"Vai, ô trouxa!” cara, eu tenho certeza que tem muita gente, inclusive quem deveria ser responsável pelos pedestres, que pensa assim. Se pensam diferente, se "precisamos pensar na segurança do pedestre" (afirmação que me dá arrepios até hoje) de verdade, e eles de fato estão minimamente preocupados com a segurança dos pedestres então ou são cegos ou são ineptos, para dizer o mínimo. Os números não mentem.
O número de situações técnicas, por parte da engenharia de trânsito, que colocam em risco os pedestres - e ciclistas - é muito maior do que deveria ser aceitável. "Nós colocamos faixas de pedestres...", sim, é verdade, mas faixa de pedestre não é sinônimo inequívoco de segurança, como está mais que provado. "O pedestre não cruza a rua na faixa e com o semáforo aberto para ele..", concordo, mas por que não o faz, por que se arrisca?
Segurança, qualquer que seja, é efetiva quando se segue uma serie de regras e princípios. Segurança é um fator humano, e se não se entender como 'humano' não se chega a lugar nenhum. Em outras palavras: se a ideia não for bem vendida ela não funciona, ponto final. E só vende uma ideia que é confiável, o que as autoridades não conseguem ser, ou ter, ou as duas juntas.
No meio de uma longa entrevista publicada no jornal Estadão, um estudioso falando sobre a competição China - Estados Unidos afirma que a grande diferença é que na China, no processo produtivo, todos são ouvidos com respeito e seriedade, pião, engenheiro, diretor presidente, todos tem algo a acrescentar. Aqui, o sabichão que está por cima quer a todo custo fazer o seu subordinado entender o que ele está mandando e "fazer o que tem que ser feito", ponto final. Só pode ser piada de mal gosto.
Pedestres não respeitam o que lhe é indicado porque sua vontade natural, sua razão, sua forma de fazer, de agir, de sua tradição, sua cultura, enfim, tudo o que eles são não interessa para os que "sabem". Começou mal, vai terminar mal.
Segue-se um ótimo exemplo, dos infinitos que temos por aí.
O pedestre que entra e sai do Parque Ibirapuera pelo acesso para a rua Abílio Soares tem que ter paciência, muita paciência, para cruzar a av. Pedro Álvares de Cabral. Exatamente de frente a este portão do parque está o ponto de ônibus - do outro lado da avenida. Hoje, para cruzar a avenida o pedestre tem que caminhar uns 50 metros ou mais, cruzar a avenida em duas etapas, uns 2 minutos ou mais total, e voltar outros 50 metros até o ponto. UAI? Por que será que o pessoal cruza no meio dos carros?
Situação como esta é comum para pedestres e também ciclistas. UAI? Por que o pessoal faz diferente do que as 'otoridades manda'?

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