclamavam do comportamento deles nas marginais eram pesadamente criticados, quando bateram de frente contra o fechamento da USP, e outras tantas situações mais nas quais o lutar pela causa da bicicleta não se importando com "detalhes" foi muito mais importante que o que estava envolvido ou ouvir o outro lado. Ou seja, este tipo de mau comportamento de hoje tem um aval dado no passado. Para piorar, agora vem de uma geração muito mais numerosa, de um setor de bicicletas muito mais forte, articulado e estabelecido, e principalmente de um nível social, educacional e financeiro, com muito mais poder de posicionamento. 
Se está colhendo o que foi plantado.

Como reverter esta situação? O primeiro passo é deixar de falar em nichos fechados de comunicação. Quer se comunicar com o outro, então procure falar com o outro de forma e maneira que ele entenda e reaja da maneira desejada. 

Não publiquei no Instagran, mas entrar em contato com as bicicletarias e fazer uma campanha conjunta com elas, que são quem tem diálogo com estes ciclistas de comportamento inapropriado, eu diria completamente inapropriado. Contornar o discurso pronto das bicicletarias que "nós somos contra, nós buscamos orientar...", que guardo o direito de pouco crer, pelo menos da forma e com a incisão necessária para a situação, porque perder cliente não deve estar no projeto final de seus negócios.

Frear esta baderna que vivemos é muito mais difícil do que se possa imaginar. Infelizmente os caminhos escolhidos pelo movimento da bicicleta desde seus primórdios tem muito a ver com o que está acontecendo, repito, não só na Ciclovia Rio Pinheiros. 
Do fundo do coração, espero que se faça alguma coisa e que, mais importante, se obtenha algum resultado. Moro ao lado de um dos acessos da ciclovia Rio Pinheiros, uso muito para me transportar, evito entrar em horário de pico, sei muito bem como é. 
Para terminar, e falando como leigo, ou chutando, Brasil não tem um ciclista nas grandes provas, Giro d'Italia, Tour de France, Vuelta de Espanha, dentre outras, muito por conta da mentalidade que se estabeleceu no meio ciclístico daqui, para minha tristeza, não só no ciclismo esportivo.
Os grandes nomes do ciclismo, que temos, são completamente desconhecidos, portanto não são tomados como exemplo, que os foram e os são.  

Não posso deixar de repetir: Não é mais, é melhor, bem feito, com mais qualidade. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Gravel ou uma MTB das antigas?

 


Mesmo que você não entenda inglês, vale a pena ver este Youtube da GCN. O resumo: os três 'guris' (para minha geração de pedal) foram até uma loja de bicicletas usadas e pegaram três MTB 26 das antigas, duas GT e uma Gary Fisher, cromo-molibidênio, V-brakes, etc... Trocaram os pneus por uns estilo 'gravel' (?) e sairam para rodar, para ver como elas se comportam em relação às suas gravel modernas - carbono, freio a disco, levinhas, muitas marchas, aquela belezura de engenharia atual. 

Ainda no começo, mesmo antes de sairem para as trillhas, ou estradinhas de terra, um deles teve a roda dianteira destruída por uma senhora que manobrou o carro em cima da coitada da bicicleta mal estacionada. Que seja. Ele desentortou a roda do jeito que deu, fez uma parte do teste com o V-brake dianteiro solto, e depois trocou de roda. Ai, meu Deus, entortaram um aro dos antigos, folha simples, leves, resistentes, maravilhosos. Quase chorei. 

Não precisa entender o que eles estão falando. Está na cara que durante o teste eles estão gostanto e muito das bicicletas. Em certo momento dizem que funcionam supreendentemente bem. Esperavam o que?

Eu ri muito com os comentários dos três. Como disse no começo deste texto, os 'guris' são de outra geração, não fazem ideia, ou esqueceram, o quão maravilhosas são as velhinhas, principalmente as MTB dos primeiros tempos. 

Nunca pedalei numa destas novas gravel, que devem ser divinas. Mas nunca canso de pedalar as velhinhas, que sempre são surpreendentes. Saudosismo? Não, mas não mesmo. Contei num texto recente que dei uma rápida pedalada numa Konna 26, das ultimas ainda 26, toda Deore, de babar. Tenho uma KHS de..., de..., de... creio que 2005, 27 marchas, cromo, clássica. Mágica, uma poesia, só no pedal para entender. 

