sexta-feira, 18 de abril de 2025

Melhoras nas esquinas ajudam pedestres e ciclistas


A esquina da rua Estados Unidos com Canadá, no Jardim América está em obras para receber o que eu pensei ser um acalmamento de trânsito. Pelo sim ou pelo não, é e não é. A função da obra é aumentar a drenagem do solo e com isto parar os alagamentos que lá ocorrem sempre depois de qualquer chuva mais forte, um pequeno espaço verde conhecido como jardim de chuva. Com ele a distância entre as calçadas vai diminuir na esquina. A mudança da geometria da rua aumenta o ângulo de curva força os carros dobrarem bem mais devagar. Jardim de chuva vai de encontro com a técnica de trânsito básica para reduzir velocidade aplicada em todas as cidades civilizadas e que tem efeitos mais que comprovados para a segurança de todos cidadãos, principalmente pedestres e ciclistas.

Exemplos já existem espalhados pela cidade, alguns criados por puro acaso. Não muito longe dali, nas ruas Pamplona e Veneza, as esquinas foram estreitadas faz muito tempo, décadas. mas por outra razão: eram os pontos finais dos bondes, onde eles faziam a volta para retornar ao Centro. O diâmetro destas esquinas era grande, foi reduzido para uma esquina comum, transformando o local em pequenas praças. Bondes foram extintos, o que foi um crime contra a vida na cidade, mas isto é um outra história. 

Se por um lado a cidade tem urgência de aumentar sua drenagem, por outro também urge reduzir drasticamente o número de mortes no trânsito, em especial o de pedestres. Estas esquinas e ruas que estão recebendo jardins de chuva que estreitam a via são muito mais que bem vindas. 
Seria de grande valia, para não dizer inteligência, que o movimento da bicicleta mudasse seu discurso muito centrado em ciclovias e ciclofaixas e passasse a pressionar por esquinas com acalmamento de trânsito e drenagem. Não vivem falando que se deve diminuir a velocidade do trânsito? Então, aproveitem a oportunidade.

Estão fazendo esta melhoria nesta esquina de bairro chique por onde passam não muitos pedestres, mas de novo, o ponto de interesse não são os pedestres, mas o fluxo de veículos. Alameda Casa Branca e sua sequência, rua Canadá, são vias alternativas e auxiliares à av. Nove de Julho e não podem alagar ou vira um caos pior do que já é a seco. O cruzamento para os pedestres ficou melhor, mas ainda não tem a qualidade que se dá em cidades civilizadas. De novo, o número de pedestres não é grande, nem na hora de pico, mesmo assim poderiam pintar as faixas de pedestres que faltam.
Acalmamento de trânsito e jardins de chuva deveriam estar sendo aplicados por toda cidade, principalmente em cruzamentos críticos para pedestres. Como sempre a pergunta: qual é o critério adotado? De qualquer forma, que seja o primeiro de uma pandemia de acalmamentos, ou jardins de chuva, espalhados pela cidade. Pode ser no meio do quarteirão, o que vem acontecendo.
Volto ao que eu propuz como projeto cicloviário para a cidade, ao que depois eu e meu grupo, mais profissionalizado, propôs. Como primeiro passo pensar na introdução de um sistema cicloviário que beneficiasse todos, que fosse o menos segregativo possível. Ciclovia e ciclofaixa como última alternativa, onde realmente é necessário. Eu não gosto muito de ciclovia de canteiro central porque acaba impermeabilizando mais ainda a cidade. Nas demais vias, principalmente dentro de bairros, acalmamento de trânsito ou trânsito compartilhado, o que naturalmente educaria motoristas a conviver primeiro com ciclistas e por conseguinte entender e respeitar os pedestres. Segundo passo estabelecer critérios de implantação. Dinheiro público não nasce em árvore. Ciclovias e ciclofaixas custam. Terceiro passo, um passo por vez, nada de quanto mais melhor, tudo conversado e discutido com as populações locais. Quarto, o máximo de "de acordo" possível entre todas as partes. "Vocês têm que engolir" não me parece uma boa política. "Eu estou certo e você errado" também não. Fato inequívoco, temos que melhorar e muito drenagem de nossas cidades. Jardim de chuva implantado com inteligência pode resolver dois problemas numa tacada só.

terça-feira, 25 de março de 2025

Bicicleta salvou minha vida

Bicicleta salvou minha vida, esta é uma afirmação que li e ouvi inúmeras vezes, de diversas pessoas, e que em vários sentidos está correto, condiz com a verdade, não tem nada de piegas. No geral, no dito popular, se refere aos benefícios, que numa visão mais racional, são uma mistura de melhora geral de qualidade na vida pessoal. 

