Meteorologia diz que vai cair o mundo. Eu estou destreinado. Minha cabeça não está boa. Um milhão de problemas. A bicicleta que escolhi não sobe direito, apesar de ter uma ótima redução... Geometria do quadro. Abro a gaveta e estou só com duas cuecas... Tomo um brodo antes de dormir que não desceu direito...
Acordo bem cedo. Não tenho vontade de tomar café da manhã, mas vamos lá. Checo pela última vez a mochila, tudo ok. Saio de casa às 5h20. Um pouco mais tarde do que queria. Vou pedalando pensando que a outra bicicleta, a que não sobe bem, talvez fosse melhor. Mas esta tem paralamas. Penso até em dar meia volta e trocar de bicicleta. Sigo em frente.
Um chato de galochas me para na esquina da Paulista para falar sobre uma passagem de Cristo. Não é possível! Isto aqui (a viagem) não vai dar certo. Escapo dele e desço para o Centro a mil. Paro em frente ao Teatro Municipal sem saber para onde ir. Não importa, vou. Até a Ponte das Bandeiras fico pesando razões se devo pegar um ônibus ou seguir no pedal. Quanto mais vou mais as baboseiras da cabeça vão sumindo.
Entro na Dutra. Consigo cruzar sem drama o acesso para a Fernão Dias, uma das minhas preocupações naquela noite antes de partir, razão para a busca de caminhos alternativos e preocupações. Consigo superar o trecho antes do acesso para o Aeroporto de Guarulhos sem dramas. Sigo devagar, mas firme e sempre. A cada metro percorrido, mesmo no meio daquele trânsito todo matinal, me sinto mais livre. E olha que só fui perceber que praticamente não tinha tirado os olhos da massa de romeiros que insistem em invadir a pista depois de quase 30 km, ou atropelo um. Nunca vi tanto romeiro junto.
Vou muitíssimo melhor do que esperava. Para que fazer tanto drama como fiz?
Estou vendo algumas entrevistas do Amyr Klink. Ele é uma aula, alguém que realmentevale a pena seguir. Daqui de uns dias vai entrar em cartaz nos cinemas o filme sobre sua travessia no Atlântico sul saindo da África e chegando no Brasil, "100 dias entre céu e mar", o primeiroa conseguir o feito. Pequeno detalhe, a remo. Que inveja! Se eu tivesse tentado provavelmente teria morrido. Todas suas viagens foram resultado de muito estudo, de aprofundar se na ciência, no conhecer, do preparo. Zero porra louquice.
Eu? Me voy a la loca. Só uma coisa eu e Amyr temos em comum, um emoção semelhante na hora de sair. E os dois dizem mais ou menos o mesmo: Vai!