| Esta bicicleta roda desde 1952 e está praticamente toda original |
sobre bicicletas, perguntas, respostas da Escola de Bicicleta; e algo mais.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Aro arregaçado na calibragem
Nome: C E
Mensagem: Fui encher o pneu no posto de gasolina e estourou. Quando olhei o aro tinha
arregaçado na lateral, onde a sapata encosta. Não entendi nada.
C E, boa noite.
Você deu a dica para que eu tenha a resposta
correta. Com o desgaste a parede lateral do aro fica mais fina e com a pressão
da calibragem num momento ela acaba cedendo, abrindo e estourando a câmara. Todos
nós somos pegos de surpresa.
Mesmo aros de boa qualidade tem um tempo de vida,
que pode ser determinado pelo desgaste causado pelo contato das sapatas de
freio e pela forma como o ciclista usa o freio. No geral a qualidade tanto do
aro, como das sapatas de freio, vai determinar o tempo que o aro vai abrir, ou
como você disse arregaçar. É lógico que aros básicos ou de baixa qualidade vão
durar pouco. Um aro de boa qualidade dura décadas se as sapatas forem também
boas.
O que pode acabar com um aro é deixar a sapata
ficar sem borracha, o que faz com que a estrutura metálica da sapata corte o
aro.
Sua mensagem é um ótimo momento para explicar que se
deve ter cuidado com o tipo de sapata que se usa; isto por duas razões. A
primeira é bem simples: algumas sapatas são muito abrasivas, principalmente as
mais baratas, freiam pouco e gastam mais o aro. A segunda razão tem um toque de
sofisticação: cada aro é feito para trabalhar com um determinado tipo de
sapata, o que só um bom mecânico saberá.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
bicicletas de Amsterdam
Amsterdam praticamente não muda. Mesmo as bicicletas são quase as mesmas. O que se vê de novo mostra uma tendência muito sutil de buscar o novo, modelos, desenhos, formas, cores. A "old dutch", a tradicional bicicleta holandesa talvez esteja sofrendo dos mesmos males que qualquer produto identificado com as gerações passadas. A bicicleta nova precisa ter personalidade, seja lá o que isto venha a significar. Mesmo assim é muito difícil que a old dutch venha a cair no esquecimento, até por que o que é bom nunca deixará de se-lo.
Cresce mais lentamente do que alguns poderiam imaginar o número de elétricas nas ruas. Não virou uma epidemia, muito pelo contrário. Também não incomodam muito. Ruim mesmo é ter scooter circulando nas ciclovias. Boa parte de seus condutores não tem nada na cabeça, incluindo ai algumas meninas lindas. Estranho, mas as scooters elétricas, completamente silenciosas, incomodam menos, mas são mais perigosas por que ninguém as percebe.
Cresce mais lentamente do que alguns poderiam imaginar o número de elétricas nas ruas. Não virou uma epidemia, muito pelo contrário. Também não incomodam muito. Ruim mesmo é ter scooter circulando nas ciclovias. Boa parte de seus condutores não tem nada na cabeça, incluindo ai algumas meninas lindas. Estranho, mas as scooters elétricas, completamente silenciosas, incomodam menos, mas são mais perigosas por que ninguém as percebe.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
mecânica sem mãos
Em 1989, nas proximidades de Paraíba do Sul, RJ, conheci um mecânico de bicicleta que não tinha os dois braços. Quando chegamos na bicicletaria ele estava sentado no chão trocando a caixa de movimento central. Ele trocava raios de roda e depois centrava. Simples assim. Foi impressionante ver a habilidade dele com os dedos dos pés. Foi uma dos momentos mais marcantes de minha vida por que ali aprendi, mais uma vez, que não faz quem não quer. É fácil (e vergonhoso) simplesmente vomitar "Não consigo".
Ciclista sem os dois braços mostra como trocar o pneu da sua bike
Ciclista sem os dois braços mostra como trocar o pneu da sua bike
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Porque não usamos bicicletas como as holandesas
O link abaixo abre um artigo sobre a insensatez do tipo de bicicleta de transporte normalmente vendida e usada na América Latina espanhola e também aqui no Brasil, muito centrado nas bicicletas tipo mountain bike e híbridas.
A diferença que tivemos para o resto da América Latina é que durante décadas, dos anos 60 até os 90, o Brasil teve um fenômeno mundial chamado "Barra Circular". Produzida pela Monark, era uma bicicleta de transporte com desenho único no mundo, foi sucesso absoluto de vendas, principalmente entre a população nordestina. Nunca entendi bem este sucesso, por mais lógico que pareça.