Tive três pré comas glicemicas antes de se descobrir que minha curva glicemia não era exatamente uma curva, mas um zigue-zague. Durval Rosa Borges, respeitado laboratorista, quando viu os resultados mandou refazer tudo, o que só confirmou. Eu fui diagnosticado com hipo-hiper glicêmico. Como foram as minhas três pré comas glicemicas? Uma brincadeira chamada "caimbra integral", em outras palavras, o corpo entra todo em caimbra em poucos minutos. A sensação é desagradável, para dizer o mínimo, principalmente porque quem está em volta entra em pânico vendo um corpo se retorcer todo.

A partir do ponto que a bicicleta entrou para valer na minha vida minha condição clínica melhorou e muito.

Em Roma, fim do ano passado, onde fiquei um mês e meio a trabalho e praticamente só caminhei, ficou patente a importância crucial do pedalar para minha estabilidade geral.

Conheci vários casos de pessoas que o pedalar acabou fazendo parte do tratamento clínico. Há farta documentação científica sobre o assunto. Os resultados são surpreendentes, num âmbito muito maior do que de uma doença específica. 

A história de introduzir a bicicleta para diminuir o número de veiculos motorizados circulando é só uma pequena parte do porque se vem forçando o aumento do número de cidadãos pedalando. Uso da bicicleta leva a uma diminuição de vários custos sociais e econômicos, o que na decisão final das autoridades pesa muito.

E agora que estou velho, posso dizer com certeza que a bicicleta me salvou duas vezes a vida. A primeira é que sem pedalar a diabetes já teria acabado comigo. A segunda é que aos 14 anos de idade, pedalando, acabei fazendo besteira, perdendo o controle e batendo de frente numa árvore, uma perna para cada lado e o saco em cheio. Ali acabou qualquer possibilidade de ter filhos. Mesmo que tenha ouvido algumas vezes que eu teria dado um bom pai, agradeço que a vida não tenha me feito pagar para ver. Dois a zero. Espero pelo menos ter sido bom para os outros, uns tantos que tratei como filhos. Bom não, util, pai ou mãe devem ser mentores, tem que ser util para os mais novos e inexperientes. Bicicleta e o pedalar aprendendo e respeitando a boa técnica me trouxeram à boa maturidade. Três a zero. 
Se tivesse filhos estaria surtando, mais do que já estou, apavorado com os descaminhos que estamos tomando faz muito. Pai e avô pirata, que sou, passo noites mal dormidas pensando neles, em todos nós, e nos outros, sei lá quem, incluídos. Tenho dificuldade em ver otimismo nesta baderda absurda que nos metemos.
 
Agora mesmo, neste começo de madrugada, se eu tivesse juízo, ou se fosse menos disciplinado, no mal sentido, o de amarrado, pegaria a bicicleta e fugiria sei lá para onde. Bicicleta me traz paz. Nunca pedalar foi tão importante para minha salvação. Bicicleta salva minha vida.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Normas ABNT

Rádio Eldorado FM
Vencer Limites, Luiz Alexandre Souza Ventura


Espero que as normas criadas pela ABNT funcionem de fato para melhorar a vida de pessoas com necessidades especiais. No caso das bicicletas acabou não funcionando tão bem, e a razão é simples: detalhismo sem fim e falta de fiscalização.

A lei brasileira obriga um detalhamento que torna qualquer norma nada prática ou, pior, irreal, pelo menos este foi o problema para o setor da bicicleta e provavelmente deve acontecer o mesmo com outros setores.

A saber, quando foi aprovado a normalização para o setor de bicicletas as concessionárias de rodovias do interior de São Paulo, que tinham e segue tendo dados precisos sobre acidentes, afirmavam que uns 35% das mortes de ciclistas em rodovias eram resultado de falha mecânica da bicicleta. Absurdo.
Como venho a um bom tempo acompanhando pessoas com necessidades especiais, a maioria idosas, sei que há muito problema de qualidade no que usam e necessitam. Sinceramente espero que as normas ABNT para eles funcione. A saber, em 2007 ouvi de um funcionário da Prefeitura que lidava com este público, que São Paulo tinha algo em torno de 500 deficientes que sequer conseguiam sair de casa. Na época se estimava um público total de aproximadamente 15% da população paulistana, e brasileira. 

