segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Nova ponte passarela acesso a ciclovia Pinheiros em Pinheiros

Não sou contra a nova ponte, sou contra os que pensam, imaginam ou querem que esta ponte faça os ciclistas que vem pela av. Eusébio Matoso ou da Vital Brasil mudem seus caminhos para obrigatoriamente cruzar o rio Pinheiros por está nova ponte.
A verdade é que ela servirá, em particular, para o ciclistas que treinam na ciclovia Capivara. Trabalhador? Só os que pedalam para longe, em particular o sul da cidade.

Desculpem a besta aqui que não sabe trabalhar direito o blog. Os vídeos estão publicados fora de ordem.

Mais, acabei de rever este material que subi agora. Minhas falas nos vídeos são um desastre. Esperam que entendam o que pretendo mostrar. 

Há documentação falar sobre caminhos naturais de todo ser humano, seja ele brasileiro, suíço cumpridor de regras, ou de onde for, que prova, sem deixar qualquer dúvida, que todos tendem a fazer o caminho mais curto e reto. No geral, quando as autoridades decidem fazer o caminho que acham mais seguro para pedestres e ciclistas, suas opções costumam ser desrespeitadas. 

O correto neste caso seria acalmar a velocidade da faixa da esquerda na ponte Euzébio Matoso com sinalização para que se dê preferência ao ciclista. Lutar contra o caminho natural é ainda responsabilizar o ciclista por estar circulando ali quando há uma ponte específica para ele, é brincar com a realidade imutável. 

Vamos ver como se transformará o uso desta nova ponte passarela, vamos ver quem realmente a usará. Bato uma aposta que a maioria será de coxinhas, como são apelidados pelos peba os ciclistas vestidos de frango que treinam na ciclovia Capivara / Pinheiros. 

Que cidade você quer?

De minha parte eu gostaria que meus netos pudessem pedalar nas ruas. Nas ciclovias? Eu não levo. Por que? Medo do comportamento de boa parte dos ciclistas. 
Minha cidade? Acalmada. Não segregada. Sem pessoas apontando o dedo no nariz da outra para acusar de... 










Sobre a nova ponte acesso para ciclistas em Pinheiros

A opção que se fez foi pela cidade de segregados. Cada um no seu quadradinho em nome de uma segurança que atende principalmente a interesses particulares.

O que foi implantado obriga que os trajetos, com frequência, sejam os não desejados e lógicos, mais curtos e sensatos, sejam para pedestres, principalmente, e ciclistas.

O mais interessante, para eles, quem quer que seja que implementa estes trajetos, é que o segregado com seus caminhos por vezes sem sentido, defende com com unhas e dentes esta implementação, principalmente entre ciclistas. Pedestres se viram, fazem o que podem para caminhar menos.

A reconstrução das cidades que se está fazendo em lugares civilizados é acalmar e integrar tudo. Não resta a mais remota dúvida que convívio por só resolve boa parte dos problemas sociais de qualquer lugar, e resolveriam mais e melhor os que temos aqui e no Brasil.

Foi inaugurada a ponte para pedestres e ciclistas cruzando o rio Pinheiros na altura da ponte Euzébio Matoso e paralela a ponte Bernard Goldfarb.

Duvido que ciclistas que descem a Rebouças e os que pegam a Euzébio Matoso, uma reta só, vão fazer toda volta para pegar a nova ponte acesso. Aliás, não vi qualquer sinalização orientando para tanto.

Dependendo da pressa, atravessar a Bernard Goldfarb é um ganho de tempo sensível. Quem estiver descendo a Euzébio duvido que vá fazer toda a volta para sair na Vital Brasil, uma volta mais demorada ainda.

A nova ponte para ciclistas é muito bem vinda, principalmente para acesso e saída da ciclovia rio Pinheiros. Para pedestres também, se bem que, morando na rua Eugênio de Medeiros, a da cabeceira da nova ponte, rarissimamente vi pedestres ali.

Segregar tem seu preço, parece que a história deixa bem claro. Fizemos a opção pelo segregar quando mundo afora se faz a opção pelo agregar, juntar, unir.

Não resta dúvidas que em situações específicas se deve segregar, mas fazer da segregação regra é um erro muito além do primário ou da boa fé.

Depois intensões o inferno está cheio. Nossas cidades que o digam.

Que cidade vocês querem?



sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

São Paulo para se pedalar como nos velhos tempos

Feliz Natal e Feliz Ano Novo. 
Para mim será feliz mesmo. Sento na bicicleta e saio pedalando como se estive nos anos dourados do pedal, aqueles de uma cidade com pouco movimento, poucos carros circulando, ruas tranquilas. Pelo parâmetro que temos hoje, digo uma cidade vazia. 

