Tem um documentário sobre segurança para motoristas que no seu finalzinho faz a seguinte pergunta para o maior especialista da época: Qual seria o automóvel mais seguro para os motoristas? Num típico humor britânico, ele solta: O que tivesse uma faca no meio do volante apontada para o peito do motorista. Ele seria mais cuidadoso.
Um amigo, que trabalhou com sistemas de segurança para ciclistas e era motociclista, dizia com toda razão que "O sujeito pode estar dentro de um tanque de guerra. Se ele conduzir errado vai se machucar".
A questão de boa parte dos itens de segurança obrigatórios para qualquer veículo pode ser rebatido sob vários aspectos, todos com base na ciência, portanto em dados existentes. Também poderiam e deveriam ser debatidos e rebatidos sob vários aspectos econômicos e sociais.
Um ótimo exemplo vem da segurança do ciclista. Capacete melhora a segurança? Bom, é um debate e tanto, mas todos as pesquisas, dados e provas científicas apontam que... depende de diversos fatores e circunstâncias. Muitíssimo mais importante que o uso do capacete é a forma como o ciclista pedala. Mais, numa bicicleta de transporte urbano, onde o ciclista pedala mais ereto, o capacete é praticamente dispensável, por esta razão não é obrigatório em praticamente todas as partes do planeta. Capacete no ciclismo esportivo, onde o ciclista pedala mais inclinado, é outra coisa. Quanto mais inclinada a posição do ciclista, mais importante o uso do capacete. Óbvio que velocidade faz diferença.
Segurança, a real, é ciência, não tem nada a ver com achismo, falácia ou propaganda.
Verdades estão sendo bombardeadas e no meio desta confusão generálizada pode-se dizer que quanto mais ilusão, mais chique. Ou, "Dane-se, se eu tiver mais, se parecer melhor, e me sentir mais confortável pagando menos, está bom, tá legal".
Quanto mais assessório, mais legal, melhor. Quanto mais assessório, melhor também para a cadeia produtiva, mais trabalho, mais impostos, mais satisfação de quem compra.
Uma revista especializada europeia, não me lembro qual, apontou que muito mais da metade de automóvel moderno são inutilidades. No caso de um automóvel de luxo as inutilidades, ou coisas que o proprietário nunca vai usar ou nem saber que existe, pode chegar a mais de 80% dos componentes totais. Portanto custos para o proprietário, com algum impacto futuro, impacto sério, não só para ele, mas para toda sociedade.
Você sabe tudo que seu automóvel tem? Sabe usar tudo?
Pelo menos parece que estão chegando a conclusão que paineis digitais em vez de aumentar a segurança do ciclista, diminuem, e muito. Especialistas falam que estes 'tabletes' no meio do painel são tão perigosos quanto o uso do celular na direção.
Dados estatísticos confiáveis, colhidos em várias partes do planeta, provam sem deixar dúvida, que a quase totalidade dos acidentes tem por razão o condutor. Seguem confirmando velhos dados estatísticos. Óbvio que sobre isto ninguém quer falar, não interessa. O negócio é ter proteção contras as próprias besteiras, os próprios erros, bem barato, de preferência.
A declaração do presidente da Fiat foi infeliz porque algumas coisas não se fala em público, vão ser poucos que vão entender o que se está sendo dito.
Nesta confusão toda vem um detalhe quase esquecido: a cidade. Em cidades que estão preparadas para a vida, a maioria dos itens de segurança de um automóvel são quase inúteis. Um dos principais fatores para determinar se uma cidade está preparada para a vida é a velocidade máxima de todos veículos, que deve ser baixa, própria para escala humana.

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