Mesmo com a aprovação das normas de qualidade ABNT, no caso da bicicleta demorou para mudar e mudou por outras razões que não só pela criação da norma. A fiscalização é praticamente nula, o nível de detalhamento irracional, repito. O sério problema da baixa qualidade não foi todo resolvido.

Sem fiscalização eficiente, esquece. Como tudo, as normas vão ser cumpridas quando der, se forem. Tem norma que cola e tem norma que não cola, este é o Brasil.


Em Werneck, Rio de Janeiro, conheci um mecânico de bicicletas que fazia absolutamente tudo sem os dois braços. Ver ele montando uma roda, trabalho complexo, simplesmente mudou minha vida.

Hoje não tenho dúvida que este pessoal com necessidades especiais sobrevive como super heróis.

sábado, 15 de março de 2025

Roubaram a bicicleta e, milagre, devolveram

Roubaram a bicicleta dentro da casa da moça. Um grupo fechado de ciclistas da internet foi acionado e publicou foto da bicicleta. Não demorou muito foi devolvida. Interessante. E curioso. 
Como o sujeito sabia que havia uma bicicleta na casa? Por ocasião? Estava passando na rua e viu a ciclista entrando? Um vizinho contou? Ele era vizinho? Pedalou junto com ela? A conhecia? Amigão? 
Como e porque se sentiu ameaçado se ser pego? Pego por um grupo restrito da internet? Que mais?
Fazia parte do grupo da mídia social?
Mui amigo? Ou um terceiro, também mui amigo que conhece o meliante e resolveu o embrólio para não piorar mais ainda a situação?

Leve em consideração o que falo e pergunto, ao mesmo tempo não leve em consideração. Só pense.

Tudo pode ser verdade. Ou não.
Confie desconfiando.

A possibilidade de um ladrão ser pego ou da bicicleta voltar para o dono original aqui nesta baderna de país deve ser mais ou menos parecida com a de tirar na mega sena. Eu aplaudo em pé o trabalho da polícia que outro dia apreendeu 2.000 celulares roubados, mas bicicleta e seus ladrões não estão na pauta do dia, o que é um erro. Quem diz são as autoridades holandesas, e de várias capitais do mundo, lidando agora com mais um problema que virou gigante. Roubo de bicicleta é coisa séria.
 
Fato é que já tive o desgosto de ter bicicletas roubadas ou ver bicicletas de amigos roubadas, e das que pude descobrir ou pegar de volta, de suas histórias algumas me surpreenderam, muito, mais que o fato do roubo em si.

Um dia um amigo levou um outro amigo para fazer compras no era então a bicicletaria mais completa da cidade de São Paulo. O convidado quase caiu de costas com a absurda variedade de bicicletas nacionais e importadas, mais peças e componentes, tudo que se possa imaginar, incluindo o que não se encontrava em lugar nenhum aqui, só lá fora, USA. A bem da verdade ninguém naquele Brasil de raras importações tinha um estoque tão farto e variado. Pequeno detalhe: tudo produto de roubo. 
A amizade dos dois acabou imediatamente.

Infelizmente com esta história acabaria descobrindo que sempre foi repetição de fato muito mais comum do que, como cidadão brasileiro não queria ter sabido e muito menos ter deixado passar. Como cidadão deveria ter ido atrás, mas não fui. Minha amizade com o cliente da dita "bicicletaria" esfriou, virou formalidade social, e foi só.

Uma bicicletaria fez uma importação de bicicletas de triathlon top de linha, Quintana Roo Kilo, a papel fina da papa fina de então, começo dos anos 90. Uma perua parou na porta da bicicletaria, dela desceu um cara bem apessoado e vestido, que entrou, esperou sair um cliente, avisou o assalto e limpou todo estoque destas bicicletas, muito especiais, de baixa fabricação, numeradas, etc..., teoricamente fáceis de rastrear e recuperar. Sumiram, desapareceram, nenhum rastro, nunca mais se soube. Levaram para outro estado? Tiraram do país? Ninguém viu, ninguém soube?