O paralelo entre a Barra Circular e as bicicletas usadas na Holanda é que as duas são símbolos como modo de transporte de massas. É necessário lembrar que o Brasil da Barra Circular tinha inúmeras regiões, cidades e bairros espalhados pelo país com o mesmo índice de uso holandês da bicicleta, principalmente no litoral e interior do nordeste. Infelizmente aqui a bicicleta foi e continua sendo substituída pela moto.
A Barra Circular tem um quadro cheio de curvas e com um círculo para reforço do triângulo dianteiro, o que complica muito a produção industrial e encarece o produto. Nasceu com rodagem européia, com aros 28 (medida inglesa) e pneus (creio) 1 1/2 polegada, o que deixou a bicicleta muito alta, imprópria para a maioria do público, principalmente o do nordeste que tinha então (década de 60) uma população ainda mais baixa do que temos hoje. Logo a Monark trocou a rodagem por 26 1/2 e pneus balão (2.1) que a deixou um pouco mais baixa. O sucesso entre a população de baixa renda foi imediato. Os freios eram sistema varão, de baixa eficiência, mas resistentes; guidão levemente curvado; selim largo, com molas, mas pouco acolchoado; pé de vela sueco; bagageiro de tubos com boa resistência para carregar até mesmo a mulher e filhos. Sem marcha. A maioria diz que era muito resistente, o que é possível pelo menos para a época. A Caloi tentou fazer frente primeiro com a Barra Forte, que também tinha um desenho particular, e depois com uma quase imitação, mas nunca chegou a arranhar a imagem e as vendas da Barra Circular. Bem mais tarde, já no final dos anos 90, alguns fabricantes simplesmente começaram a produzir cópias da Barra Circular, mas sem o mesmo sucesso.
Demorou muito até que Barra Circular fosse afetada e trocada pelas mountain bike no Brasil. Quando isto aconteceu a Monark praticamente desapareceu e o Brasil ficou sem sua bicicleta símbolo. O interessante é que a partir desta transição o modelo de bicicleta mais vendido no Brasil passou a ser uma mountain bike feminina, a Poti, e suas inúmeras cópias ou mesmo falsificações.
O fenômeno das bicicletas holandesas, que está aos poucos invadindo o mundo, se deve a sua simplicidade de projeto e fabricação, com um quadro de dois triângulos retos, limpos, o que garante grande resistência e durabilidade. E uma geometria que faz com que o ciclista pedale praticamente em pé, ótima posição para quem está no meio do trânsito. É uma bicicleta mais lenta que mountain bikes e híbridas, o que também é uma qualidade porque o ciclista sua menos.
A verdade é que as bicicletas holandesas se encaixam perfeitamente na forma de pensamento do europeu e holandês: forma-função, mais simplicidade-eficiência-sustentabilidade. Nós, sulamericanos e principalmente brasileiros, estamos muito longe desta educada sofisticação. Somos presas fáceis do status.
A verdade é que as bicicletas holandesas se encaixam perfeitamente na forma de pensamento do europeu e holandês: forma-função, mais simplicidade-eficiência-sustentabilidade. Nós, sulamericanos e principalmente brasileiros, estamos muito longe desta educada sofisticação. Somos presas fáceis do status.
Link para imagens de Barra Circular:
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
mais Caloi MTB 15; e Caloi Montana, Aluminun...
1) Vc tem o contato ou email do pai do projeto Juan Timon?
Timon já se foi. Bruno Caloi também. Daquela equipe não sei quem está por
ai, se ainda sobrou alguém
2) Qdo vc falou em protótipos seriam a própria bike ou modelos antes
dela? Tem fotos desses modelos da
época?
Talvez Renata Falzoni tenha alguma foto
acidental do protótipo por que foi levado para o Cruiser das Montanhas de Campos
de Jordão, em 1988. Eu corri com o protótipo em Paraíba do Sul, e era terrível,
saía muito de frente, não engatava as marchas dianteiras, freava mal, era
incomoda... Poderia ter sido uma boa bicicleta urbana com outro avanço, mais
curto e alto, mas nunca deveria ter sido vendida como mountain
bike.
3) Essa bike é interessante. A produção sendo de 1500 unidades não seria um
número bom, médio? Qual a média de unidades de bikes produzidos nos modelos? Se
foram recolhidas cerca de metade, então foram vendidas apenas umas 750 unidades
já sem o defeito na rosca da cx do quadro, divididas entre vermelho e azul, nos
3 meses de produção, vamos dizer, entre dezembro de 1988 e março de 1989?