Enfim, não vou ficar babando aqui minhas paixões. Só deixo o recado: se você é da nova geração, os guris ou mais novos, e só pedalou uma maravilha qualquer da tecnologia moderna, quando tiver a oportunidade de pedalar uma MTB original dos anos 90, aproveite. Se for do começo dos anos 90, melhor ainda. Vai se surpreender. Os garotos do GCN se surpreenderam, adoraram. 

Aumentar do condutor, como? Qual o valor do equipamento?

 


Tem um documentário sobre segurança para motoristas que no seu finalzinho faz a seguinte pergunta para o maior especialista da época: Qual seria o automóvel mais seguro para os motoristas? Num típico humor britânico, ele solta: O que tivesse uma faca no meio do volante apontada para o peito do motorista. Ele seria mais cuidadoso.

Um amigo, que trabalhou com sistemas de segurança para ciclistas e era motociclista, dizia com toda razão que "O sujeito pode estar dentro de um tanque de guerra. Se ele conduzir errado vai se machucar".

A questão de boa parte dos itens de segurança obrigatórios para qualquer veículo pode ser rebatido sob vários aspectos, todos com base na ciência, portanto em dados existentes. Também poderiam e deveriam ser debatidos e rebatidos sob vários aspectos econômicos e sociais. 
Um ótimo exemplo vem da segurança do ciclista. Capacete melhora a segurança? Bom, é um debate e tanto, mas todos as pesquisas, dados e provas científicas apontam que... depende de diversos fatores e circunstâncias. Muitíssimo mais importante que o uso do capacete é a forma como o ciclista pedala. Mais, numa bicicleta de transporte urbano, onde o ciclista pedala mais ereto, o capacete é praticamente dispensável, por esta razão não é obrigatório em praticamente todas as partes do planeta. Capacete no ciclismo esportivo, onde o ciclista pedala mais inclinado, é outra coisa. Quanto mais inclinada a posição do ciclista, mais importante o uso do capacete. Óbvio que velocidade faz diferença.  

Segurança, a real, é ciência, não tem nada a ver com achismo, falácia ou propaganda.

Verdades estão sendo bombardeadas e no meio desta confusão generálizada pode-se dizer que quanto mais ilusão, mais chique. Ou, "Dane-se, se eu tiver mais, se parecer melhor, e me sentir mais confortável pagando menos, está bom, tá legal".

Quanto mais assessório, mais legal, melhor. Quanto mais assessório, melhor também para a cadeia produtiva, mais trabalho, mais impostos, mais satisfação de quem compra. 
Uma revista especializada europeia, não me lembro qual, apontou que muito mais da metade de automóvel moderno são inutilidades. No caso de um automóvel de luxo as inutilidades, ou coisas que o proprietário nunca vai usar ou nem saber que existe, pode chegar a mais de 80% dos componentes totais. Portanto custos para o proprietário, com algum impacto futuro, impacto sério, não só para ele, mas para toda sociedade. 
Você sabe tudo que seu automóvel tem? Sabe usar tudo?
Pelo menos parece que estão chegando a conclusão que paineis digitais em vez de aumentar a segurança do ciclista, diminuem, e muito. Especialistas falam que estes 'tabletes' no meio do painel são tão perigosos quanto o uso do celular na direção. 

Dados estatísticos confiáveis, colhidos em várias partes do planeta, provam sem deixar dúvida, que a quase totalidade dos acidentes tem por razão o condutor.  Seguem confirmando velhos dados estatísticos. Óbvio que sobre isto ninguém quer falar, não interessa. O negócio é ter proteção contras as próprias besteiras, os próprios erros, bem barato, de preferência.

A declaração do presidente da Fiat foi infeliz porque algumas coisas não se fala em público, vão ser poucos que vão entender o que se está sendo dito. 

Nesta confusão toda vem um detalhe quase esquecido: a cidade. Em cidades que estão preparadas para a vida, a maioria dos itens de segurança de um automóvel são quase inúteis. Um dos principais fatores para determinar se uma cidade está preparada para a vida é a velocidade máxima de todos veículos, que deve ser baixa, própria para escala humana.