No bicicletario do Pacaembu estava minha bicicleta estacionada, ao lado uma bicicleta muito simples, mas tratada com muito carinho, limpa, polida, pintura brilhante, e ao lado dela uma Senna, edição especial criada pelo próprio Senna, que é uma maravilha, um sonho, mas suja. As três bem trancadas. Quando sai da piscina o dono da bicicleta simples estava desesperado porque tinha sido roubada. A minha e a maravilhosa Senna continuavam lá. O cara roubou a mais bonita. Ninguém viu. Os seguranças acharam estranho que entraram três com duas bicicletas e saíram três com três bicicletas. 

No estacionamento de bicicletas do Shopping Iguatemi a bicicleta de uma amiga, especial e única no Brasil, foi roubada. Ela trabalhava lá e ia todos dias pedalando aquela bicicleta. Nas câmeras de segurança ninguém conseguia acreditar que o sujeito tivesse conseguido estourar aquele U-lock. Pagaram bicicleta e trava roubadas, que demoram para vir dos Estados Unidos. Voltou a ir pedalando para o trabalho no mesmo shopping, e passado pouco tempo a nova bicicleta também foi roubada. O marido é do meio da bicicleta, mesmo assim foi impossível descobrir onde e com quem foi parar. A única coisa certa é que foi uma encomenda. Carta marcada. E ladrão profissional. Ladrão profissional de bicicletas? Sim, um que ninguém sabe, ninguém viu, mas recebe encomendas.

Todas estas histórias tem um elemento em comum: alguém silenciou, ninguém viu, ninguém sabe.

Comprar produtos roubados é fato trivial aqui no Brasil, em todos níveis sociais que se diga. Procedência indeterminada. O mesmo que comprar pirataria, que também ninguém sabe a procedência.

A principal razão de todas violências, de todos tipos e formas, está principalmente no silêncio de quem sabe sobre algum delito e não denuncia. "Dedo duro não pode" diz a regra. Não pode? Tentar fazer o certo não pode? Denunciar uma violência não pode? Apontar para o canalha que esfaqueia pelas costas não pode?
Upa!

quarta-feira, 5 de março de 2025

Elder's cofin

Ganhei de presente revistas inglesas sobre ciclismo trazidas direto de Londres pela Cristina. Gostei, agradeci, mas folheando descobri que não fazem o menor sentido para quem sou eu agora. As duas são maravilhosas, muito bem escritas, programação visual ótima, mas para um público que pedala chique e caro, o que definitivamente não é o meu caso.

I'm (not) on the mood of a elder's cofin, ou, numa tradução completamente livre,  eu (não) estou afins de morrer (entrar no caixão do velho). Ou, encaixando aqui, parar de pedalar.

Um dos melhores mecânicos de bicicleta estava com uma estradeira top de linha, muito cara, tão surrada que dava dó. O pedivela tinha dentes bem estragados, apontando para um ciclista, seu dono, que pedala sem o menor respeito pela técnica, dos que acreditam que o que vale é a força bruta, melhor, estúpida. O mecânico viu minha cara de espanto, ou raiva, não sei bem, e disse rindo "É disto que eu gosto. É o que dá dinheiro".
Ele é dono de uma das boas bicicletarias, mas só trabalha as top ou as elétricas mais sofisticadas. Destruídas por mal uso é o que mais aparece. E ele está feliz, pelo menos no lado financeiro, porque tem toda consciência que aquilo tudo é um crime. Pedalar ensina respeito, ou pelo deveria ensinar.

O mercado agora virou o que? 

De volta para casa me enfiei na leitura das revistas inglesas recém chegadas. Já li e ouvi que o busines ou são bicicletas elétricas, ou são as muito caras, principalmente as de estrada e as gravel. Gravel, nome novo e bonito para as velhas e boas ciclocross, agora para iniciantes e urbanos de toda espécie,  mas com dinheiro. Estas revistas inglesas que ganhei são todas recheadas de bicicletas caras e tentadoras, que carregam com si um sonho, que por sua vez implica em sapatilhas, capacetes e outros apetrechos caros, é  obvio. Quer fazer parte da turma? Então fantasia.


Completamente fora dos meus sonhos atuais, ou da realidade bang-bang deste Brasil. Meu e da maioria dos brasileiros que gostam de bicicletas. A única que me chamou atenção foi uma gravel de baixíssima produção, inglesa, de titânio, mas, ups! tô fora. Por que? Primeiro preço, segundo que saiu com uma destas a probabilidade de tomar um cano ou bala cresce muito além do prazer de pedalar.
Alguns artigos são sobre esportes de alto rendimento ou radicais, com fotos lindas de se ver, mas completamente fora da realidade minha e da maioria. 