Como na época eu fazia testes de bicicletas para revistas, posso dizer que
a história é curiosa, mas a bicicleta é ruim, um projeto errado para o que se
destinava.
Não, a maioria das bicicletas foi devolvida pelos compradores, uma
vergonha. Fazer um lote de 1.500 só em produtos muito sofisticados e caros, o
que definitivamente não foi o caso. O fracasso foi total.
4) O defeito fazia com que a cx desrosqueava sozinho ok?! Com o defeito na
rosca era impossível montar o mov central ou era possível andar com a bike, tudo
montado e só depois começava a desrosquear ou ainda, só se notava depois de
desmontar a peça? Será que alguma pode estar ainda rodando com este
defeito?
Soltava em movimento ou, pior, pulava fora feito rolha de champanhe. Muitas
a caixa era desalinhada e os rolamentos trabalhavam tortos.
5) Sei que o quadro dela é o mesmo das Cruiser Montana, porém com algumas
modificações. A cx da preta era de rosca, 34.7mm, na Montana era igual da Light,
50mm. Aliás, faz diferença o quadro ter cx 34.7 ou 50mm, algum é melhor? A solda
da cx com os tubos na preta parecia ser de melhor qualidade que nas Montana,
apareciam menos, enquanto que nas Montana eram mais aparentes. A mesa na preta
era 22.2, sendo que em todas as Cruiser e cross era de 21.1, por que será isso?
As rodas na preta eram Araya 26X1.75 tamanho padrão, enquanto que nas Montana
eram de ferro iguais da Barra Forte, medida 26X1.1/2.2. A posição das
ferraduras era mais próxima das rodas na preta (quase lambia os pneus) enquanto
que na Montana era mais longe. Garfo curvo na preta e reto nas Montana. Vc sabe
o porque dessas diferenças, em especial da mesa ser 22.2? Nem nas "GT" eram
assim, nelas eram 21.1 tbém.
Interessante estes detalhes que você descreve. É muito possível que tenham
fabricado o mesmo modelo com detalhes diferentes para tender o mercado local.
Era fato comum. Aliás, ainda é. Nunca vi uma com movimento central de Cruiser
Light. Aqui em São Paulo a branca tinha quadro igual à Mountain Bike 15 preta,
só que tinha peças mais simples. Por exemplo, o pedivela era o mesmo da Caloi
10, em ferro e com duas coroas, 53 / 39, se não me falha a memória.
6) A Mountain Bike 15 branca que veio em 1989 parece ter tido menos
unidades ainda que as pretas, confere? Vc sabe qtas unidades dela foram? Creio
que vieram em agosto ou setembro de 89. Vc tem algum contato de alguém que tenha
hoje? Eu tinha na época. A curiosidade dela é que tinha o mesmo quadro das
Cruiser Montana, apenas com as guias do câmbio dianteiro soldadas. E o quadro
das pretas continuou depois, porém chamaram de Cruiser Montana 10 em 89, sem a
mesma MTB e sem a pedivela tripla, apenas a pedivela dupla Duque de ferro da
Caloi 10.
Creio que a branca tenha tido uma vida mais longa, com mais modelos
fabricados. A Caloi tinha que recuperar a perda da preta, que foi feia.
Naquela época colocaram para funcionar uma máquina de solda que fazia uma
costura (solda) mais grossa, mas de melhor qualidade que as feitas a mão.
7. Com relação à geometria do quadro, é interessante que o tamanho de fato
é "grande", inadequado para a prática do MTB, está mais para o cicloturismo. Top
tube e mesa longos. Porém as primeiras Caloi Aluminum tinham geometria bem
parecida, com top tube longo e mesa mais longa ainda! Por que eles fizeram a
Aluminum assim, e não com um quadro mais compacto, como das "GT"? Até 1991 os
quadro da Caloi, com exceção da Caloi 10 eram tamanho "único", mais ou menos
19,5", depois vc me confirma se eram 19,5 ou 20"!
Tenho 1,85 m e a Caloi Mountain Bike não funciona. Não era simplesmente uma
questão de tamanho.
As Aluminun tinham geometria comum para bicicletas mountain bike da época.