Livre, estou livre. 
- Você vem passar a meia noite do Ano Novo aqui em casa!
- Nem que me pague! E percebendo o que foi recebido como uma grosseria, emendei imediatamente; O melhor momento de todo ano para mim é sair para pedalar no dia primeiro de janeiro bem cedo. Não tem igual. Faz uns anos, no meio da pandemia, só de gozação, eu deitei no meio do asfalto de uma rua que durante o resto do ano é muito movimentada, e tirei uma soneca. Tem coisa melhor?

Terminaram as festas e as férias. O inferno está de volta, pelo menos até o próximo feriado prolongado. Quando será? Preciso de uma folga, quero pedalar em paz, ruas vazias, velhos tempos, ou algo que lembre.

A pandemia foi uma benção para mim. Nos primeiros dias, com todo mundo apavorado e trancado em casa, eu pegava a bicicleta, cruzava o rio Pinheiros e ia pedalar num bairro que mesmo em dias normais é muito tranquilo. Sem máscara, sem ninguém para me encher o saco, como nos velhos tempos.

Uma das maravilhas daqueles tempos de pouco trânsito e menos bicicletas ainda, é que o ciclista era simplesmente invisível. Eram tão poucos e tão raros que a maioria sequer percebia nossa passagem. Nada como ser invisível e poder ver e curtir tudo em paz. 

Não é só o saco que pedalar no meio do trânsito, ou por causa dele ter que pensar que caminho fazer para ir mais tranquilo. É ter que ficar prestando atenção no que acontece e não poder pedalar olhando os passarinhos, por exemplo, sem se preocupar.

Numa ciclovia? Aí é que fico tenso. Domingo bem cedo tenho bons momentos. Na ciclovia do rio Pinheiros? Nem que me paguem! Pedalo onde costumava pedalar sem problemas, em avenidas e até em alguns trechos da marginal. 

Hoje são duas as situações que me perturbam, e por que não dizer a todo ciclista e cidadão: trânsito, ou falta de espaço para pedalar em paz, e, muito pior, o medo de ser assaltado, que virou uma constante ridícula, coisa de cidade selvagem. 

Para quem não viveu os velhos tempos, e falo do final da década de 70, eu amarrava minha bicicleta com uma trava, fininha fininha, num poste da rua Boa Vista, Centro Velho, voltava e a bicicleta estava lá. Ninguém se interessava. 
Naqueles tempos conseguia estacionar o carro na porta, ou muito próximo, de qualquer lugar que fosse. Na faculdade só comecei a ir pedalando quando passei a estacionar o carro a 100 metros da entrada, o que achava um absurdo. Adorava dirigir, mas preferia pedalar. Mais livre.

Tenho certeza que os velhos tempos não voltam mais, mas tenho esperança que um dia as nossas cidades fiquem minimamente organizadas para a qualidade de vida de todos. Esperança vã? 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Algameq.

Tive várias Alfameq e adorei. A minha da época que fiz Bike Repórter Eldorado FM era mágica, 11 kg, um foguete. Para 1999 era muito leve, rodava maravilhosamente bem, tanto que um dia recebi uma bronca porque os ouvintes não acreditavam que eu estava pedalando, mas de moto. Hoje, passados mais de 20 anos da minha fase Alfameq, a original, quando a marca era do Gioachino e do Gaetano, dois italianos de verdade, nascidos na Itália, pedalo uma delas e continuo dizendo que são mágicas, fora de série. Aceleram e rodam maravilhosamente bem. 

Depois de muito tempo sem pedalar uma, cruzei com um cara numa toda original de época, anos 90. Parei o sujeito, perguntei se podia dar uma volta, ele emprestou, rodei uns 100 metros e não acreditei, quase cai do sorriso, da alegria. 

Não faz muito comprei uma usada, toda surrada. Estava passando por uma esquina onde conversavam dois seguranças da rua, um deles dizendo que estava vendendo a Alfameq Tirreno tamanho 21, prata, que segurava. Continuei pedalando, pensando "De novo não. Comprar mais uma (bicicleta), não! Juizo!", quando ouvi o preço. "Não, aí não, assim não dá!", e dei meia volta e comprei por um preço imperdível. Nem olhei direito, nem experimentei, levei para casa e só lá vi que estava montada com peças Shimano 100GS, maravilhosas, tudo funcionando. Vistoriei com cuidado e o quadro estava inteiro, sem nenhum problema, só a pintura desgastada. Tinha sido montada na ScooBike, de meu amigo Luiz, portanto consegui uma referência que não era roubada. Ruim mesmo só o garfo de suspensão, que foi devidamente para o lixo.