Olho aquilo tudo e, pensando na história, sei que é um jogo perigosíssimo para o setor. Já fizeram uma aposta alucinada na pandemia, que quase quebrou todos. Apostar num público de alta renda foi um tiro no pé mais de uma vez. Só será uma boa jogada caso o setor tenha um olho na história e use esta referência para dar um salto para o grande público. Lembro que os tempos são outros.

Será que ter uma revista para gente normal não funciona? Será que já existe. Lá pelos primeiros anos de 90 as revistas eram direcionadas para a formação de novos usuários da bicicleta. Por um tempo foi publicada nos Estados Unidos uma revista voltada para as híbridas, com textos bem para principiantes. A qualidade da informação era precisa, rica, direcionada para o público geral. As revistas inglesas que tenho em mãos são para um público muito restrito, este é meu ponto. 

A sutileza em toda esta conversa está exatamente nas bicicletas lindas, caras e moídas por seus donos. Minha experiência de vida me diz que eles não passaram pelo básico, o b a ba. Os dentes machucados da coroa do pedivela grita pelo seu dono ciclista: sabe com quem está falando? Desculpem, mas é tudo que ciclismo não é. Bicicleta tem muito de "unidos vencemos". 

Quem é normal? Ninguém. Ok. Gente comum, ciclista comum, dos que querem simplesmente pedalar, sem frescuras. Ou talvez a grande maioria.
Maltratar a coitada da bicicleta? Sei que a maioria não se preocupa muito com cuidados; simplesmente gosta ou precisa pedalar. As milhões de bicicletas na Holanda que o digam.  

Algumas postagens atrás contei sobre um amigo, ciclista de bicicleta cara, gente de grana boa, que teve que usar a bicicleta xumbrega, mas correta, da namorada, e voltou enamorado... pela xumbrega. Contou com sorriso de prazer que não se embrava mais a verdadeira sensação de pedalar, simplesmente pedalar, com desprendimento e prazer.

O que me incomoda, e muito, é esta desconexão com as coisas e sentimentos mais básicos, simples. Aliás, é uma discussão que está sendo colocada em pauta até pela Organização Mundial da Saúde. Talvez eu esteja pensando correto.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Amy Vanderbuilt - Etiqueta ao dirigir

Esta é uma página do livro sobre Etiqueta Social de Amy Vanderbuilt. O livro todo é bem interessante, em alguns momentos destualizado, mas de leitura obrigatória para quem ainda acredita que cordialidade e gentileza é o melhor caminho para a construção de uma sociedade civilizada.

As pesquisas sobre comportamento no trânsito são profundas, muito bem fundamentadas, com uma coleta de dados imensa, claríssimas, não deixam qualquer dúvida: os que evitam discussões e brigas têm muitíssimo menos possibilidade de sofrer acidente. O contrário também é verdadeiro. Ficou nervoso, perde a concentração no que interessa e aumenta muito a possibilidade de se machucar.
 
Gentileza gera gentileza - não tenha a mais remota dúvida.

Etiqueta, onde quer que seja, contorna a maioria das situações com bons resultados. O outro errou? OK, errou, mas você nunca errou? Ler sobre etiqueta, que parece coisa antiquada, desnecessária, ajuda e muito melhorar a qualidade de vida própria e mais ainda dos que estão em volta, conhecidos ou não, o que por sua vez melhora mais ainda a própria qualidade de vida. Paz não tem preço e etiqueta ajuda muito a encontrá-la.  

Depois da figura coloco o link do site Escola de Bicicleta com recomendações de como pedalar com segurança no trânsito, incluindo algumas etiquetas básicas, tipo sinalizar, que muitos ciclistas não fazem e depois culpam os motoristas. 

Gentileza gera gentileza. Etiqueta é uma gentileza. Experimente, vai gostar.
Abraço





"Gentileza gera gentileza" é uma frase de José Datrino, o poeta popular carioca conhecido como Profeta GentilezaA frase foi escrita em pilastras do Viaduto do Caju, no Rio de Janeiro, na década de 1980.



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Bicicleta funcional ou fantasia para sua insegurança pessoal?


Você gostaria de pedalar uma destas? Vai fazer sucesso se aparecer com ela? Opa! Com certeza!