Era algo próximo ao 23, 17, 71, 73, ou seja 23 polegadas de tubo superior, 17 de
forquilha de corrente, 71 graus na cixa de direção e 73 de tubo de selim, isto
para o tamanho 19. As Aluminun não fugiam à regra geral. Eram oferecidas em dois
tamanhos, 19 e 17. Funcionaram muito bem para quem queria fazer MTB esportivo.
8. Sobre os quadros "GT", eles eram nacionais feitos aqui mesmo? Soube de
um boato que eram fabricados no exterior, confere? Tiveram a preta, depois a
crack e depois as ATN em 1991 no mesmo quadro, com algumas modificações na
gancheira e outros detalhes como guias do freio, também gostaria de saber porque
dessas modificações! Se souber a quantidade delas, é interessante, sei que são
mais comuns de encontrar do que as MTB 15!
Todas as bicicletas da Caloi, com exceção das de ciclismo profissionais,
eram fabricadas aqui, na fábrica da av. Guido Caloi, Socorro, Zona Sul de São
Paulo.
As Caloi 15 devem ter sobrado em maior quantidade pela simples razão que
eram ruins para mountain bike. As “GT”, mesmo vendidas com a recomendação de
serem usadas para passeio, acabaram sendo detonadas exatamente por ter aparência
de uma mountain bike de verdade. Acredito que a a história seja por ai.
Bom, este é um assunto que rende, vamos trocar informações! Valeu!
Vou continuar publicando.
Caloi Mountain Bike 15, história dos defeitos
Olá Arturo boa noite!
Vi seu post no seu blog sobre a caloi mtb 15, bem legal!
Vc tem mais informações sobre ela? Foram feitas 1500 unidades da preta? O problema que algumas tinham era onde? A rosca do mov central do quadro que era mal feita? E daí as pedivelas desrosquevam? Ela foi feita até que mês? Lembro que entrou a cruiser montana 10 com o mesmo quadro. O quadro delas era o mesmo das Cruiser Montana mas a cx era 34,7 de rosca. Sei que tiveram a preta depois fizeram a branca! E as com quadro tipo gt qtas unidades foram feitas? Aquela numeraçao embaixo no quadro tem alguma lógica? Aguardo e valeu! Abs, Gian
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Giancarlo
bom dia
A primeira série da Caloi Mountain Bike 15, com produção de 1.500, só foi
pintada de preto. No ano seguinte, sem os defeitos da primeira série, mas ainda
sendo uma bicicleta ruim, surgiu a série branca. Continuava com a traseira torta
e era praticamente impossível alinhar a roda traseira com a dianteira.
Não me lembro exatamente o que aconteceu nas primeiras, as pretas, mas
fizeram uma lambança na produção. Alguma coisa a ver com o processo de solda que
deformou a rosca e formato do tubo. Foi um erro grosseiro, burro. Quando a caixa
do movimento central só desrosqueava era uma maravilha. Muitos simplesmente
cuspiam os rolamentos. Bruno Caloi, o proprietário, ficou furioso, urrou com os
responsáveis, em especial com Juan Timon, o pai do projeto. Foi tão pesado que a
notícia vazou. Me disseram na época que recolheram metade da produção. As pretas
devem ter sido fabricadas uns 3 meses, no máximo, por que a confusão dentro da
Caloi foi pesada. Felizmente esta lambança abriu as portas para o projeto
“GT”.
A a rosca da caixaria das bicicletas nacionais era sempre a mesma,
padronizada. A diferença que existia entre uma rosca e outra era por conta da
baixa qualidade geral. Era comum ter que experimentar mais de uma peça para ver
qual encaixava ou enroscava melhor. Só para entender, o mesmo acontecia com
outros produtos, por exemplo: quando se preparava um motor de competição era
comum entrar no estoque de peças e ir pesando biela por biela até ter um
conjunto com peso próximo. Triste, mas real. Na indústria da bicicleta a
situação era mais grave por que ninguém reclamava e os fabricantes faziam o que
queriam. O extremo foi a Urbano, numa determinada época, começo anos 90, o
terceiro maior fabricante de bicicletas no Brasil, que chegou a ter uma perda de
30% da produção por falta de qualidade. Absurdo! Mesmo assim vendeu durante bem.
Não faço ideia de quantas tipo GT foram fabricadas, mas sei que venderam
bem para o nicho. Nada comparado com as vendas da feminina Poti, disparado a
campeã de vendas.
Não sei como era feita a numeração pela Caloi, mas acredito que era
sequencial para todos produtos. Duvido que no meio daquela bagunça alguém
tivesse tido o cuidado de fazer uma numeração específica para cada modelo.
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