As peças Shimano 100GS foram montadas numa Haro feminina que foi entregue o CCM, Centro Cultural Movimento, museu de motos e bicicletas em Socorro, próximo a Bragança Paulista. 

Demorei para remontar porque não foi fácil encontrar as peças de época como as que eu tinha na minha. Achei inclusive o garfo rígido original da Alfameq. Os aros de folha simples, que se usavam na época, encontrei por pura sorte. Estavam esquecidos no estoque de uma das mais tradicionais bicicletarias porque ninguém mais quer aros folha simples. Sorte minha. Consegui um conjunto de 24 marchas, mas agora falta só o câmbio traseiro original para ficar perfeita, mesmo assim já está uma delícia, uma avião.

Tive várias Algameq, a primeira uma Ghibli, traseira elevada e muito curta. Acelerava e subia maravilhosamente. Mandei-a para um museu, senti o cheiro que seria roubada e foi. Fui com ela para a Holanda e de lá para NY, onde por pura sorte peguei a cidade vazia por três dias. Rodei até ter cãimbras. Passei por algumas bicicletarias para mostrar a menina (bicicleta) e em todas a curiosidade foi grande.

A Ghibli em NY 

Acabei estabelecendo uma amizade com Gioachino. Recebi alguns protótipos, um deles híbrido, todos ótimos. Infelizmente a Algameq original não existe mais, foi vendida. Fato é que eles fizeram história, mudaram o padrão de qualidade e o que brasileiro pensa sobre o que é uma ótima bicicleta. Eles provaram que dá para fabricar com altíssima qualidade aqui.

Steve Tilford, um dos melhores ciclistas da história americana, Campeão de Ciclocross e primeiro Campeão do Mountain Bike, veio para cá para competir uma prova pela Specialized, de quem era ciclista oficial, ganhou uma Tirreno, levou para casa, uma cidadezinha ao norte do Estados Unidos, montou, testou, e me escreveu dizendo se apaixonado pela Alfameq.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Aerodinâmica

Rodas aero, ou aerodinâmicas. Quanta besteira! Praticamente todos os usuários de bicicleta, incluindo a maioria dos que se dizem ciclistas (esportivos), simplesmente não conseguem tirar proveito de uma bicicleta com detalhes aerodimâmicos. Por que não? Porque não tem força suficiente para manter a velocidade necessária para que qualquer detalhe aerodinâmico faça o efeito sonhado. Aerodinâmica é coisa para profissional, e quem já teve o prazer de pedalar junto com um profissional de verdade sabe que o babado é outro, que eles são de outro planeta, um foguete. 
Do que estou falando?  Sobre a diferença entre manter uma média de 20, 26 km/h, quando muito, e os "profissa" que continuam conversando como estivessem assistindo TV numa média de 35 km/h - numa subida leve e com vento contra.
Mais, ciclista profissional usa a aerodinâmica certa para o momento certo, o que é decidido por uma equipe de profissionais baseado em vários dados coletados de metereologia, topografia e outros mais.

Roda aero, que é vendido como um benefício aerodinâmico e é o mais comum nas bicicletas do povão, funciona? Não preciso ter em mãos dados científicos para dizer que não. Por uma razão em particular: são mais pesadas que as rodas normais, e peso da roda para um ciclista comum é que faz diferença, aliás, muita diferença. Quanto mais leve a roda, melhor, muito melhor. 

Os aros "aero" entraram no mercado porque são mais resistentes a torção ou deformação. Deram certo porque as bicicletas mais baratas vinham com aros de folha simples que desalinhavam, deformavam e entortavam com facilidade. Muitos eram de baixa qualidade, para dizer o mínimo, mas vários davam problemas porque eram muito mal montados, alinhados e principalmente tensionados. 
Fato é que, não é por ser aro de folha simples que será mais frágil que um aro aero. Tudo depende da qualidade do material e do processo de fabricação. 

Aerodinâmico? O peso da roda é o que importa para ciclistas comuns.

A bem da verdade, a imensa maioria do que é chamado de aerodinâmico é conversa para vender mais, e nada mais.



segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Sorocaba tem muita ciclovia. E daí?