Lá pelo começo dos anos 90, 1992 talvez, a Specialized divulgou uma série de fotos ou imagens, cinco, que me lembre, de show bikes imaginárias, lindas, tentadoras, mas... Nunca entraram em produção.

Mais ou menos na mesma época a Specialized desenvolveu um projeto de uma full suspention com quadro monocoque em chapa de alumínio prensado e soldado, que lembra o da foto a seguir, que acabou descartado por deficiência mecânica. O quadro era mais pesado que os tradicionais, torcia muito mais, além de não aguentar o tranco, rachava. Também se não me falha a memória, chamava-se projeto "Zero".

O que é uma bicicleta? Ou, o que deve ser uma bicicleta? Respondo sem qualquer dúvida: uma bicicleta deve, acima de tudo, funcionar bem, entregar ao corpo do ciclista o máximo de rendimento.

Então, olhando a bicicleta da foto abaixo, é linda, tentadora. Mas....
Pois então, veja não só o teste, como também o desmonte de uma delas para mostrar como é por dentro e como funciona. É um passeio de como ser bela ao mesmo tempo que se chega ao ridículo, ao absurdo total. Link abaixo da foto.



Para quem não quiser ver, o quadro cor de cobre não é estrutural, mas uma cobertur de plástico sobre um quadro com tubos quadrados. A transmissão do motor para a roda é feita por 12 engrenagens, o que causa uma grande perda de energia. Pedalar sem a força do motor significa girar as 12 engrenagens mais o motor, ou seja, pesadíssimo. As rodas tem uma estrutura pesada por não ter raios, o que contraria o princípio básico de física que quanto mais leve uma roda melhor. e ai segue. Em fim, é uma bosta! E toca bosta nisto. Aliás, no caso, não ofenda as bostas.   
Linda?

Forma e função, eis a questão. 
Forma e função tem que irremediavelmente tem que se referir ou direcionar para a beleza? Boa, intrigante e perigosa pergunta nos tempos de hoje. Estamos aceitando 'coisas' inaceitáveis. Aceitar ou não é uma questão de informação, de educação, de interesse. 
 
Beleza conta? Conta para muita coisa, mas quando se trata de funcionalidade, nem sempre o lindo deve ou pode ser prioridade. A bem da verdade, muitas das melhores e mais eficientes máquinas criadas pelo homem foram funcionais e não necessariamente belas. A bicicleta é uma delas. O quadro diamante, o tradicional, com três triangulos unidos, o principal entre selim e guidão e os dois que seguram a roda traseira, é um ótimo exemplo de como uma forma básica funciona maravilhosamente bem. 
Alguns dos desenhos que consideramos belos aceitamos como tal porque nos acostumamos com sua forma, nada mais que isto. 

Um monte de 'coisas' que dizem ser bicicletas e vendem, como vendem, eu não consigo considerar como bicicleta. No começo do montain bike foi colocada no mercado uma marca de bicicletas que fazia cópias de péssima qualidade das marcas americanas. Quão péssimas? O fabricante chegou a ter 33% de perda de produção por defeito, mesmo assim vendeu como água. 

Quando a Klein e a Cannondale colodaram no mercado bicicletas com tudos com diâmetro largo, algumas marcas de baixíssima qualidade, fabricadas em tubo de aço vagabundo, também colocaram no mercado 'similares'. A pequena diferença é que a razão dos tubos grossos da Klein e Cannondale era técnica, baseada em alta tecnologia, e as porcarias que foram vendidas às pencas por dois amendoins era aparência, engana trouxa. Uma Klein pesava uns 11 kg, bem leve para a época, enquanto as lixocletas pesavam no mínimo 17 ou 20 kg. Pior, vinham tortas, viviam dando defeito, quebravam, etc... E seus compradores achavam ótimo e não aceitavam ser questionados.

Mesmo que você não entenda inglês, veja o vídeo sobre a linda bicicleta moderna da foto. 
Mas vale mesmo a pena comprar uma? Minha resposta, impiedosa, é não; a não seja que a única intensão seja causar inveja nos outros, mas aí não é ciclismo, é complexo de inferioridade, uma outra história, um outro papo.

Nunca compre porque é bonitinha, achei legal. Se informe antes, leia. Pedalar é uma delícia, saudável, seguro, mas para isto você precisa usar uma bicicleta correta.