Selim de bicicleta é selim de bicicleta. Por melhor que seja nunca será uma poltrona fofinha frente a TV. Os selins de hoje são deliciosos em comparação aos de antes de 1988. Mudaram muito com a chegada do MTB. Quem pedalou qualquer bicicleta das décadas de 80 para trás sabem bem, mesmo os com mola. Não faço ideia de como aguentei viajar pedalando sentado no selim de minhas Caloi 10, um plástico duro com uns 3mm de espuma, e o da Cruizer, um muito pouquinho mais confortável (confortável?). Não faço ideia de como conseguia sentar para dar aula depois de ter pedalado de minha casa até a escola com um Barra Forte feminina.
Hoje tem selim para cada bunda, para cada tipo de bicicleta, para cada percurso, para cada esporte ou lazer. De vez em quando aparece algumas 'invencionisses' que juram ser a solução para todos males do selim. A última é a reinvensão de um selim que os dois apoios, direito e esquerdo da bunda, se movem e acompanham o movimento do corpo. Bom, não é exatamente uma novidade porque a primeira patente creio que tenha sido feita antes dos 1900 nos Estados Unidos. Se fosse tão 'bão' assim todo mundo estaria usando.
Meu pai me deu, todo orgulhoso, um selim 'bundão', aquele com molas e da largura de uma poltrona. É gosado ir daqui para ali perto pedalando num deles, mas se for um pouco mais longe doi tudo. Enfim, não é o tamanho, a largura ou as molas, mas um que se adapte ao formado da bunda do usuário e que atenda o que ele vai fazer com a bicicleta.
O oposto do selim bundão são os usados por profissionais de ciclismo de estrada que são finininhos, duros feito pau, sem acolchoado, levíssimos. Custam uma fortuna. Não faço ideia de como eles, os pró, aguentam pedalar horas a fio. A bermuda acolchoada? Até conhecer e acompanhar o ciclismo profissional CDF eram só os bons alunos.
Bom, eu sou um simples mortal com bunda calejada, mas dentro de meus limites, ou dos limites de minha bunda. Que seja. Meu problema é outro. Pedalo com roupas normais, ou, não pedalo com roupa de franga, bermuda acolchoada e etc... Me atrapalho com a bermuda de ciclista. Eu sei, sei, mas que seja, esta não é a questão.
Ontem tirei a calça jeans e vi a luz cruzando os fundilhos... mais uma vez. Uau! puiu? Não, felizmente só descosturou. Eu ia ficar bem chateado se tivesse puido porque é um jeans preto, lindo, dos bons. Este ano já tive que descartar duas bermudas que puiram no rabo. Antigamente eu seguia pedalando até ficar de bunda de fora, mas criei vergonha, sempre faço uma inspeção para ver como está o tecido, e bem antes de rasgue lavo e dou para os carroceiros, que vão usá-la ainda por muito tempo. Perdi a conta de quantas calças e bermudas já doei.
Uma vez cheguei na piscina que nadava com frequência e meus amigos passaram a manhã gozando da minha sunga. Só fui entender quando tirei a sunga para voltar para casa. Passei a manhã toda na piscina de bunda de fora e os malditos não me avisaram. Depois rimos muito da história. Simples, sempre ia pedalando vestido com a sunga, que por sua vez já estava bem usada. A Flora, que nadava junto, viu minha bunda ao vento, juntou o pessoal e a gozação não teve fim. Felizmente não fui pego pelo salva-vidas, também meu amigo, que tiraria um sarro sem tamanho e me expulsaria da piscina.
Mas não foi a pior. Indo para um jantar um pouco mais formal, não só a calça rasgou, como quando eu parei no sinal o selim entrou dentro do rasgo e fez o resto do serviço. No jantar me perguntaram porque eu não tirava o casado amarrado na cintura. Tanto encheram que mostrei. A gargalhada foi geral. Óbvio que foi a conversa central do jantar. Na despedida ouvi "Não vai pegar um resfriado na bunda e espirrar pelo ..."