Sorocaba é a cidade com maior número de ciclovias e ciclofaixas. E também as que ninguém usa. Dinheiro público desperdiçado. Responsabilidade social passa pela responsabilidade do uso do dinheiro público, da verba disponível para uso coletivo, em especial para as prioridades sociais, que no nosso caso são muitas.

Segurança não é igual a mais ciclovias ou ciclofaixas, mas a uma cidade transformada para dar segurança para seus cidadãos, o que inclui ciclistas, mas definitivamente não só eles.

Há uma diferença monumental entre as duas coisas, muito e seguro. Toda a cidade européia que é segura no trânsito, incluindo as holandesas, pensam em todos cidadãos, com prioridade para pedestres, pessoas com necessidades especiais, mães, crianças. Só a partir de então eles começam a pensar na bicicleta.

Conheço bem Sorocaba, cansei de pedalar por lá. Tem muito dinheiro desperdiçado, muita solução técnica errada. Muito pouco acalmamento, muito pouco estímulo para o cidadão caminhar, quase zero guia rebaixada....

É sobre a cidade, não sobre a bicicleta.

Só lembrando a todos um dos lemas da bicicleta na Europa:
"Ao socialismo se vai de bicicleta"
Que eu parafrasearia:
A responsabilidade social se vai de bicicleta.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

nhe nhec enlouquecedor

Como justificar que uma bicicleta que faz um nhec nhec irritante depois de pegar uma chuva fina quando estacionada pare de fazer? Lubrificação, é claro. A água da chuva serve como lubrificante, até aí vou. A questão é que o barulho sumiu porque foi lubrificado de cima para baixo. Eu olho para ela e me pergunto, pô! o que fazia barulho, de onde vinha? Não faço ideia. 

Quando a minha laranja, a bicicleta, secar e o barulho voltar, o que provavelmente acontecerá, vou ter que lubrificar com WD40 uma parte por vez, peça a peça, o que já fiz e não consegui localizar o maldito nhec nhec. 

Uma das hipóteses era rachadura, mas em quadro de alumínio elas ficam fáceis de localizar, foi o que disse um dos mais respeitados mecânicos deste país. Ele examinou e não achou nada. Meus olhos já não são tão acurados.

O culpado, como mordomo em filme de crime, deveria ser o selim, mas não é. Faz nhec nhec quando estou pedalando sentado numa subida. Saio do selim e pedalo em pé para, portanto é o selim, diz a lógica. Só que não é.

Grampo de selim mal apertado? Não. Falta lubrificação? Foi lubrificado. Não é.

Movimento central? Apertado, checado. Não é.
Pedivela? Apertado, chegado. Não é.
Pedais? Apertados, chegados. Não é.

Blocagem com pouca pressão? Poderia ser. Uma vez me aconteceu, barulho que não descobri de onde vinha, quadro de alumínio. Quase fiquei louco com o barulho, chequei tudo, não consegui achar a fonte do barulho. Dei braço a torcer, fui até a bicicletaria do santo Luiz  que ouviu minha história e matou a charada: blocagem traseira com pouca pressão. 
Neste caso, a da laranja, não é a blocagem.

O que falta é o canote de selim. Já me aconteceu de a cabeça, ou trilho, ou carrinho, do canote de selim ter uma micro rachadura, mas não deve ser o caso porque a chuva fina não molhou aí, portanto não lubrificou.

Sobre canote de selim, tive a péssima experiência de um estourar na cabeça quando pedalava na descida de São Paulo para Santos. O selim voou exatamente quando entrei na cabeceira da ponte sobre a Represa Billings, na Anchieta. Tive que terminar a viagem em pé nos pedais. Sou muito atento com barulhinhos, e não tinha ouvido nada ou percebido a rachadura até o forte barulho da ruptura e o selim voando.

Bicicleta não deve, ou melhor, não pode fazer qualquer barulho enquanto roda. Fez, é sinal que alguma coisa está errada. Vira e mexe cruzo com alguém pedalando bicicleta com crec crec ou nhec nhec. Alguns não conseguem ouvir, outros não se importam. De qualquer forma, se puder avise. 

O número de peças de uma bicicleta é muito pequeno. Mantê-la ajustada e funcionando segura é muito fácil. Não custa prestar atenção e seguir rodando sem qualquer barulho ou ruído.
A maioria dos barulhos é fácil de ser corrigida. Se o barulho vier da frente da bicicleta faça a manutenção imediatamente. O acidente mais pavoroso que um ciclista pode sofrer é por quebra de qualquer peça ou componente dianteira de uma bicicleta. Não experimente.